Governador destina R$ 13,7 mi à UEPG para o primeiro IML Universitário do Brasil

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A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) recebeu R$ 13.792.084,58 milhões do Governo do Paraná para construção do novo Instituto Médico Legal (IML) e Centro de Anatomia, no Campus Uvaranas. A verba veio nesta segunda-feira (30), após assinatura do convênio e ato oficial realizado na Escola Guaracy Paraná Vieira, com a presença de autoridades, municipais e estaduais, das áreas da educação, saúde e segurança

A nova estrutura, projetada para ser sede da Polícia Científica (PC), permitirá que o atendimento à população seja feito de forma completa e adequada, além de contar com um Centro de Anatomia, que terá área total de 2.818,49 m². O novo imóvel, pertencente à UEPG, se dividirá entre as instalações da Polícia Científica, disposta em uma área de 1.673,26 m², e o Centro de Anatomia, que somará uma área de 985,34 m². A sede da PC será composta por salas administrativas, consultórios e área de atendimento ao público, sala de necropsia, salas de exames, sala de câmara fria, salas de apoio técnico, alojamentos e salas de convivência. Já o Centro de Anatomia será composto por salas de aula, auditório, refeitório, salas administrativas e salas de apoio técnico.

O Governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, avalia que o projeto é uma vanguarda e que beneficiará tanto a população com os serviços da Polícia Científica, IML e do Serviço de Verificação de Óbitos, quanto aos cursos da UEPG. “É a primeira vez que um IML vai ser colocado dentro do Campus de uma Universidade, em trabalho junto com a nossa Polícia Científica. Quero agradecer ao professor Miguel Sanches Neto pela sensibilidade, que vai dar a oportunidade de treinar, de especializar cada vez mais os nossos estudantes de medicina e colaborar com a Secretaria de Segurança Pública, que é tão importante essa prestação de serviço para o cidadão”.

O reitor da UEPG, professor Miguel Sanches Neto, ressalta que a parceria com o Governo do Estado é de ‘ganha-ganha’. “Ganha o IML, porque vai ter uma estrutura nova, vai ter um terreno amplo para poder funcionar, ganha a UEPG, que vai ter um novo Centro de Anatomia e um novo espaço de ensino-aprendizagem. E ganha, principalmente, a população, que vai ter no mesmo espaço um conjunto de serviços relacionados ao IML, com a presença dos profissionais e acadêmicos da UEPG”, esclarece. Sanches Neto ainda explica que a construção do prédio anexo ao campus de Uvaranas amplia o atendimento e especialidade de saúde na UEPG. “Nós estamos criando um corredor de saúde dentro do nosso Campus: HU, Ambulatório Médico de Especialidades, IML e um pouco mais adentro, os cursos do bloco M da área de Saúde”.

“A nossa alegria é poder resolver duas demandas: uma histórica e enorme do IML, da sede da Polícia Científica aqui de Ponta Grossa, e outra, de conciliar isso com a nossa Universidade Estadual de Ponta Grossa, com o Centro de Anatomia, fazendo com que, tanto a Universidade quanto a população como um todo se beneficiam”, afirma Aldo Nelson Bona, Superintendente de Ciência Tecnologia e Ensino Superior.

Histórico

Atualmente, a Polícia Científica de Ponta Grossa é responsável por atender demandas relacionadas ao IML e Instituto de Criminalística (IC) de 28 municípios da região dos Campos Gerais. O prédio que abriga a atual sede da regional da PC em Ponta Grossa esteve interditado por dois anos, devido ao comprometimento da estrutura. Durante esse período, o IML desenvolveu suas atividades em contêineres instalados na área externa do Hospital Universitário da UEPG. Após reforma, as equipes voltaram ao prédio original, no Bairro Nova Rússia. “Logo depois que assumimos, o IML veio transferido para o Hospital Universitário (HU) e ali, nós entendemos que, mais do que fazer uma reforma do atual prédio do IML, seria necessário fazer um prédio novo, então surgiu a ideia de fazer uma sede do IML em Ponta Grossa, de dimensão mais robusta, prevendo o futuro e integrando o IML às atividades acadêmicas dos profissionais de saúde da UEPG”, relata o reitor da UEPG, professor Miguel Sanches Neto. 

