“Nada é tão nosso quanto nossos sonhos… Cole o seu aqui”. Logo na entrada, um mural convidava os visitantes a deixar registrado aquilo que desejam para o futuro. Entre centenas de post-its coloridos, havia sonhos de todos os tamanhos: ingressar em Farmácia, Serviço Social ou Odontologia; concluir o ensino superior e seguir para um mestrado; viajar para outros países, conquistar a casa própria, viver num mundo melhor ou simplesmente ser feliz. Enquanto alguns que passaram pelo mural ainda estão escolhendo qual caminho seguir, outros estavam ali justamente para apresentar as mais de quarenta possibilidades de graduação que a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) oferece.
Desde as sete horas da manhã, a sexta-feira (21) foi marcada por uma intensa circulação de ônibus escolares no Campus Uvaranas, todos com o mesmo destino: o Ginásio do Bloco G, onde foram recepcionados de braços abertos pelo gato Galileu, mascote da UEPG, e convidados a passear pelos estandes dos cursos, atléticas e de diferentes órgãos que compõe a instituição, como a TV Educativa, a Escola de Línguas e os Hospitais Universitários. A 4ª edição da Feira de Profissões – Universidade e Comunidade recebeu mais de 5 mil estudantes de 91 escolas e 23 municípios diferentes, com 79% das instituições sendo públicas ou comunitárias; além de integrantes da comunidade interessados em conhecer mais sobre a UEPG. A programação contou ainda com apresentações culturais de dança, música, coral e fanfarra.
Entre os visitantes estava Isabelle Wilt, aluna do terceiro ano de um colégio público de Piraí do Sul, que compareceu ao evento pelo segundo ano consecutivo. Desta vez, deixou registrado no painel um desejo que já tem data para acontecer: “2027 UEPG me aguarde”. Em busca de uma escolha para o Vestibular, ela deu prioridade para os estandes de Medicina, Farmácia e Enfermagem. “Eu quero um curso da área da saúde, tô decidida”, conta. Foi a Enfermagem que mais despertou seu interesse, especialmente após conversar com estudantes e professores que já vivem a rotina universitária. “É uma sensação muito boa. Eu quero estar junto com esses alunos, sabe? Eu sinto vontade de viver isso”, declara.
Do outro lado da recepção, a servidora da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Culturais (Proex), Karen Mudrich, acompanhava os estudantes que paravam para rabiscar um post-it. “É bem interessante a gente enxergar eles começando, né, e a gente se vê muito. Nessa idade eu também pensava: só quero passar no Enem, no vestibular. Mas depois que você entra, você não para mais de sonhar, de querer mais coisas”, reflete. Formada em Administração pela UEPG, ela agora está na expectativa de iniciar o mestrado na instituição. A organização da Feira, segundo Karen, envolveu uma preparação intensa. A movimentação dos estudantes, porém, dá outro significado ao trabalho realizado antes da abertura dos portões, ainda mais para quem ficou diante daquele mural. “É uma mistura de sonhos dos que estão no fundamental ainda, dos que estão no ensino médio, dos alunos da graduação, dos professores, tudo junto e misturado. Bem satisfatório ver todos com os sonhos e essas pessoas se dedicando tanto pra isso.”
A aproximação entre a universidade e os visitantes é o principal propósito destacado pela organização da Feira. Para a pró-reitora de Extensão e Assuntos Culturais da UEPG e coordenadora do evento, professora Beatriz Gomes Nadal, a iniciativa representa uma oportunidade de mostrar aos jovens que o ensino superior é uma possibilidade concreta para diferentes trajetórias. “Esta é a maior festa de integração da UEPG com a comunidade. É um dia de muita alegria, de receber os estudantes e fazer parte do sonho de todos esses meninos e meninas, contribuir para construção de um projeto de vida, mostrar que a universidade é uma realidade possível para todos que desejam estar aqui”, afirma. Beatriz lembra que a instituição conta com uma política de cotas e oferece diferentes formas de ingresso, como o Vestibular, o Processo Seletivo Seriado (PSS) e o Aprova Paraná Universidades.
O vice-reitor, professor Ivo Mottin Demiate, destaca a diversidade de formações que a UEPG oferece. “A UEPG hoje é uma das universidades mais importantes do país, com grande destaque em todos os rankings, e nós estamos de portas abertas, com o nosso cardápio de cursos, que são mais de quarenta, em todas as áreas do conhecimento”, afirma. Ele ressalta que a Feira permite aos estudantes conhecerem todas essas possibilidades, e que o evento tem crescido a cada ano.
Até mesmo para quem já está acostumado ao Campus Uvaranas, a Feira de Profissões permite olhar para a Universidade por uma perspectiva diferente. É o caso de Cristine Beraldo Homiak, aluna do Centro Estadual de Educação Profissional Agrícola Augusto Ribas, unidade que integra a própria UEPG. “Agora que eu tô tendo essa oportunidade de visitar a Feira eu percebo o quão diferente é a vida universitária. A gente tem uma visão muito mais limitada, só olhando dentro do colégio, mas aí quando a gente tá olhando aqui dentro, é tudo tão mágico”, relata. Ainda sem decidir qual curso pretende escolher no vestibular, Cristine passou a considerar o Comércio Exterior, interesse que surgiu também a partir de outra experiência proporcionada pela educação pública do Paraná: ela passou cinco meses estudando no Canadá por meio do Ganhando o Mundo, programa de intercâmbio internacional do Governo do Estado. “Quando você sai do país e você percebe a grandiosidade de tudo que a gente não conhece, você meio que fica mais tentado a querer conhecer mais e mais. Então conhecendo um pouco ali mais de Comércio Exterior, eu achei legal”, comenta.
Aluno de Administração e Comércio Exterior, Pedro Brandão participa do evento pela segunda vez como universitário, mas sua relação com a Feira começou antes mesmo de ingressar na instituição: foi durante uma visita com o colégio, quando estava no segundo ano do ensino médio, que Pedro conheceu o curso que hoje frequenta. Para ele, apresentar a UEPG aos estudantes não significa falar apenas sobre os cursos de graduação. A experiência inclui também os projetos de extensão, as atléticas, baterias, cheerleaders e outras atividades que fazem parte da vida acadêmica. “É muito interessante você passar tudo que a universidade pode proporcionar pro aluno e tudo que ela deve levar pra comunidade externa”, destaca.
A experiência de quem hoje atua na gestão do ensino superior também esteve presente na Feira. Professora do curso de Pedagogia da UEPG e diretora de Ensino Superior da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti), Paola Andressa Scortegagna participou do evento representando a Seti, que coordena e apoia as universidades estaduais paranaenses. “Os visitantes estão aqui, olhando pro futuro, conhecendo a instituição e podendo entender que essa jornada profissional não é só a escolha de um curso, mas também a escolha de uma vida que vai possibilitar a realização de inúmeros sonhos”, declara. A trajetória da professora é, para ela, um exemplo das possibilidades que a universidade pode abrir. “Eu gosto de dizer que a Universidade Estadual de Ponta Grossa transformou a minha vida, e transformou de maneiras incríveis e que jamais eu podia imaginar. E quando eu consigo estar em algum lugar, seja viagem ou congresso, eu falo: ‘Olha, eu saí lá do Capão do Cipó, do sítio, e nunca imaginava que estaria aonde estou’.”
Texto: João Pizani | Fotos: Aline Jasper, Erica Fernanda, Gabriel Ribeiro, Jéssica Natal, João Pizani, Larissa Godoy e Tierri Angeluci






































































































































































































































































































































































































































































































