Proex-UEPG abre exposição com obras de João Pilarski

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Considerado um dos maiores pintores primitivistas do Paraná por sites especializados, e dono de estilo peculiar e único, João Pilarski recebeu homenagem da Pró-reitoria de Extensão e Assuntos Culturais da Universidade Estadual de Ponta Grossa (Proex-UEPG). A abertura da exposição aconteceu na última terça-feira (30), na galeria de artes da Proex, e fica aberta ao público até o dia 10 de setembro. Falecido em 2004, sua obra e sua história de vida permanecem através dos seus quadros e nem mesmo a poliomielite o impediu de assinar diversas obras que ficarão para sempre na memória de quem puder apreciá-las.

“Esta exposição é um resgate do principal nome da cultura da cidade, um pintor que deu status de arte para a paisagem local, em uma estética primitivista, e que teve sua obra dispersa pelo mundo todo. A UEPG recupera a trajetória do pintor e, em breve, publicará um livro sobre ele. Cumprimos assim o nosso papel de fortalecimento da identidade local”, afirma o reitor da UEPG, professor Miguel Sanches Neto, que participou da abertura da exposição.

O diretor de Assuntos Culturais da Proex, professor Nelson Silva Júnior, foi um dos curadores da exposição em conjunto com a chefe da divisão de Cultura e Arte, professora Patrícia Camera Varella. Ele disse que o processo de organização foi um mergulho em busca das obras que estavam em Ponta Grossa e foi possível reunir 17 trabalhos com colecionadores, amigos e parentes do João Pilarski. “A primeira grande exposição do Pilarski em vida foi em 1979 pela UEPG, ainda quando era o Centro de Criatividade”, comenta.

Durante a pesquisa, o professor Silva Júnior disse que ficou bem clara as fases da obra de João Pilarski. “Desde o início de 77, quando ele começa a pintar profissionalmente, até o final dos anos 90, fica evidente a transição do acadêmico para o naïf (estilo artístico de autores autodidatas que criam sem um rigor técnico – expressão livre, perspectiva plana, cores vibrantes e temática cotidiana são suas principais características) e para o primitivista”, destaca.

“A exposição evidencia os elementos que caracterizam sua produção: as paisagens dos Campos Gerais, as estradas, rios, plantações, capelas, animais, festas, cenas de pesca e do cotidiano rural, além do uso de cores intensas e de uma pincelada minuciosa. Ao mesmo tempo, procura mostrar como sua pintura ultrapassa a simples representação da paisagem para construir uma memória afetiva da cultura regional”, afirma a professora Patrícia.  Segundo ela, a exposição pretende recolocar João Pilarski no debate sobre a arte brasileira. “Ao reunir as pinturas dispersas em diferentes acervos, a exposição mostra a relevância de sua trajetória para a consolidação da Arte Naïf paranaense, ampliando o seu reconhecimento que ainda permanece pouco conhecida pela historiografia das artes visuais”, finaliza.

Parentes e amigos contribuíram significativamente para a exposição

Pela primeira vez uma exposição conseguiu reunir essas diversas obras de João Pilarski que estavam preservadas em coleções particulares e institucionais, fora do circuito expositivo há décadas. Umas das pessoas que pôde contribuir foi a professora da UEPG, Rosângela Wosiack Zulian. “Não lembro quando conheci João Pilarski. Mas lembro de quando ganhei esse quadro e do encantamento que produziu em mim. Comecei a perceber que dentre as diferentes linguagens da arte a pintura naïf carrega uma carga emocional que vai além do estético”, afirma.

Para ela, nesse vasto universo da criação artística, a memória afetiva ocupa um papel central, pois carrega histórias individuais e coletivas que delineiam nossa percepção do mundo. “Pinceladas são notas silenciosas como cantigas dos afetos, ou uma narrativa pincelada com paciência e paixão.  Esse quadro me fala de singeleza, doçura, afeto. Como a memória de João Pilarski”, enfatiza.

Josélia Camargo da Cunha, sobrinha de segundo grau de João Pilarski, também prestigiou a abertura da exposição. Segundo ela, esse reconhecimento da obra do artista após mais de 20 anos é uma surpresa e uma alegria muito grande.

Já Sebastião Natalio, jornalista e artista plástico, conta que tinha uma ligação com João Pilarski desde a infância, pois eram vizinhos e moravam na mesma rua. “Sempre que passava em frente a casa dele via aquele senhor na maca, observando os passarinhos, jogando baralho com os amigos. Depois que fui saber que ele era artista também e isso me fascinou muito”. Após um período longe de Ponta Grossa, Natálio disse que retornou para cursar Jornalismo na UEPG no início da década de 90 e ai que se debruçou sobre a obra do artista e virou um amigo pessoal. “Para mim, João Pilarski está ali com Poti Lazarotto, Robona, Calderari, no mesmo patamar. Ele produziu obras belíssimas e acho o trabalho dele sensacional”, finaliza.

Serviço

Exposição João Pilarski: a Arte Naïf no Paraná

Data: de 30/06 a 10/09

Local: Galeria da Proex, Praça Mal. Floriano Peixoto, 129;

Texto: Tierri Angeluci / Fotos: Larissa Godoy


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