Vanusa Gonçalves, a caloura de Letras que disse sim à UEPG

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Vanusa Jaqueline Gonçalves dos Santos, um nome para se guardar. Ela está em pé, de cabeça erguida pro céu, com os olhos marejados de alegria. Aos 21 anos, ainda é a menina de treze que está ali realizando um sonho. Depois de vencer os “nãos” que a vida lhe deu, ela disse “sim” para um recomeço: a chance de estudar o ensino superior no lugar que sempre desejou: Letras na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Nesta quarta-feira (07), ela conheceu a nova casa, abriu as portas para o futuro e fechou todas as do passado.

Presente

“Eu passava em frente ao Campus de Uvaranas e falava pro meu pai: um dia eu vou estudar aqui. E ele falava amém, minha filha”. A imagem que esta lembrança forma na mente de Vanusa é o resumo de tudo, o que torna inevitáveis as lágrimas. O choro não é de tristeza, mas de etapa concluída, depois de muitos desafios. “Graças Deus eu estou conseguindo realizar esse sonho. Eu estudei bastante, desde o fundamental e o ensino médio, pra que eu entrasse numa faculdade e agora consegui, finalmente”, sorri.

É o sorriso que enche o rosto de Vanusa o tempo todo que fala das suas paixões. Foi por gostar de estudar e se relacionar bem com seus professores na época de escola que ela decidiu cursar uma licenciatura. “Me encanta muito saber que eu vou poder fazer parte da vida de muitas outras pessoas, que terão muitas outras profissões. Eu acredito que o professor é a profissão que gera todas as outras, é algo que sempre me encantou. Quero que meus alunos se inspirem em mim um dia”.

Passado

A vida deu a ela muitas negativas desde o nascimento. Quando bebê, recém-nascida de uma menina de 13 anos, ficou sob tutela dos avós até os onze, na cidade de Reserva, quando perdeu a mãe em um acidente de trânsito. Foi ali que a história de Vanusa com Ponta Grossa começou. Era tempo de uma nova vida, sem a mãe, para morar com o pai na Princesa dos Campos. No ano da sua maioridade, em 2021, mais um “não”: o pai falece de um câncer e a deixa sozinha. “Aí eu passei pela casa de algumas pessoas e fui pra rua pra tentar a minha independência”, relata.

Órfã de pai e mãe, Vanusa foi parar em Londrina até decidir retornar para a casa da Universidade. O motivo? Desde criança sonhou em estudar na UEPG. “Realmente foi por isso que voltei, porque eu queria estudar aqui”. Já na cidade, ela dormia em albergues e ficava sem abrigo durante o dia. Para passar o tempo e não deixar de estudar, Vanusa ia até a estação rodoviária. “Era o lugar mais tranquilo. Lá tinha internet, tinha tomada para carregar o celular, aí um pouco eu estudava e um pouco vendia minhas paçoquinhas para pra eu poder me manter, comprar alimento”.

Nada disso tirou o foco do objetivo: realizar o sonho da Vanusa de 13 anos de ser aluna da Universidade. “Eu sempre gostei muito de estudar, tanto que o castigo que meu pai me dava era você ‘não vai pra escola hoje, porque não se comportou bem'”, relembra. Quando viu a oportunidade de poder se inscrever para o Vestibular EaD, não hesitou. “Quando saiu a lista [dos aprovados], eu não vi meu nome e fiquei muito decepcionada, muito mesmo. Eu comecei a chorar”. Mas o nome estava lá, como primeira classificada no curso de Letras Espanhol. “Eu fiquei em choque, foi uma mistura de alívio com a emoção. Fiquei muito feliz, até agora estou sem acreditar”. Era o  começo de um sonho realizado.

Futuro

O primeiro passo para a nova vida já foi dado com a matrícula. O segundo, terceiro, quarto e assim por diante são dados de forma saltitante, com alegria no rosto. Nesta quarta-feira (07), a caloura conheceu as políticas de permanência coordenadas pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae), como a bolsa de assistência estudantil, isenções em eventos e Restaurante Universitário, direitos que serão garantidos a ela durante toda a trajetória acadêmica. A tarde ainda rendeu uma visita ao Gabinete da Reitoria, onde conheceu o reitor, Miguel Sanches Neto, e ganhou um celular, para auxiliar nos estudos.

Nas palavras do próprio reitor, “Vanusa é o perfil de estudante que esta Universidade precisa”. Com a garantia de direitos, ela não precisará trabalhar para concluir a graduação, com total apoio das políticas institucionais”. Nada valeria tanto a pena se caloura não gostasse tanto de estudar, paixão que será passada aos seus futuros alunos. “Vou ser uma professora que vai pegar no pé, viu? Talvez seja conhecida como uma professora até chata”. Depois de sorrir e dar uma breve pausa com um suspiro, ela continua: “Eu estou muito orgulhosa de poder estar aqui, realizando esse sonho que eu sempre falei pra o meu pai, desde criança, que eu conseguiria”.

Livre das experiências do passado, agora é hora de uma vida independente, de fato. “Eu creio muito que um dia eu vou ter uma casa. Eu acho que todo mundo sonha em ter o seu cantinho próprio, né?”. Além do local com privacidade, Vanusa ganhou de fato um lar: a UEPG, a casa dos sonhos que a menina adolescente observava com o pai. Agora tudo virou realidade: “Eu espero muito, muito, ser uma excelente professora para os meus alunos e passar pra eles não só o conhecimento de sala de aula, mas a experiência de vida, para que eles saibam que eles conseguem, sim, independente da circunstâncias”.

Texto e fotos: Jéssica Natal


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