O Museu Campos Gerais da Universidade Estadual de Ponta Grossa (MCG-UEPG) está com exposição nova. A mostra “Tramas Ancestrais” traz ao público itens de 18 etnias indígenas, que fazem parte de um dos acervos originais do Museu, no ano de seu 75º aniversário.
Um cocar do início do século XX da etnia caiapó, redes, cestos, cerâmicas, cocares, instrumentos de caça, grafismos, utensílios do cotidiano e vestígios arqueológicos. A diversidade de itens reflete a multiplicidade das culturas indígenas e, também, do acervo do MCG. “Essa exposição reflete a mentalidade do Faris [Michaele], porque ele pensa o Brasil a partir desses povos. Para ele, o Brasil nasce com esses povos. Aqui está a nacionalidade brasileira”, explica o diretor do MCG, professor Niltonci Batista Chaves. Faris Michaele foi um dos principais fundadores do Museu, em 1950, e responsável pelo acervo antropológico que está em sua gênese. “É um encontro do Museu com sua própria história”, resume Niltonci.
Uma grande peneira constitui o coração da exposição, segundo o professor Ilton Cesar Martins, diretor de Ação Educativa e Extensão e idealizador da mostra. Ao afirmar que “quando o indígena trança, ele trança várias coisas”, o professor ressalta que o domínio da matéria-prima, a conexão íntima com a natureza e o fluxo entre gerações não são meros detalhes técnicos, mas elementos entrelaçados em uma trama de resistência e sabedoria, manifestada em cada fibra do artesanato. Para os indígenas, a peneira não é apenas um utensílio doméstico, mas um mapa do cosmos e um lembrete constante de que o universo é uma grande teia onde tudo está interligado.
As peças fazem parte da maior coleção da reserva técnica do museu: são 1864 artefatos indígenas, de uma coleção que iniciou ainda em 1948, quando um grupo de intelectuais começou a reunir os três primeiros acervos do que se tornaria o Museu Campos Gerais. Na inauguração, em 15 de setembro de 1950, estavam as exposições de objetos de cultura material indígena (doados por Faris Michaele), artefatos líticos (reunidos por Frederico Lange) e do insetário do entomólogo autodidata Felipe Justus. No aniversário do MCG, 75 anos depois, partes dos três acervos estão novamente em exposição, sendo os artefatos líticos no Museu de Ciências Naturais da UEPG (MCN), que fica no Campus Uvaranas.
Como explica o professor Ilton, a exposição vai além da mera exibição de peças antigas e convida o público a olhar para o presente, mostrando que os povos indígenas estão vivos e em constante transformação. “Os objetos reunidos não são apresentados como peças isoladas ou curiosidades etnográficas. Mais do que testemunhos do passado, são evidências de formas de conhecer, ensinar, produzir, cuidar e habitar o mundo”. O caminho percorrido pelo visitante passa por temas como o corpo, o cuidado com a natureza e as tecnologias do dia a dia.
Visite
As visitações individuais dispensam agendamento. Para visitas de grupos e com mediação, a atividade deve ser combinada pelo e-mail museucamposgerais@uepg.br. O horário de atendimento é de terça-feira a sábado, das 9h às 11h45 e das 13h30 às 17h.
Texto e fotos: Aline Jasper