Proposta

A UEPG, em conjunto com a equipe técnica da Polícia Científica do Paraná, propôs um projeto arquitetônico para a nova sede da PC em Ponta Grossa, com entrada independente, pela mesma rua de acesso ao HU. Por meio de processo licitatório, a UEPG contratou a elaboração do projeto arquitetônico executivo e projetos complementares de engenharia, bem como a aprovação em todos os órgãos competentes. A contratação dos projetos foi realizada por meio de indicação parlamentar do Deputado Estadual Rodrigo Estacho, no valor de R$280 mil. “Então, a partir dessa ideia, nós fomos até o secretário de Segurança Pública junto com o deputado Rodrigo Estacho e fizemos a proposta de construir um projeto do primeiro IML Universitário do Brasil: tem todas as funções do IML, do Serviço de Verificação de Óbitos, mas que está integrado ao processo de ensino dos cursos de saúde. E as equipes que trabalharam foram as equipes da UEPG junto das equipes de Segurança Pública, da Polícia Científica, construindo esse modelo”, relembra Miguel.

Segundo o pró-reitor de Assuntos Administrativos, Ivo Mottin Demiate, a proposta da construção da nova sede do IML em parceria com a UEPG atende a demandas tanto da PC quanto da Universidade. “Essa parceria se deu por conta de que aqui na nossa cidade a gente sabe que esse órgão do Estado está precário há muito tempo, ele também está construído num terreno inadequado, tem um problema estrutural no terreno, é pequeno e tudo mais. Como a Universidade tem uma área grande e tem essa demanda do Centro de Anatomia, fez-se a proposta que acabou sendo amadurecida e resultando nesse grande projeto”, explica o professor Ivo. A pró-reitora de planejamento, Andrea Tedesco, complementa que “por se tratar de uma obra bastante específica, a parceria com a equipe técnica da Polícia Científica foi fundamental, pois o projeto foi concebido para atender às necessidades dos futuros usuários do local, respeitando todas as normas técnicas vigentes”.

Além de suprir a necessidade já existente, o projeto almeja grandes benefícios à sociedade, tanto do ponto de vista do atendimento a um serviço público básico, da Polícia Científica, quanto à melhoria das condições de infraestrutura da Universidade. “A expectativa é de que a obra traga para a cidade esse equipamento público fundamental e pra Universidade uma estrutura de anatomia que realmente não conhecemos outra no estado do Paraná. No Brasil, esse IML pode se uma vitrine, uma referência que possa suscitar outros projetos em outras cidades com grande benefício à sociedade, tanto do ponto de vista da Segurança Pública quanto do Ensino Superior, que é o nosso caso”, salienta Ivo.

O Centro de Anatomia

O projeto de parceria partiu da UEPG, inspirado em experiências similares de outros países, conforme explica o pró-reitor, Ivo Mottin Demiate. “Isso foi uma ideia que foi sendo amadurecida por iniciativa aqui da UEPG de se construir um Centro de Anatomia acoplado ao IML. Um Centro de Anatomia que poderia aproveitar a estrutura do IML como se tem em outros países em algumas situações bem interessantes”. Além disso, o reitor, professor Miguel, explica que o novo Centro de Anatomia atenderá a uma demanda estrutural dos cursos de biológicas e da saúde. “Hoje, o Centro de Anatomia está apertado no Bloco M, e como ele usa produtos químicos e tem uma natureza, de certa forma, insalubre, ele não está bem acomodado no espaço que existe. Então, ele passará a ter um espaço próprio, com muito mais estrutura, muito mais condições de ensino para os professores e, ao mesmo tempo, vai liberar espaço no Bloco M, para que outros laboratórios e outros projetos funcionem onde está hoje o Centro de Anatomia. Então, por extensão, é uma ampliação do Bloco M através desses recursos da Secretaria de Segurança”, destaca. 

A professora do Departamento de Medicina e diretora do Setor de Ciências Biológicas e da Saúde (Sebisa), Fabiana Postiglione Mansani avalia que, o novo Centro de Anatomia trará grandes vantagens e benefícios aos docentes e discentes da UEPG. “A nova estrutura que vai ser construída, trazendo junto o Centro de Anatomia, vai engrandecer nossas atividades, uma vez que vai, com espaço adequado e melhorias nas instalações, oferecer um cenário de prática cada vez mais especializado para a formação de todos os nossos cursos do Sebisa”.

