18 de junho, Dia do químico: profissão essencial à sociedade

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Na próxima sexta-feira (24), ocorrerá a “1ª Mostra de Pesquisa e Extensão do Dequim”, promovida pelos colegiados de Licenciatura e Bacharelado em Química.  A atividade comemorativa em alusão ao dia do Químico, celebrado no último sábado (18) tem como finalidade a integração entre acadêmicos e docentes e a divulgação dos projetos de pesquisa e extensão desenvolvidos pelos professores do Dequim. O evento ocorrerá das 18h às 20h30, no Centro Integrar (antigo PDE) e contará com a visitação de professores e acadêmicos de diferentes cursos.

O dia Nacional do Químico, celebrado em 18 de junho, é uma data em que se comemora essa profissão indispensável ao progresso e desenvolvimento tecnológico e científico. Professores, técnicos e alunos do Departamento de Química (Dequim) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) comemoram a data, compartilham experiências relembram a importância da profissão.

Licenciatura e bacharelado em química: diferentes áreas de atuação profissional

O Dequim possui duas linhas de formação na graduação: o curso de Bacharelado em Química Tecnológica e a Licenciatura em Química. A coordenadora do curso de bacharelado, Patrícia Los Weinert, explica que o curso é mais amplo e forma o profissional que vai atuar como químico nas indústrias, na pesquisa e desenvolvimento de soluções. “No caso do Bacharelado, com atribuições tecnológicas, o aluno ganha um diferencial dos demais por estar apto tanto a desenvolver pesquisas como a atuar na indústria, com o objetivo de desenvolver novos produtos ou garantir a qualidade dos já existentes. Pode inclusive propor melhorias do processo produtivo, melhor aproveitamento dos insumos e gerenciamento dos resíduos produzidos pela indústria”, esclarece.

Já o profissional licenciado, conforme destaca a professora Luciana Boer, coordenadora do curso de Licenciatura em Química, tem como área principal de atuação profissional a docência na educação básica, nas séries finais do Ensino Fundamental e em todo o Ensino Médio. No entanto, conforme salienta a professora, deve-se considerar que o Curso de Licenciatura em Química, por oferecer uma sólida formação em conhecimentos da Ciência Química e de ciências correlatas, prepara profissionais capazes de atuar em diferentes segmentos do mercado de trabalho. “O Licenciado em Química pode também exercer a docência nas Instituições de Ensino Superior, seguindo a carreira universitária e desenvolvendo todas as atividades que competem a ela; bem como ter registro junto ao Conselho Regional de Química, desde que respeitadas algumas exigências curriculares específicas. Além disso, no magistério, o Licenciado em Química encontrará um dos maiores mercados de trabalho do país”, afirma a professora Luciana.

Para atuar como Químico, além de formado no curso de Química, é preciso ser registrado no Conselho Regional de Química, uma entidade que regulariza regionalmente a atividade e detalhes da carreira do profissional da Química de cada formação superior. “O mercado de trabalho não se restringe às profissões que tradicionalmente são conhecidas, mas permite ao acadêmico atuar em diversas áreas, tais como: forense, petroquímica, química fina, alimentos, papel e celulose, polímeros, fertilizantes, tintas, cosméticos, tratamento de água, esgoto e saneamento”, enumera a professora Patrícia.

Por ter um mercado de atuação amplo e promissor, o Químico encontra boas oportunidades de trabalho. Duas áreas em ascensão, segundo a professora Patrícia, são a Gestão de Qualidade e a Química Ambiental.  O profissional pode ainda atuar como professor, pesquisador, técnico ou analista em indústrias de diversos setores. Além disso, esse profissional pode trabalhar com avaliações ambientais e inclusive no empreendedorismo, abrindo seu próprio negócio.

O principal fator positivo nas profissões ligadas aos processos químicos é a grande variedade de setores que necessitam da atuação desses profissionais. Segundo a professora Patrícia, a partir da formação oferecida na UEPG, “Espera-se que o aluno seja capaz de aplicar os conhecimentos no exercício de sua profissão, compreendendo a relação entre Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), com uma visão ética, humana e de preservação ambiental”.

O curso de graduação

O curso de Licenciatura em Química da UEPG tem suas aulas no Campus de Uvaranas, no período noturno, com duração total de 4 anos. “Quase metade das disciplinas são realizadas nos laboratórios, onde os acadêmicos podem aprender através da experimentação”, destaca a coordenadora do curso. O licenciando também tem a oportunidade de realizar pesquisa nas áreas de Ensino de Química, Educação, Divulgação Científica, ou qualquer subárea da Química. “Além disso, nossos alunos têm a oportunidade de vivenciar a escola durante toda a graduação, a partir de diferentes projetos oferecidos pela instituição”, complementa a professora Luciana.

