PET-Saúde: Clima da UEPG desenvolve protocolos de vigilância sobre emergências climáticas

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As mudanças climáticas deixaram de ser apenas especulações teóricas de cientistas alarmistas. Pelo contrário, as evidências apontam para mudanças drásticas nos fenômenos climáticos do planeta que afetam as condições de vida, as relações sociais e têm efeitos na saúde das pessoas. Atenta a todos esses desafios, a professora Iaponira Oliveira, do Departamento de Saúde Pública da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), foi a docente contemplada pelo Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde: Clima) do Ministério da Saúde. O lançamento das atividades do PET, na UEPG, aconteceu nesta quarta-feira (16) no Centro Integrar do Campus Uvaranas.

Prova das consequências das mudanças climáticas no Paraná foi o tornado ocorrido no município de Rio Bonito do Iguaçu, em novembro de 2025. O tornado foi classificado inicialmente como F3 e posteriormente reavaliado pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) para a categoria F4, com ventos extremos que causaram rastros de destruição generalizada na região. Segundo a secretária de Saúde de Rio Bonito do Iguaçu, Elisabete de Oliveira, o impacto da passagem do tornado deixou marcas irreversíveis nas vidas das pessoas. “Para além da reconstrução de casas e da retomada das rotinas das famílias, tivemos que realizar um trabalho intenso de atenção à saúde mental. Muitas crianças ficaram abaladas com os estragos causados pelos fortes ventos”, disse.

Para o professor Erildo Muller, chefe do Departamento de Saúde Pública da UEPG, os cuidados em saúde pública não podem estar focados apenas nas técnicas do sistema biomédico. De acordo com ele, “as condições ambientais e os comportamentos de risco também são fatores importantes de atenção pelos profissionais de saúde”. Como exemplo do impacto das mudanças climáticas no meio ambiente e seus efeitos na saúde da popução, Muller citou que, com a intensificação das chuvas em Ponta Grossa, foi registrado um aumento nos casos de leptospirose, apontando para os desafios da contaminação de doenças em áreas de enchentes e alagamentos.

Segundo a professora Iaponira Oliveira, o PET-Saúde: Clima é um projeto composto por uma equipe multidisciplinar, focado na formação de profissionais que vão atuar no Sistema Único de Saúde, o SUS. Oliveira afirma que as mudanças climáticas atingem, sobretudo, grupos de pessoas vulneráveis, especialmente aqueles cujas condições de moradia são mais precarizadas. “As consequências das alterações no clima são evidentes. Estamos atentos aos processos de disseminação de doenças e adoecimento mental. Contudo, ainda não há protocolos definitivos para atendimento a pessoas em função das transformações no clima, pois ainda estamos estudando os efeitos dessa crise”, disse. Para ela, o principal objetivo do PET-Saúde: Clima será criar ou fortalecer protocolos de vigilâncias em saúde que estejam alinhados com as consequências das emergências climáticas. Ainda segundo Oliveira, “são as próprias comunidades que trarão os relatos dos efeitos das mudanças climáticas; o saber comunitário e tradicional é nossa fonte primária de investigação”.

Compuseram a mesa de abertura a professora Iaponira Oliveira, coordenadora do PET; a professora Barbara Fiorin, pró-Reitora de Pesquisa da UEPG; o professor Erildo Muller, chefe do Departamento de Saúde Pública da UEPG; a professora Milene Zanoni, coordenadora do Ambulatório de Saúde Integrativa da UEPG; a diretora Fernanda Vieira, da 3ª Regional de Saúde de Ponta Grossa; Renata Araújo, representante da 5ª Regional de Saúde de Guarapuava; Lilian Brandalise, secretária de Saúde de Ponta Grossa; e Elisabete de Oliveira, secretária de Saúde de Rio Bonito do Iguaçu.

Sobre o PET-Saúde: Clima

É uma iniciativa conjunta dos Ministérios da Saúde e da Educação voltada a preparar o Sistema Único de Saúde (SUS), estudantes e profissionais para enfrentar os impactos das mudanças climáticas na saúde pública. O Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde – PET-Saúde é uma das mais importantes estratégias nacionais de fortalecimento da integração entre ensino, serviço e comunidade no Sistema Único de Saúde (SUS).

Texto e Fotos: Flávio Crispim


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