Marcelo Vicari, o filho da UEPG

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O bom filho não retorna à casa, permanece. Assim é a história de Marcelo Ricardo Vicari, o filho que a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) abrigou, formou e atualmente o tem no quadro de servidores. A UEPG foi literalmente a casa de Marcelo por quatro anos. Durante o período da graduação, ele morou na Casa do Estudante Universitário (Caoe). De lá para cá, são 24 anos de história. O filho permaneceu em casa depois da maioridade – fez mestrado, doutorado, liderou pesquisas e hoje auxilia na construção da instituição de ensino que o criou.

Marcelo lembra da época em que morava na casa do Jardim Paraíso. Aprovado em Ciências Biológicas, ele chegou em Ponta Grossa em 1997, vindo do Rio Grande do Sul, para uma nova vida. “Foi extremamente útil essa moradia, porque minha família não tinha condições de me manter fora da cidade. Graças à UEPG eu consegui fazer meu curso”, ressalta. A Casa do Estudante era organizada, em nada parecendo àquelas repúblicas que retratam a vida universitária em filmes. “Nós tínhamos toda uma organização, o presidente da casa, pessoas responsáveis pela limpeza e pela manutenção. A gente era uma mini sociedade muito bem disciplinada”, relembra.

Mesmo morando em um lugar onde conviviam 30 meninos e 30 meninas, a Caoe não deixou de ser um lar harmonioso para Marcelo. “Formei muitas amizades, que ficam para a vida. Algumas pessoas que eu dividi quarto acabei me tornando depois padrinho de casamento”. Até tinham algumas festinhas, mesmo que simples, além do futebol de sábado à tarde. “A gente se organizava desse jeito para passar o tempo rápido, para poder curtir um pouco, porque a vida era basicamente só estudar”, conta.

Depois da formatura

Marcelo é paranaense, de Marechal Cândido Rondon, e por isso conhecia as Universidades Estaduais do Paraná. A escolha pela UEPG veio depois de ver o catálogo dos cursos em anúncios. A identificação por Ciências Biológicas aconteceu no mesmo instante e Marcelo passou de primeira no Vestibular. “Na verdade, eu acho que nunca tirei o pé da UEPG desde que cheguei aqui”, afirma. Os laços permaneceram depois da formatura. Em 2000, Marcelo iniciou mestrado em Genética e Evolução na Universidade Federal de São Carlos, com um coorientador da UEPG. Três anos depois, ele ingressou como professor colaborador e nunca mais saiu. “Tudo deu muito certo na minha vida, porque quando eu terminei o doutorado já tinha concurso público na área de genética e eu pude me tornar professor efetivo da casa”.

Toda a carreira de Marcelo é baseada no trabalho científico. Desde a época da graduação, como bom “nerd”, o servidor vive na sala de aula. O estudante dedicado se tornou um professor engajado na iniciação científica e na coordenação do Bacharelado em Ciências Biológicas, onde ajudou a reestruturar o curso, de 2015 a 2019. Neste período, Marcelo começou a se envolver, também, na parte administrativa. Atualmente, trabalha como coordenador pedagógico da Coordenadoria de Processos de Seleção (CPS).

Covid-19

A chegada da pandemia da Covid-19 trouxe mais um desafio para Marcelo. A instituição estava à procura de pesquisadores que soubessem trabalhar com a metodologia do PCR em tempo real. “Eu comentei que poderia ajudar a padronizar os testes e colocar para funcionar o laboratório de diagnóstico molecular”. E assim nasceu o projeto do Laboratório Universitário de Análises Clínicas, o Luac. Juntamente com a equipe do laboratório, Pró-Reitoria de Pós-Graduação e o reitor Miguel Sanches Neto, Marcelo ajudou a dar início à implementação do diagnóstico molecular para Covid, em abril 2020. “Como funcionário público, sempre busco dar um retorno útil para a sociedade, não só na formação de alunos, mas também na prestação de serviços”.

O esforço foi recompensado. Em maio deste ano, o Luac iniciou as testagens para Covid-19. O trabalho de Marcelo ainda se desdobrou e, atualmente, ele realiza o mapeamento das variantes da Sars-CoV-2, em pacientes do Hospital Universitário. “Esta é uma conquista muito útil para a sociedade, para a educação, pesquisa e cursos de Farmácia e Análises Clínicas na UEPG”, salienta.

Conquistas

Marcelo é um servidor multitarefas. Além de atuar na CPS e no Luac, ele também orienta alunos de mestrado na área de Zootecnia e coordena a pesquisa em genética de peixes, para tentar descobrir novas espécies e ver análises moleculares novas. “E além disso tudo ainda dou aulas, que é minha paixão”, sorri. O trabalho de mais de duas décadas segue rendendo frutos. Em setembro, Marcelo foi indicado com um dos 10 mil pesquisadores mais citados na América Latina, de acordo com com o AD Scientific Index Ranking 2021. A UEPG teve 22 pesquisadores mencionados na lista. “Metido eu, né?”, brinca.

A mãe para o filho

“Eu me considero filho da UEPG. Muito provavelmente, sem a ajuda que recebi na graduação, eu não teria concluído o curso”, enfatiza. O filho atribui à mãe (a instituição) o seu desenvolvimento profissional e pessoal. “Basicamente, tudo o que sei de biologia e genética eu devo à UEPG e também do meu esforço de estudar bastante”. A UEPG também lhe deu a oportunidade de mudar de vida. “Venho de uma família muito humilde, a condição financeira era bem ruim em 1997, mas com subsídios na graduação, mestrado e doutorado, consegui me estabelecer”. Com a vida estável, Marcelo conseguiu planejar sua vida, constituiu família e tem uma vida melhor.  “Sem a UEPG eu não teria nada do que tenho hoje. Posso dar o melhor estudo para minhas filhas e boa condição para minha família”, completa.

Texto e fotos: Jéssica Natal

 


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