Para o diretor de planejamento físico da Pró-reitoria de Planejamento (Proplan), Matheus Carrer, a obra promoverá uma importante evolução para os cursos da área da saúde, com estrutura adequada e inovadora. “O novo Centro de Anatomia contará com 5 salas de aulas práticas, 5 salas de aula teórica, cantina e auditório, dentre outras salas de apoio. Também haverá a possibilidade de acompanhamento de procedimentos de autópsia por meio do Observatório Tanatológico”, explica.

A pró-reitora de Planejamento, Andrea Tedesco, afirma que o projeto ampliará o aprendizado e também o contato com áreas de atuação profissional, permitindo aos alunos maior proximidade com o trabalho do IML e da Polícia Científica. “O projeto dos dois prédios conjugados, com um mezanino com fechamento lateral em vidro, permite a integração dos ambientes sem que haja contato entre as equipes do IML e da UEPG. Isso permitirá a observação pelos discentes dos procedimentos sendo executados pelos profissionais do IML”, relata Andrea.

O professor Ivo destaca que o projeto atenderá demandas de diversos cursos. “Certamente, a UEPG vai se tornar uma referência no que diz respeito à anatomia, com benefício direto para os cursos da área da saúde, além de outros cursos das ciências biológicas e até mesmo de outras áreas. Então, essa vai ser uma estrutura de grande utilidade para a Universidade”, afirma. A professora Fabiana também contabiliza que muitos cursos serão beneficiados com a implantação do IML e do Centro de Anatomia. “Atualmente, temos oito cursos de graduação que utilizam nossos laboratórios de anatomia e esses cursos vão poder ter as suas atividades ampliadas e fortalecidas por essa nova estrutura, trazendo como benefício não só para a formação dos futuros profissionais, mas também para o desenvolvimento de pesquisa voltada ao uso de cadáveres”, finaliza

A parceria

A parceria se deu inicialmente em meados de 2019 pela direta colaboração entre o corpo técnico de engenharia da UEPG e o corpo técnico da Polícia Científica, a fim de elaborar projeto arquitetônico básico do edifício. “Tal parceria possibilitou a definição de um layout que atendesse tanto às necessidades da Universidade, como às necessidades da Polícia Científica”, explica o diretor de planejamento físico da Proplan, Mateus Carrer.

A pró-reitora de planejamento, Andrea Tedesco, destaca que a verba para a execução da obra não compromete de nenhuma forma os orçamentos da UEPG. “Todos os recursos para a obra são provenientes da Secretaria de Estado da Segurança Pública. A UEPG terá ampliação da sua estrutura física sem ter que lançar mão de recursos próprios”, ressalta. 

Além disso, Andrea destaca que a parceria permite o uso racional dos recursos públicos, tanto financeiros quanto em relação ao terreno em que será construído. “Outro ponto positivo é a proximidade com o HU. Em termos acadêmicos, abrirá mais campo de estágio, possibilidade de novos projetos de pesquisa e extensão, e mesmo a melhoria do aprendizado nas novas instalações”, afirma. O diretor de planejamento físico da Proplan, Mateus Carrer, salienta que a parceria será um importante instrumento para capacitação dos alunos, assim como uma importante conquista para a comunidade. “Além de que os alunos passarão a dispor de um ambiente amplo e moderno para aprendizado, a nova sede da Polícia Científica possibilitará um ambiente humanizado para atendimento da população”, enfatiza.

O reitor da UEPG destaca que a parceria envolve diversos órgãos e setores. “Primeiro, nós vamos ter um espaço mais adequado para a aprendizagem. Segundo que vamos ter condições de ter uma experiência muito mais próxima da realidade do IML fazendo com que o IML seja um espaço quase como de sala de aula, um espaço de ensino. O IML vai ter um auditório em que os alunos e alunas vão poder acompanhar de forma presencial os procedimentos feitos. Então, eu acho que é um projeto dentro da filosofia de que os recursos públicos têm que ser usados de forma a atender o maior número de pessoas e compartilhado. Não dá pra ter um espaço apenas da UEPG, um espaço apenas do IML, esses espaços são de todos, e também, agora, do serviço de verificação de óbitos, que é uma obrigação da Prefeitura e que vai funcionar em conjunto. Então, é Polícia Científica, Secretaria de Segurança, Prefeitura Municipal e UEPG”. Outra vantagem do projeto, segundo o reitor, é conferir mais um fator de segurança para o Campus. “É um espaço que hoje é vazio e tendo a Polícia Científica ali nós teremos mais segurança naquela região do Campus”, analisa.

Texto: Cristina Gresele | Fotos: Luciane Navarro


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