Hospital Universitário da UEPG completa onze anos de história e 1 ano no combate à pandemia

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Mais de uma década de trabalho. De Regional a Universitário, no ensino, pesquisa e atendimento integralmente SUS, o Hospital da Universidade Estadual de Ponta Grossa (HU-UEPG) completa nesta quarta-feira (31) onze anos de existência. A instituição atua no atendimento de média e alta complexidade e recebe, além de Ponta Grossa, pacientes de mais 11 municípios da região.

Mês de março marca vários acontecimentos para o Hospital. Em meio ao trabalho firmado no compromisso com a saúde pública, o HU completa 1 ano do desafio de ser referência no combate à pandemia na região. Além disso, a UTI Covid já soma mais de mil pacientes atendidos. “Reestruturamos corajosamente todos os serviços do Hospital Universitário para salvar mais vidas”, destaca o reitor da UEPG, Miguel Sanches Neto. O trabalho da atual diretoria foi incansável e inventivo, o que colocou o HU entre os mais destacados centros de referência de Covid do Brasil, de acordo com Miguel. “Parabenizo a todas as equipes, pois um hospital é antes de tudo as pessoas que se dedicam a outras pessoas.  Sem dúvida, vivemos hoje o maior protagonismo de toda a história de 11 anos do nosso HU”.

O diretor do HU-UEPG, Sinvaldo Baglie, evidencia as frentes de trabalho desenvolvidas no Hospital, como referência no atendimento de qualidade, no ensino e, agora de maneira ainda mais acentuada, no combate à pandemia da Covid-19. “Com a integração de todas as equipes, e a união de esforços, o HU tem conseguido prestar o melhor atendimento possível, tendo sempre em vista o objetivo de salvar vidas”. O diretor também enfatiza que a instituição se orgulha de garantir uma formação consistente para profissionais de saúde. “Em todos os setores, o atendimento de qualidade se alia ao ensino, em especial nas residências uni e multiprofissionais”.

Sinvaldo informa que, neste ultimo ano, os 10 leitos inicialmente destinados à Covid no HU foram ampliados conforme a demanda. Atualmente, são 128 leitos exclusivos para a doença, sendo grande parte leitos de UTI. “Esse é um momento histórico, em que as equipes mostram todos os dias sua força e dedicação. Por este esforço cotidiano, agradecemos a cada um dos profissionais que atuam no Hospital e garantem o melhor atendimento aos pacientes, independentemente do setor”.

O desafio de atender à pandemia se somou a outro: contemplar também uma nova unidade hospitalar, o Hospital Universitário Materno Infantil (Humai). “A mudança para o antigo Hospital da Criança deu segurança para as gestantes, bebês e crianças, além de abrir espaço para ampliar o atendimento à Covid-19 no HU”, finaliza Sinvaldo. 

Em 2010, quando ainda era Hospital Regional de Ponta Grossa, a instituição tinha capacidade de 193 leitos. Quando a UEPG assumiu a administração da unidade hospitalar, em 2013, o HU atendia 430 pacientes por mês, com 40 leitos ativos, dos quais 12 eram reservados para atender adultos na UTI, além de 18 leitos cirúrgicos e 10 leitos clínicos. A partir deste momento, passou a se chamar Hospital Universitário.

De lá para cá, o HU-UEPG expandiu sua capacidade de serviços no atendimento ambulatorial, de urgência e emergência, unidades de terapia intensiva, exames e análises clínicas. O crescimento também se destaca na área do ensino, no atendimento materno-infantil, além do atendimento em unidades de terapia intensiva para tratamento da Covid-19.

1 ano de UTI Covid

Mês de março também marca o trabalho de enfrentamento à pandemia. Há 1 ano, profissionais da Unidade de Terapia Intensiva se dedicam ao combate da Covid-19. O agravamento da pandemia exigiu mais esforços, leitos e insumos. No mesmo período do ano passado, o Hospital tinha 10 leitos de UTI para os casos graves, e 05 leitos clínicos para casos moderados. Atualmente, o HU trabalha exclusivamente para atender pacientes com Covid-19 e casos de hemorragia digestiva, com 46 leitos de UTI Covid, 64 de Clínica Covid e 14 de UTI do Pronto Atendimento. Além disso, os 19 leitos de Clínica Geral e 10 da UTI também recebem pacientes Covid de longa permanência.

Os profissionais que estão na ala Covid rememoram o trabalho ao longo de um ano. Somente neste mês foram 213 pacientes internados, com 53 altas. Se contarmos desde o início da pandemia, o total de pacientes internados na ala Covid chega a 1547, com 1158 altas na Clínica Covid e 55 na UTI Covid. A média atual de permanência dos pacientes nos leitos para Covid-19, neste mês, é de cerca de 9 dias nos leitos clínicos e 15 dias nos leitos de UTI. Os números demonstram uma mudança no comportamento da pandemia, visto que, em 2020, a média era de 12 dias em leito clínico e 10 dias em UTI.

Segundo os profissionais que atuam na ala, a rotina está intensa. O enfermeiro intensivista Eduardo Blan de Oliveira lembra que, no início da pandemia, os profissionais ficavam à espera do pico da doença “com medo, insegurança por não saber como cuidar e prestar uma assistência de qualidade aos pacientes”. Aos poucos foram aparecendo os primeiros casos, até a lotação máxima neste ano. “Os casos diários só aumentam em algo nunca visto antes e, junto com a gravidade desses casos, o perfil de pacientes mudou. Até pacientes muitos jovens estão sendo acometidos e muitos com desfechos não favoráveis”, lamenta.

