Professoras CAIC falam sobre as emoções e as atividades na pandemia

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“É tudo diferente, mudou muito a vida de todos. Chegar na escola e ver todos os corredores vazios. Dá um aperto no peito”. O sentimento da professora Franciele Alves de Souza Borges é o mesmo de muitos outros professores de todo o Brasil. Franciele é professora do Pré I no Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (CAIC) da Universidade Estadual de Ponta Grossa.

O CAIC está fechado aos alunos desde 16 de março. As medidas de distanciamento social e biossegurança deram início a um ano atípico, de atividades remotas e muita saudade. “Inicialmente foi bem difícil, a nossa rotina mudou completamente e foi muito incerto pra todo mundo”, lembra Borges.

“Sinto falta de estar junto com os professores, poder conversar e abraçar meus amigos”, conta Nathaly Vitória Hrenechen, aluna do 5º ano. “É diferente assistir às aulas em vídeo, porém é uma experiência única que vivemos, mas estou mais perto da minha família”.

As primeiras atividades remotas do CAIC após a suspensão das aulas presenciais aconteceram através da programação da TV Educativa, especialmente preparada para os estudantes da rede municipal. Logo em seguida, os estudantes passaram também a receber suas atividades impressas. Mensalmente, os pais vão até a escola, com horário marcado, para retirar as atividades.

O CAIC também ofereceu apoio às famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica. “Desde o início da pandemia, uma das ações que o CAIC implementou foi a distribuição de merenda escolar. Essa medida é uma forma de ajudar algumas famílias que estão com diversas adversidades, muitas com a mãe ou o pai sem emprego”, destaca Audrey Pietrobelli, diretora geral do CAIC.

“Além disso, neste momento os filhos passam o tempo todo em casa e várias questões afetivas e psicológicas também precisam ser trabalhadas”, continua Audrey. “A distribuição da merenda escolar faz parte de uma ação conjunta que visa minimizar as dificuldades das famílias com vulnerabilidade social e fazer a diferença no cotidiano de aprendizado das crianças”.

Grupos no WhatsApp

A partir de agosto, a equipe do CAIC passou a organizar grupos no WhatsApp, reunindo os pais, alunos e as professoras. Nos grupos, as professoras enviam vídeos e fotos para os alunos, através dos celulares dos próprios estudantes ou de seus pais. “Os grupos no WhatsApp com o professor e os alunos melhoram a interação e nos deixam mais próximas dos alunos”, comenta a diretora-geral do CAIC Audrey Pietrobelli. 

“Nossos alunos são muito pequenos e nós precisamos estar mais presentes. Mal começou o ano e parou tudo”, adiciona a professora Franciele Borges. “Fizemos os grupos para se aproximar dos pais e dos alunos. Achamos importante começar a gravar os vídeos com músicas, histórias e brincadeiras para chamar a atenção deles. É um retorno bom: quando as crianças nos vêem, elas ficam muito felizes”.

A aluna Gabriela Lima da Silva, estudante do Pré I, gosta de ver sua professora através dos vídeos. “Sinto falta da minha professora, dos meus amiguinhos e do parquinho. Gostaria de estar fazendo atividade na escola com os meus coleguinhas, mas gosto de ver a professora no celular”, conta Gabriela.

“Para nós está sendo muito difícil porque eu e as crianças temos uma liberdade e aproximação muito grande no presencial”, conta a professora Valdirene Cristina Ferreira Carvalho, também do Pré I. “Neste modelo, estamos limitados e para os pais não é tranquilo mexer com as novas ferramentas”, conclui.

Rosiane Machado da Silva, pedagoga da UEPG e diretora da Escola reitor Álvaro Augusto Cunha Rocha, diz que na faixa etária atendida pela escola, a criança precisa da intervenção dos pais. “Ela precisa que o adulto leia para ela aqueles, que ainda não sabem ler, porque nós atendemos educação infantil.  Ela precisa que o adulto peça explicações para o professor daquela atividade que ela não conseguiu entender. Então, nós estamos neste momento não só atendendo as crianças, mas principalmente adulto responsável.

A mãe da aluna, Delfina da Silva, nota que sua filha ainda não se acostumou com as tecnologias. “Ela reclama da falta das professoras da escola, pois ela interage com as professoras e os colegas apenas pelo celular, e facilmente ela se dispersa. A nova dinâmica de ensino é um desafio e estamos tentando nos ajustar da melhor forma”, considera.

Entrevistas: Aline Jasper e Luciane Navarro   Texto: Julio César Prado e William Clarindo | Fotos: Luciane Navarro

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