Portal da UEPG completa 30 anos com acervo histórico de notícias disponível para consultas

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Há três décadas, a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) abria uma nova porta de entrada para a comunidade acadêmica e para a sociedade: o seu portal institucional. Registrado em 13 de junho de 1996, o domínio uepg.br nunca mais saiu do ar; acompanhou transformações tecnológicas, mudanças na forma de comunicar e registrou, por meio de notícias, parte do cotidiano da Universidade.

Para marcar os 30 anos do portal, o Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI) da UEPG iniciou um trabalho de recuperação do acervo histórico de publicações, com o objetivo de disponibilizar novamente conteúdos produzidos ao longo dessa trajetória. O público já pode acessar mais de 18 mil notícias publicadas entre 2002 e 2019, organizadas em dois períodos. Clique nos links a seguir para acessar os arquivos de 2002-2011 e 2011-2019.

O diretor do NTI, Luiz Gustavo Barros, explica que o trabalho foi realizado a partir dos backups mantidos pelo setor. “Para recuperar estes dados, é necessário não apenas obtê-los, mas recriar o ambiente computacional compatível com as versões da linguagem de programação e de banco de dados utilizados na época para então criar uma cópia, refazendo índices e links do conteúdo”, explica. Assim, além de acessar os arquivos, os usuários têm a oportunidade de navegar por uma autêntica cápsula do tempo digital. O conteúdo é exibido exatamente nos layouts originais da época, uma forma de preservar também a própria evolução da identidade visual da instituição e da tecnologia da internet ao longo das últimas décadas.

O jornalista Rafael Schoenherr, professor do Departamento de Jornalismo da UEPG, destaca a relevância de disponibilizar ao público o acervo recuperado pelo NTI: “Esse arquivo de notícias tem, sem dúvidas, uma contribuição para a memória institucional da Universidade, porque permite que a comunidade agora acesse uma parcela da história dos cursos, dos projetos de extensão, de pesquisa, dos eventos, porque esse retrato do cotidiano que compõe a UEPG felizmente ficou documentado pelo noticiário, por esse serviço de prestação de informação pública sobre a realidade da nossa universidade”. Ele também reforça o papel da comunicação institucional como registro permanente das atividades da Universidade, e que agora pode ser revisitado. “Imagino que atuais docentes que viveram esses períodos recentes, agentes universitários, assim como estudantes egressos, vão agora buscar se encontrar nessas informações disponíveis para relembrar episódios talvez marcantes de suas trajetórias ou momentos que já fazem parte da história da Universidade”, completa.

Ao navegar pelas versões antigas do site é possível observar as mudanças pelas quais passou a comunicação institucional da UEPG. O jornalista Neomil Macedo, que ingressou em 1986 na então Assessoria de Comunicação (Ascom), atual na Coordenadoria de Comunicação (CCom), acompanhou diferentes fases dessa transformação, incluindo o período de implantação do portal na década de 1990. Para Neomil, a recuperação das publicações é fundamental para preservar a memória da Universidade, especialmente porque o período registrado pelo acervo antecede a consolidação das redes sociais. “O portal de notícias on-line abriu fronteiras, constituindo-se no principal meio de registro e difusão das atividades institucionais. Era, literalmente, a porta de entrada para a Universidade”, destaca.

Antes, a produção de conteúdo ainda seguia processos analógicos, enquanto a divulgação das atividades dependia principalmente dos veículos tradicionais de imprensa e de publicações institucionais. O jornal Campos Gerais, criado pelo jornalista Acir Macedo e produzido pela Ascom, marcou época na comunicação da Universidade até seu encerramento, em 2010, em razão do avanço da internet e da digitalização dos veículos de comunicação. “Quando ingressei na Assessoria de Imprensa, as matérias eram datilografadas em estêncil, mimeografadas, primeiro à álcool, e depois a tinta. O material todo (matérias e fotos) tinha que estar pronto até as 16h ou 17h, para então ser distribuído aos órgãos de comunicação (jornais, rádios e TV), pelo motorista da UEPG nas antigas kombis. Este sistema perdurou até o advento do e-mail. Neste período, a mudança mais significativa foi a passagem do mimeógrafo para a fotocópia”, relembra Neomil. “Claro que a Internet alterou completamente o fluxo de produção da Assessoria. Tudo se tornou mais ágil”, afirma.

Notícias recuperadas 

Entre os conteúdos já disponíveis no acervo, a notícia mais antiga recuperada foi publicada em 1º de agosto de 2002 e divulgava a 17ª Semana de Educação, em comemoração aos 40 anos do curso de Pedagogia da UEPG. Desde então, já foram realizadas outras dez edições do evento, enquanto o curso completa este ano o seu 64º aniversário. Acessar essa notícia parece uma viagem de volta ao início dos anos 2000, com direito a ícones de “imprimir” e “envie esta notícia por e-mail”, além do antigo logo da UEPG com o globo terrestre em formato de GIF, sempre girando, algo revolucionário para a época.

Já a última publicação recuperada da versão antiga do portal, não por acaso, anunciava o lançamento do novo site institucional da Universidade. No mesmo dia, em 6 de setembro de 2019, o novo site foi ar. Entre as mudanças estava a adaptação para dispositivos móveis e uma nova experiência de navegação. “O ano de 2019 é um marco na comunicação da UEPG porque, com o lançamento do novo site, começamos a ter à disposição ferramentas multimídia para a produção de conteúdos. Fotos, vídeos, áudios e gráficos com alta qualidade técnica e estética passaram a constituir a identidade digital da UEPG, somando-se a outros ativos de comunicação da Universidade, como as redes sociais, avaliadas atualmente em R$ 1 milhão por mês”, conta a atual coordenadora da CCom, Luciane Navarro. Segundo ela, o novo site era parte de um conjunto de ações de modernização administrativa desencadeadas a partir do planejamento estratégico conduzido pela gestão do reitor Miguel Sanches Neto. Agora, com o trabalho desenvolvido pelo NTI, os conteúdos produzidos antes disso também podem ser consultados. “A recuperação e a disponibilização do que foi noticiado antes disso valoriza a Universidade como lugar de acontecimentos importantes para a história e a memória das comunidades interna e externa”, declara.

Na opinião da jornalista Irvana Chemim Branco, coordenadora da Ascom de 2006 a 2010 e atual chefe do Núcleo de Comunicação Setorial (NCS) da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti-Paraná), a Universidade realiza um trabalho exemplar de valorização e preservação da memória institucional, pela guarda cuidadosa de acervos documentais e pela disponibilização de acesso público a esse patrimônio histórico. “A iniciativa de recuperar e sistematizar as notícias publicadas no portal ao longo dos últimos 30 anos representa mais um passo significativo nesse compromisso com o passado”, declarou. Segundo ela, esse resgate permite revisitar os acontecimentos que marcaram as diferentes fases da Universidade, compreender conquistas, perceber transformações e reconhecer o valor da trajetória coletiva que trouxe a instituição até o momento atual. “Os arquivos jornalísticos vão além de meros registros e se consolidam como testemunhos vivos da história”.

Texto: João Pizani, com a colaboração de Helton Costa | Fotos: Aline Jasper, Fabio Ansolin, João Pizani e arquivo CCom


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