Mesmo em tempos difíceis, a alegria de ver pacientes se recuperando é o que motiva a técnica de enfermagem Karen Santos.  “Sofríamos por ver um paciente jovem não apresentar melhora, e quando ele se recuperou alguns dias depois foi um alivio muito grande. Ele ter alta da UTI deixou a equipe muito feliz”. A técnica em enfermagem, Ana Karoline Gomes,  também frisa os momentos que ficarão na memória da equipe. “O que mais nos marca e nos emociona é o momento em que vemos o paciente ganhar alta, é uma sensação incrível, inexplicável”.

Profissionais que trabalham na UTI Geral também sentem o impacto do que as alas Covid enfrentam. A equipe recebe pacientes de longa permanência, que não transmitem mais o vírus – acima de 21 dias da contaminação. “Alguns pacientes estão em estado extremamente grave, o que demanda muito mais atenção de toda a equipe. Esse momento exige muito do nosso físico e psicológico, porque a todo momento surge uma intercorrência. Nós nos ajudamos muito entre a equipe para conseguir aguentar”, explica a técnica em enfermagem Jaqueline Slotuk. Além da superlotação, o que  marca a profissional é a pressa de arrumar o leito, para que outro paciente o ocupe. “Poder cuidar de uma pessoa que está precisando é muito gratificante. Eu sei que posso ser a última pessoa que eles verão na vida ou a primeira, quando acordarem da sedação”, completa.

Atendimento Materno Infantil

O último ano foi de expansão. Em agosto, os serviços obstétricos da maternidade passaram a operar onde funcionava o Hospital da Criança e, a partir de então, se transformou no Hospital Universitário Materno Infantil (Humai). A nova estrutura tem 30 leitos de maternidade, 12 de Clínica Médica Pediátrica e 15 leitos de Clínica Cirúrgica Pediátrica; além de 04 leitos de berçário, 06 leitos de UTI Neonatal, 03 leitos de UTI Pediátrica e 02 leitos de UCI, totalizando 72 leitos em atendimento integralmente gratuito.

O novo espaço de atendimento oferece um serviço completo: todas as enfermeiras da maternidade são especializadas em obstetrícia, com pediatra à disposição 24h na sala de parto, plantonistas obstetras, fonoaudiólogos, psicólogos, dentistas, fisioterapeutas e assistentes sociais exclusivos para maternidade. O Humai faz testes específicos nos bebês, nos olhos, orelha, pé, e é o único da cidade que faz testes da língua. Além disso, o Hospital também oferece residência em enfermagem obstétrica.

Somente em fevereiro deste ano, o Humai realizou 296 internações, fez 251 partos, sendo 160 normais e 91 cesáreas. A ala do Pronto Atendimento recebeu 1225 pacientes, número maior em comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram realizados 1031 atendimentos. “Por termos excelentes profissionais e estarmos em uma região central, nosso fluxo de atendimento no PA aumentou”, explica Thalita Fonseca. A enfermeira obstétrica aponta a pandemia como uma das causadoras do maior número de pacientes. “Muitas unidades de saúde estão atendendo exclusivamente Covid e médicos desses locais, que realizavam o pré-natal, estão afastados por serem grupo de risco. Isso aumentou a nossa demanda, já que somos um hospital público e atendemos todas as pacientes que chegam”.

A diretora hospitalar do Humai, Maria Cristina Ferreira, conta que a transferência deu condições físicas ao HU de ampliar o atendimento à pacientes com Covid-19. “Também proporcionou a mães e crianças da região uma nova oportunidade de atendimento e assistência, com segurança e qualidade, mesmo durante o cenário pandêmico”. Maria também comemora o aniversário do HU. “Mesmo estando aqui há apenas um ano, tive um grande aprendizado, com histórias que comovem todos os dias. Uma vivência emocionante. Aqui o empenho e a dedicação são constantes, e todo momento é de agradecer, por tudo o que nos torna melhores pessoas e melhores profissionais”.

Ensino em meio à pandemia

Quando o HU se tornou Hospital Universitário, em 2013, passou a dispor de Programas de Residência, com o compromisso de ser extensão de aprendizado junto do serviço integrado ao SUS. À época, eram oferecidas as especialidades de Clínica Médica, Cirurgia Geral e Medicina da Família e Comunidades. Atualmente, o Hospital dispõe de onze especialidades de residência médica, três residências uniprofissionais e seis multiprofissionais. Os alunos formados recebem o título de Especialistas na área que cursaram.  A instituição possibilita a acadêmicos, residentes e docentes a oportunidade da prática e pesquisa em saúde, em diversas especialidades.

Fabiana Bucholdz Teixeira atua no HU-UEPG desde 2016, e deu início ao planejamento e execução do Programa de Residência Multiprofissional em Neonatologia, que iniciou no ano seguinte. Atualmente, Fabiana é diretora acadêmica dos programas de residência do HU e Humai, além de ser cirurgiã dentista na odontologia materno-infantil e integrante da comissão de pesquisa científica do HU-UEPG. “Trabalhamos com o dever de tornar nosso Hospital uma referência nas atividades de ensino, pesquisa e extensão”.

Os compromissos firmados pelo HU, no processo de ensino e aprendizado, garantem os princípios na formação dos residentes e estagiários supervisionados. Atuar em um Hospital que se estabeleceu referência no combate à pandemia impacta diretamente na formação os profissionais, segundo Fabiana. “Com certeza, estamos em um momento histórico na formação dos nossos residentes, que têm novas possibilidades de atuação, de serem criativos e se requalificarem para atender dentro de novos fluxos”.

Texto: Jéssica Natal  Foto: Aline Jasper

*Todas as fotografias em que aparecem pacientes foram autorizadas por eles mesmos, pelos pais ou responsáveis.


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