Fazenda Escola da UEPG é certificada em sistema de créditos de carbono

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A Fazenda Escola Capão da Onça da Universidade Estadual de Ponta Grossa (Fescon-UEPG) foi certificada no ABR-CARBON v1.0 – Sistema de Certificação de Carbono, pela Associação Brasileira de Rastreabilidade de Alimentos (Abrarastro). O processo contempla o inventário de gases do efeito estufa (GEE) e avaliação de créditos de carbono. O sistema envolve mensuração, monitoramento, reporte e certificação de créditos de carbono voluntários em propriedades rurais brasileiras, com foco em sistemas agropecuários rastreáveis e sustentáveis.

O diferencial da certificação é integrar dois pilares: o inventário de gases de efeito estufa com o sistema de rastreabilidade agroalimentar da Abrarastro, que vincula cada crédito de carbono. “Sequestro de carbono”é o termo utilizado para explicar o processo de retirada de gás carbônico (CO2) da atmosfera e armazenamento em plantas, no solo e outros. Os fatores de sequestro destacados no relatório são a vegetação nativa, a plantação de eucaliptos, a pastagem manejada e a lavoura. Já os fatores de emissão de CO2 são os veículos, energia elétrica, gás de cozinha e os dejetos de animais.

“A gente busca tornar a Fazenda Escola um modelo de referência e estimular produtores a realizarem e contratarem esse tipo de serviço, justamente, porque lá na frente tem uma possibilidade. Hoje isso ainda está numa fase inicial no Brasil, mas quem sabe se essas boas práticas não vão se transformar em créditos, né?”, explica o diretor da Fescon, professor Orcial Bortolotto. “Transformar isso em monetização acaba sendo mais uma fonte de renda extra ao produtor. Além da demonstração de que o agro não é necessariamente agressivo ou nocivo ao meio ambiente. Pelo contrário, ele auxilia na redução de agentes poluentes”, completa.

O vice-reitor da UEPG, professor Ivo Mottin Demiate, explica que o foco na sustentabilidade é um desafio da Fescon desde o início das gestões do professor Miguel Sanches Neto, em 2018. “Dentro desses grandes projetos, a gente recuperou uma área que apresentava uma preocupação ambiental causada pelo uso do solo de uma maneira que não foi realizada da melhor forma”, conta. “Na época em que foi implantado novas áreas de cultivo fazia sentido, mas com a evolução dos cuidados, do manejo do solo e da água, nós conseguimos retomar algumas áreas com uma proteção maior de conservação ambiental”, complementa. 

Ele destaca também o projeto Rede Agropesquisa, que é desenvolvido na Fazenda e dedicado ao manejo e conservação do solo e da água. “Os conceitos mais atuais ligados à agricultura regenerativa, baixa geração de carbono, benefícios associados ao crédito de carbono, ou seja, que possamos adotar as melhores práticas agrícolas para que cada vez mais a nossa Fazenda seja sustentável”, explica o professor. “Para que as propriedades rurais possam cada vez mais serem parceiras da conservação ambiental”, defende.

Ao final, o resultado entre emissões e sequestro é positivo em 34,43 toneladas de CO2 emitidas por ano. “A Fazenda Escola da UEPG possui expressivo potencial de sequestro de carbono, distribuído entre seus remanescentes de Floresta Ombrófila Mista, reflorestamento de eucalipto, pastagens manejadas e sistema de plantio direto consolidado”, destaca o relatório emitido pela Abrarastro.

Ao considerar a área total de 303,37 hectares, o estudo aponta que o sequestro de carbono da Fazenda em 5 anos é equivalente para compensar a emissão de 87 veículos por ano ou restaurar 57 hectares de Mata Atlântica. “Como órgão público e como pesquisador, a gente tem que trazer estudos realmente práticos e aplicados para estimular que outros produtores possam adotar essa estratégia: de levantamento, de um inventário. E solidificar isso com a sociedade, né?”, conclui Orcial.

Texto: André Packer | Foto: Gabriel Spenassato e Jéssica Natal


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