UEPG realiza 1ª Feira da Música em parceria com o Conservatório Maestro Paulino e a UTFPR

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A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), o Conservatório Maestro Paulino e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) realizaram, entre os dias 19 e 21 de outubro, a 1ª Feira da Música. Iniciativa do Departamento de Teoria do Conservatório, a programação incluiu apresentações musicais de estudantes do curso de Licenciatura em Música; estandes temáticos desenvolvidos por acadêmicos e abertos à visitação; além de apresentações da Banda Lyra, do professor João Gomes e dos Grupos de Metais e Flauta. O encerramento do evento, na quarta-feira, contou com palestra de Fábio Holzmann e show de Bruna Bruschle e banda.

A aproximação entre a UEPG e o Conservatório Maestro Paulino foi o ponto de partida para a Feira, segundo o professor Jessé Méier de Andrade, que atua nas duas instituições. “A gente aproveitou também a lógica da curricularização da extensão para poder fazer essa aproximação e fazer com que os alunos da licenciatura promovessem a Feira”, explica. Os estudantes escolheram os temas e desenvolveram os estandes, enquanto os grupos musicais do Conservatório também foram convidados a participar da programação. Jessé destaca o envolvimento dos acadêmicos durante a preparação: “Eles ficaram animados, todos se empenharam bastante, se dedicaram. A gente fez o teste dos estandes lá na UEPG ainda para ver se ia dar tudo certo e aí aqui a gente montou tudo”.

Entre as apresentações de acadêmicos do curso de Música da UEPG, Fábio Angelo Souza, do primeiro ano, interpretou as canções Jimi, Renda-Se, de Tom Zé, e Sangue Latino, do grupo Secos & Molhados. Integrante da banda de rock autoral Devotos da Nha Gica, ele já tocava há cerca de dez anos antes de ingressar na graduação. “O curso já está somando de forma muito positiva para mim, porque eu eu estou entendendo o que eu fazia antes que eu não entendia, e agora eu estou entendendo”, conta, ao explicar como a graduação tem ajudado a compreender a teoria musical por trás de conhecimentos que desenvolveu na prática. A decisão de estudar música veio do trabalho voluntário que Fábio realizava em Piraí do Sul, com oficinas de cultura popular brasileira e latino-americana. Ao trabalhar com crianças, começou a utilizar a percussão e a voz nas atividades e sentiu necessidade de aprofundar os conhecimentos musicais. “Foi esse projeto que começou a me despertar um interesse de estudar música, Vou estudar para melhorar isso e seguir melhorando como professor voluntário, como futuro professor”, afirma.

Graduado em História pela UEPG, na modalidade a distância, Fábio voltou à Universidade em 2026 e destaca a troca de experiências com colegas mais jovens. “É um choque geracional, de cultura, mas é legal, que a troca é muito saudável, a gente está o tempo inteiro aprendendo”. Além da apresentação musical, Fábio preparou o estande “Deixe a capoeira guiar o seu canto”, com instrumentos utilizados na capoeira, como berimbau, atabaque, agogô e pandeiro. A proposta era convidar os visitantes a experimentar os sons e participar de cantos característicos da manifestação cultural.

A aluna do ensino médio Nathaly Copla visitou os estandes e participou de uma atividade em que teve a oportunidade de tocar violino, um instrumento com o qual não tinha familiaridade. “É um instrumento muito bonito, o som dele é muito bonito”, comenta. Para a jovem, a experiência foi diferente da rotina e despertou a curiosidade sobre o aprendizado musical. “Eu acho que para conseguir chegar no nível de alguém que toca mesmo, tem que ter muito tempo de aprendizado, mas quem sabe um dia.”

 

Para o diretor do Conservatório, Eziquiel Ramos, a Feira também destaca a pesquisa como parte da formação musical. “A produção científica e acadêmica tem um papel fundamental na formação dos nossos alunos”, afirma. Ele considera que o contato com pesquisas e debates permite aos estudantes conhecer todas as dimensões da área: “para que compreendem a música também como profissão, como campo de pesquisa, como ciência, como tecnologia e como uma área de conhecimento que exige estudo, investigação e constante aperfeiçoamento”. Eziquiel também atribui a realização do evento à iniciativa de Jessé e dos professores Gizele Iank Leite e Pierre Yves de Cerjat, do Departamento de Teoria do Conservatório. “Uma iniciativa como esta só acontece quando há professores dispostos a ir além da rotina da sala de aula, propor novos caminhos e compreender que a formação artística se fortalece quando dialoga com outras áreas do conhecimento e com a sociedade”, afirma. Depois dessa primeira edição, Eziquiel espera que a feira tenha continuidade e receba novos participantes nos próximos anos. “Que a feira se consolide, que cresça a cada ano e que outras edições tragam novas pesquisas, novos parceiros e novas perguntas”, afirma.

A relação entre música e inclusão foi abordada pela acadêmica do quarto ano Bruna Barbosa de Souza, no estande “Questione: voz tem gênero”. O trabalho foi desenvolvido a partir de sua pesquisa de conclusão de curso sobre a influência dos estereótipos de binaridade de gênero na performance vocal de cantores transgênero. A proposta surgiu de sua experiência com educação musical, onde teve contato com cantores trans e percebeu a necessidade de ampliar as discussões sobre o tema. “Esses estereótipos eles não atingem só as pessoas trans, mas também as pessoas cis”, explica. Segundo ela, a separação entre vozes femininas e masculinas pode limitar as possibilidades de expressão e participação. “A gente precisa pensar na educação musical com a mente bem aberta para que seja inclusivo para todas as pessoas”, finaliza.

Texto e fotos: João Pizani


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