Lama/UEPG e parceiros realizam feira de sementes crioulas em Reserva

O Laboratório de Mecanização Agrícola da Universidade Estadual de Ponta Grossa (Lama/UEPG) organizou no mês de agosto, a Feira de Sementes Crioulas de Reserva. O objetivo do Feira era propiciar um espaço para discussões e a troca de sementes crioulas mantidas por agricultores camponeses.

O evento foi realizado em conjunto com outras entidades tais como O Território Caminhos do Tibagi, através da Associação de Agricultores da Campina Bela e da Associação de Agricultores do Palmital de Baixo, agricultores do MST, escritórios municipais da Emater do território, e a Secretaria de Agricultura de Reserva.

Estiveram presentes mais de 200 pessoas, entre agricultores e lideranças rurais (sindicatos, cooperativas e associações) dos municípios de Reserva, Imbaú, Ortigueira, Cândido de Abreu, Tamarana, Tibagi, Telêmaco Borba. O engenheiro agrônomo Guilherme Mazzer (Bolsista Lama/UEPG/Seti, projeto Paraná +Orgânico) esteve presente na Feira e explica a relevância do acontecimento. “Segundo a FAO o ser humano já utilizou mais de 10.000 espécies vegetais para sua alimentação, sendo que hoje apenas 150 são cultivadas, e que, pelo mercado e pela legislação de sementes, estas culturas tem proprietários, sendo assim a ideia é, como soberania alimentar, proporcionar espaço para contraponto”, aponta o engenheiro.

Uma das preocupações das entidades participantes é a pureza e não contaminação das sementes crioulas. Nesse sentido, o técnico André Jantara da AS-PTA, demonstrou testes para identificação de eventos de transgenia. A organização do evento destaca a semente como símbolo da soberania alimentar e que no Brasil, essa soberania pode ser considerada ameaçada pela globalização dos produtos alimentícios que levam os agricultores locais a obedecerem regras, preços e padrões internacionais.

O técnico da Emater de Ortigueira, Alexandre Moraes esteve na organização da feira e informa que existem alguns agricultores que mantêm sementes próprias, e que embora este número seja pequeno, a cada safra se observa o aumento gradativo. “Esse tipo de evento é essencial, não só para reafirmar a soberania das sementes e dos agricultores, mas como função econômica também, pois existe hoje espaço para produtos de qualidade diferenciada nos centros urbanos”, explica.