A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) recebeu o 1º Simpósio de Farmácia Integrativa, o FarmaPICS no dia 9 de outubro. O evento inédito teve como objetivo ampliar as discussões e as produções técnicas sobre a relação entre o campo de atuação do farmacêutico e as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde, as PICS. O evento contou com palestras sobre a prática e a formação em Farmácia, considerando um cenário de mudanças nas técnicas de atenção e promoção da saúde. As PICS foram regulamentadas em 2006 pelo Sistema Único de Saúde (SUS) através da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares e são oferecidas, no Brasil, principalmente pelas unidades de atenção primária à saúde.
Durante a abertura do evento, estiveram presentes o pró-reitor de Graduação, professor Miguel Archanjo de Freitas Júnior, que representou a reitoria da UEPG, a chefe do Departamento de Farmácia, professora Vanessa Lima Gonçalves Torres, o chefe do Departamento de Saúde Pública, professor Erildo Vicente Muller, o diretor técnico do Hospital Universitário, professor Marcelo Rezende Young Blood, a diretora adjunta do Setor de Ciências Biológicas e da Saúde, professora Dionisia Xavier Scomparin, o conselheiro pelo Estado do Paraná no Conselho Federal de Farmácia, Gustavo Pires, além de Sandriane Aparecida Kalamar Martins, membro do Grupo Técnico de Trabalho de Práticas Integrativas e Complementares do Conselho Regional de Farmácia do Paraná, a assistente social Inês Chuy Lopes, e a presidente da Comissão de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde da ACIPG, professora Vanise Amancio. Após a cerimônia de abertura foram entregues homenagens às professoras aposentadas Rosi Zanoni, Dione Navarro, Ivone Popinigis (in memorian), e à farmacêutica Juliana Ribeiro.
Para a professora Milene Zanoni, coordenadora e idealizadora do evento, o FarmaPICS foi um momento histórico. “Este é o primeiro evento do Brasil sobre a relação entre a Farmácia e as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde. A partir do que for discutido neste dia, publicaremos um ebook para abrir espaço no campo acadêmico sobre o assunto”, comentou. Segundo Zanoni, o Conselho Federal de Farmácia é o único conselho profissional na área da saúde que regulamenta a prática de todas as PICS pelo profissional farmacêutico. “Nossa perspectiva é resgatar, a partir de um olhar contemporâneo, a antiga função do boticário, que atuava pensando na integralidade do sujeito e não apenas no processo de dispensação ou prescrição de medicamentos”, disse.
Já o conselheiro federal Gustavo Pires relatou que a atualização da profissão farmacêutica no Brasil passa pela adoção de novos procedimentos e técnicas, como os incluídos na área da Farmácia Integrativa. “Em nível nacional, a discussão sobre a adoção das práticas complementares em saúde abre novas possibilidades para a dimensão do cuidado; são novas oportunidades de atuação para os profissionais da área da Farmácia, especialmente nas clínicas multiprofissionais, que prevêem uma atuação integrada entre diversas áreas”, apontou.
Ele contou que, desde a década de 1990, antes da consolidação das PICS no Sistema Único de Saúde, o Conselho Federal de Farmácia regulamenta práticas terapêuticas específicas exercidas por farmacêuticos, especialmente as de caráter manipulativo e de farmácia magistral, como a homeopatia (1992), a Medicina Antroposófica (2007), a fitoterapia (2008), a acupuntura e a medicina tradicional chinesa (2009), a terapia floral (2015) e a ozonioterapia (2020). A Resolução CFF nº 732/2022 foi o marco regulatório que estabeleceu as diretrizes gerais para a atuação do farmacêutico em todas as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde reconhecidas no SUS. Para tanto, a resolução prevê a exigência de comprovação de conhecimento técnico através de cursos de pós-graduação, de extensão ou de especialização profissional.
Para a conselheira federal pelo Estado do Maranhão Gizelli Santos Lourenço, o Sistema Único de Saúde não é apenas um sistema de atenção à saúde. Ele também é um modelo de gestão que compreende medidas de educação em saúde, controle epidemiológico, aquisição de medicamentos, pesquisa e desenvolvimento de tecnologias, entre outras atribuições. “Somos um sistema robusto e complexo, e a atuação do profissional farmacêutico pode integrar todos os processos da gestão e atenção à saúde. Nosso trabalho não se restringe apenas à dispensação de medicamentos e controle de medicamentos farmacêuticos”, afirmou.
Segundo ela, a gestão da assistência farmacêutica transversaliza todos os níveis de governo (Municipal, Estadual e Federal) para garantir o acesso equitativo a medicamentos. O farmacêutico é o responsável pelo Ciclo da Assistência Farmacêutica, e, a partir dela, pela elaboração da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename), que é a lista oficial do Ministério da Saúde que orienta o uso e a distribuição de medicamentos e insumos em todo o Brasil. Em nível municipal, é o profissional farmacêutico que realiza o monitoramento do consumo de medicamentos, dos custos operacionais e da taxa de desabastecimento da rede pública de saúde.
A professora Vanessa Barbosa, farmacêutica e residente em Saúde Coletiva na Escola de Saúde Pública de Ponta Grossa, comentou que o yôga, por exemplo, é uma prática milenar existente há pelo menos sete mil anos. “Ela é uma técnica corporal reconhecida pela Organização Mundial de Saúde por trazer inúmeros benefícios à saúde. A integração desta prática ao SUS enriquece as estratégias de atenção à saúde”, aponta. Para ela, a perspectiva mais contemporânea na área da saúde coletiva prevê uma abordagem multidimensional, integrada e territorializada. “Para avaliar a saúde e o bem-estar de uma pessoa, precisamos relacionar um conjunto complexo de variáveis que envolve a dimensão biológica e funcional do corpo; questões de saúde mental e emocional; a existência de laços familiares, comunitários e de amizade; as condições de vida, estudo e trabalho; o acesso à água potável, ao esgotamento sanitário, à coleta de lixo e a uma moradia digna; entre outros fatores”, completou.
Texto e fotos: Flávio Crispim






