O curso de Bacharelado em Química Tecnológica da UEPG tem aulas no Campus Uvaranas, com duração de cinco anos. Com disciplinas voltadas ao desenvolvimento do senso crítico, além da sólida formação técnica, o curso proporciona o desenvolvimento da cidadania pelas diversas oportunidades que oferece a partir do tripé ensino, pesquisa e extensão. “Aborda-se no curso disciplinas de formação básica, específicas e profissionais. Disciplinas de formação profissional específicas, direcionadas principalmente ao setor industrial e ambiental completam o desenvolvimento das habilidades e competências do futuro profissional”, destaca a professora Patrícia. A formação complementar, oferecida pelo curso de bacharelado, refere-se a um leque de conteúdos e atividades de escolha dos estudantes, o que garante uma formação multidisciplinar. No final do curso o aluno realiza estágio em indústrias e passa a ter contato direto com a realidade da profissão que escolheu.

O curso de Bacharelado em Química Tecnológica é um dos cursos mais bem avaliados no estado do Paraná, tendo alcançado o conceito 4 no Enade 2017 e foi classificado com 5 estrelas no Guia do Estudante no ano de 2019 e, desde então, tem mantido a mesma classificação. “O curso consiste de um tronco comum aos cursos de Química, e se diferencia dos demais por incluir os elementos de engenharia e tecnologia, necessários para complementar a formação de um profissional apto a atuar junto aos processos químicos na indústria e para suprir a demanda de profissionais com formação mista de engenharia e de química na academia”, destaca a coordenadora do curso.

Os alunos dos cursos de Bacharelado e Licenciatura em Química Tecnológica da UEPG podem também participar de inúmeros projetos de pesquisa e ou extensão, como bolsistas aplicando os conhecimentos aprendidos durante o curso. O curso de Licenciatura inclui a etapa de estágio em docência e o curso de Bacharelado conta com o apoio do Grupo PET, além de possuir sua própria Empresa Júnior: Chimera. 

Mas e agora, como escolher?

Se você pensa em se tornar um químico no futuro, mas ficou em dúvida em qual dos cursos é mais a sua cara, quem sabe a experiência de quem está estudando te ajude! Para o André Victor Bassani, aluno do 4º ano de Licenciatura em Química, optar pelo curso foi uma escolha baseada em uma área que sempre se identificou, mas não apenas isso. “Além de ser uma área que eu sempre amei, sempre me interessei em ser profissional do ensino e da pesquisa. E logo que entrei não me arrependi. Desde o primeiro ano já fui incentivado para participar de programas de extensão”, conta André, que participou do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) e também de Iniciação Científica.

Luiz Guilherme Soares do Amaral está cursando o 5º ano do curso de Bacharelado em Química. O acadêmico conta que sempre teve curiosidade sobre o tema em várias matérias, ainda na escola. “Uma das que me pareceu mais intrigante foi a Química. Quando soube da existência um curso de química na UEPG e das oportunidades de carreira após a graduação, logo me inscrevi no Vestibular para o Bacharelado em Química Tecnológica”, relata o estudante.

Para André, algumas áreas da química são as responsáveis por roubarem seu coração. “Dentro da química sou apaixonado pela química inorgânica e analítica, são áreas que sinceramente amo de verdade, amo me aprofundar e estudar sobre. Depois de formado, pretendo continuar a vida acadêmica, ingressando no mestrado em química da UEPG e construindo a minha vida na pesquisa… se tudo der certo”, ri o acadêmico.

Já Luiz Guilherme prefere a área de química orgânica, “mas também gosto das outras áreas”, esclarece. “A química tem uma grande interdisciplinaridade entre suas áreas de conhecimento, então, em qualquer projeto desenvolvido, utilizam-se conhecimentos de vários campos de estudo. Também por isso, as possibilidades após a graduação são bem variadas. Desde a área acadêmica, a pesquisa científica, até a indústria, tanto no setor de análise de qualidade quanto no desenvolvimento de materiais. Particularmente, estou me preparando para trabalhar na indústria, seja qual for o ramo ou o setor”, compartilha Luiz.

Segundo André, os cursos de Química da UEPG são completos e que formam profissionais capacitados para todas as circunstâncias. “Isso se deve aos excelentes professores, ao Departamento e Colegiado do Curso que são próximos dos alunos, que buscam entender os acadêmicos e que incentivam a crescer dentro da profissão. É um curso que te possibilita conhecer a pesquisa desde o início, se aproximando de forma prática da Química, e que se você quiser, estará sempre em contato com ela”, ressalta o acadêmico. Luiz Guilherme elenca a qualidade do corpo docente como o principal diferencial dos cursos. “Tenho pra mim que são necessários profissionais de excelência para formar profissionais de excelência. Sem dúvidas, é o que encontramos no Departamento de Química”.

