UEPG busca soluções locais para crise nacional no financiamento de pesquisas

Cerca de 11,8 mil bolsas da Capes, 12% do Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG), foram recolhidas recentemente. Diante deste cenário, a Universidade Estadual de Ponta Grossa antecipa que organizará uma comissão para estudar como a UEPG pode atuar para minimizar o impacto dos cortes nos Programas de Pós-Graduação. Através da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, a UEPG também expressa sua preocupação com o futuro da pesquisa no Brasil e apoia a manifestação do Diretório Nacional do Fórum de Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-Graduação (DN-FOPROP), divulgada em 2 de setembro.
“Estamos focados e mobilizados para buscar soluções que viabilizem a continuidade e o avanço da pesquisa na nossa Universidade”, afirma o reitor.  “A comissão buscará caminhos para que não haja prejuízo para professores, alunos e para os grupos de pesquisa”,  complementa o pró-reitor Pesquisa e Pós-Graduação, Giovani Favero. Ele afirma que o financiamento público das pesquisas é indispensável para o funcionamento dos Programas de Pós-Graduação.  “Além dos bolsistas atuais, o corte compromete o ingresso de futuros alunos de mestrado, doutorado e pós-doutorado devido à incerteza do custeio”.  Favero enfatiza que o impacto é imediato com prejuízos a longo prazo. O pró-reitor ressalta que “o processo de pesquisa e inovação requer uma visão estratégica de investimento, que pense o Brasil do futuro. Muitas pesquisas que hoje estão em desenvolvimento podem não impactar a economia e a saúde da população imediatamente, por exemplo, mas afetarão com certeza nos próximos anos”, diz.

Em nota, o DN-FOPROP manifestou preocupação com os cortes no orçamento de 2019 da Capes e a Proposta de lei orçamentária anual 2020 (PLOA 2020).  Enviada ao Congresso Nacional, a PLOA “indica uma redução média de 48% no orçamento da CAPES, o que comprometerá fortemente o SNPG. A descontinuidade do financiamento da Pós-Graduação, especialmente neste momento de cortes de bolsas de estudo, representa uma perda significativa para o processo de ampliação e consolidação científica do Brasil. Esse quadro pode inviabilizar as metas do Plano Nacional de Educação (PNE) e do Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG) e, caso se concretize, comprometerá a formação das futuras gerações e o desenvolvimento econômico e social, que impactará a soberania do país”, reitera o Diretório.

A entidade destaca ainda que “a formação da nova geração de mestres e doutores é um pilar fundamental para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação do Brasil, que potencializa o crescimento econômico e social e diminui as assimetrias, levando a melhores condições de vida da população brasileira. Diante deste cenário, o DN-FOPROP reitera o seu compromisso em defesa da Capes e do SNPG”, conclui a nota.

Financiamento próprio

O reitor Miguel Sanches Neto lembra que em agosto a UEPG anunciou o custeio de oito bolsas internas de mestrado. “A situação é excepcional, válida por 24 meses. Esta solução não poderá ser adotada em outras situações, o que reconduz a questão do custeio majoritariamente para o âmbito federal”, diz.

A necessidade de custeio surgiu no início de agosto quando, apesar de aprovadas pela Fundação Araucária, as bolsas não foram implantadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). As bolsas internas foram criadas para estudantes dos programas Ensino de Ciências e Educação Matemática, Estudos da Linguagem, Computação Aplicada, Ciências da Saúde, Agronomia e Ciência e Tecnologia de Alimentos, estas duas com duas bolsas e as demais com uma cada.