Para além da graduação

Depois de formado, o aluno não precisa necessariamente se despedir da Universidade. É possível prosseguir estudando na UEPG e complementar sua formação através do Programa de Pós-Graduação em Química da UEPG (PPG-Q-UEPG), que iniciou as suas atividades em 2005 e desde 2020 possui os cursos nos níveis Mestrado e Doutorado nas áreas de Química Analítica, Química Inorgânica, Química Orgânica e Físico-Química. “Os cursos apresentam como objetivos a formação de recursos humanos para atuação no Ensino e Pesquisa visando a resolução de problemas ambientais, tecnológicos, sociais e econômicos especialmente em temas como ambiente, sustentabilidade, produção de energia, tratamento de resíduos, biotecnologia, simulação contaminantes ambientais, sensores químicos, proteínas, compostos naturais, biomoléculas, entre outros”, explica a professora Patrícia.

O PPG-Q foi avaliado pela Capes no período 2013-2016 com Nota 4, indicando um avanço e melhoria nos parâmetros avaliados, proporcionando o início do Curso de Doutorado próprio. O programa disponibiliza bolsas de estudo concedidas pela Capes e CNPq, para alunos com dedicação exclusiva às atividades do projeto, e de acordo com a ordem de classificação nos processos avaliativos para participação nos programas. Para a professora Luciana Boer, a oferta de linhas de pesquisa, e incentivos à especialização, colaboram para a formação e oferta de um profissional cada vez mais qualificado ao mercado de trabalho: “Esse conhecimento contribui para o desenvolvimento de uma gama de produtos e processos que levam ao desenvolvimento da sociedade e melhoram a qualidade de vida da população”.

A Importância do profissional de química na sociedade

A Química é uma das áreas mais dinâmicas do mercado de trabalho, pois está presente em praticamente tudo ao nosso redor. Consequentemente, tem papel fundamental na garantia do bem-estar e segurança da sociedade. O químico está em constante atualização, pois há sempre novas descobertas e novos processos em desenvolvimento.  “A química contribui diariamente à humanidade, pois cria e transforma diferentes materiais para o setor de alimentos, medicamentos, roupas, moradias, transporte, energia, comunicação entre vários outros. O nosso futuro energético depende muito da Química assim como a manutenção da qualidade da água e do saneamento básico, proporcionado o desenvolvimento sustentável do país”, ressalta a professora Patrícia.

Os alunos da graduação também sabem o valor que tem o diploma e o papel do profissional da área. “Hoje vivemos em uma sociedade modernizada, tecnológica e necessitada de inovações. E todas estas inovações necessárias sempre dependerão de químicos. Veja, para a bateria de um celular ou de um carro elétrico atual, dependemos de lítio, de pesquisa e inovação para termos baterias melhores, estáveis e seguras. Para que um aparelho funcione, para que um medicamento surta efeito desejado com menores consequências possíveis, ou até mesmo para os produtos de limpeza, que nesta época pandêmica são essenciais, o químico estará sempre envolvido em sua produção”, enumera André.

André ainda destaca o importante papel do professor de química. “Além disso, o professor de Química também é a pessoa responsável por ensinar não só a química, mas o que é ciência. É ele quem ensinará a futura geração sobre os problemas científicos que vivemos, que mostrará a linguagem da ciência e que terá como responsabilidade fazer os alunos criarem e exercerem seu senso crítico acerca da realidade que vivemos”.

Luiz Guilherme destaca o papel fundamental do químico: “Seja no passado, presente ou futuro. A evolução da Química acompanha a evolução da sociedade e ela está presente a todo momento conosco, mesmo que não nos atentemos a isso. Atualmente, várias preocupações no ponto de vista ambiental vêm se tornando pauta no mundo todo. Alterações climáticas, poluição, por exemplo. O químico tem a capacidade de interferir nessas questões, para o bem ou para o mal. Caberá a nós, que somos os químicos do futuro, a responsabilidade de preservar o meio ambiente enquanto servimos à sociedade”.

O Dia do Químico

O dia do Químico é comemorado em 18 de Junho, pois, nessa data, em 1956, o então presidente Juscelino Kubitschek assinou a chamada “Lei Mater dos Químicos”, que regulamenta o exercício profissional do químico e permitiu a criação do Conselho Federal de Química (CFQ) e dos Conselhos Regionais de Química (CRQs).

Texto: Cristina Gresele | Fotos: Fabio Ansolin

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