Tem gente que nasceu para ser servidor público. Na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), são exatamente 2327, entre docentes e agentes universitários. Nesta quarta-feira (28), a instituição homenageia os que se dedicam diariamente ao ofício de servir. A UEPG não seria a mesma sem eles: são 967 professores e 580 agentes, além de 215 servidores conveniados, que atuam nos Hospitais Universitários e no Núcleo de Tecnologia e Educação Aberta e a Distância (Nutead).
“As pessoas são o nosso principal ativo”, salienta o reitor, professor Ivo Mottin Demiate. “Cada servidor(a) é essencial para elevar cada vez mais o nome da UEPG. Neste dia do servidor(a), todo o meu agradecimento a quem dedica a sua vida e o seu trabalho à nossa instituição”. Para a pró-reitora de Gestão de Pessoas, professora Eliane de Fátima Rauski, servir ao público já é nobre por si. “E nós temos a honra de servir na educação e na saúde. Por isso, nossa instituição tem uma projeção muito grande nessas duas áreas. Isso acontece graças à dedicação e qualidade dos serviços prestados pelos nossos docentes, agentes universitários e de saúde”.
O amor pela instituição é tanto que alguns até foram predestinados a nascer na mesma data que homenageia a função pública, como é o caso do professor José Tadeu Lunardi e da agente universitária Maria Parise Chagury. A história deles você confere a seguir:
Honrar a UEPG
Rosa Maria Parise Chagury fez o concurso público da UEPG em 1994 com um único objetivo: trabalhar no então Colégio Agrícola, hoje Centro Estadual de Educação Profissional Agrícola Augusto Ribas. “Entrei em 18 de julho, e foi o que aconteceu, trabalhei por muitos anos por lá”. A partir de 2018, Meire, como é conhecida, começou a atuar no Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (Caic), onde trabalha até hoje. “E eu amo trabalhar aqui também, sou apaixonada pelos pequenininhos”, descreve. No Caic, ela é responsável por atividades administrativas, como recebimento de materiais, organização de documentos, e até de abrir o portão para a entrada de alunos. E não há nada que ela não faça com amor.
“Eu amo de paixão trabalhar aqui, amo a UEPG, é uma honra ser funcionária pública. Uma honra. Eu honro a UEPG”, diz, enfática. A honra pela instituição não é à toa: além de trabalhar por aqui, duas de suas três filhas fizeram graduação na instituição. “Minha filha do meio foi estudar na UTFPR [Universidade Tecnológica Federal do Paraná], mas hoje ela é servidora também, técnica de laboratório, então toda a família sempre esteve envolvida com a Universidade”, acrescenta. A servidora relembra com carinho de festas de final de ano que participou ao longo dos anos, “então eu guardo muita lembrança boa daqui, que vou levar no coração”. 
Quando pensa nesses mais de 30 anos de instituição, não tem como não se emocionar. “Eu nunca pensei que eu fosse chegar aqui. Eu me esforcei muito pra conseguir entrar, estudei demais. Vim de uma família de oito irmãos, uma realidade difícil, então estar aqui é uma benção. Não escolheria outro lugar para trabalhar”. Hoje (28), Meire completa 74 anos. “Com muita honra chego nessa idade, e daqui a um ano vou me aposentar”. Com a chegada do fim de um ciclo, o afeto pela Universidade que a acolheu não tem previsão de fim: “a nossa UEPG é única, não há outra igual, então o sentimento que levarei daqui é de muito amor, muita vivência e muita gratidão”.
Sonho (matematicamente) possível
Antes de saber que ele não era o único servidor da UEPG a fazer aniversário no dia 28 de outubro, o professor José Tadeu Lunardi já tinha feito as contas da probabilidade de “xarás de nascimento” pela instituição. Isso porque os números são a base de tudo o que ele viveu na Universidade desde fevereiro de 1996. “Quando era adolescente, eu já sabia que eu queria ser cientista”, recorda. A ideia inicial era ser astrônomo. “Mas na minha época não tinha muitos cursos de astronomia no Brasil, aí eu eu tive um pensamento prático, né? Já que eu gosto de ciência, de matemática, vou fazer engenharia elétrica”. E assim começou a trajetória de Tadeu com os números. Depois de se formar na graduação, ele fez Mestrado em Física Teórica. “Daí entrei na UEPG como professor efetivo, e depois de passar no estágio probatório, também fiz Doutorado em Física Teórica”. Foi com essa linha que o professor ingressou e permanece até hoje no Departamento de Matemática. 
O docente se considera um paranaense nato, embora tenha nascido no Rio Grande do Sul. “Minha infância se iniciou em Santa Catarina, mas depois me criei aqui no Paraná, no oeste, em Guaíra. Mas o lugar onde mais me identifico como sendo o meu lugar é Ponta Grossa. Tenho filhos nascidos aqui, então é uma vida inteira na cidade”. E a UEPG perpassa por toda essa trajetória acadêmica. “Posso dizer que eu acompanhei o crescimento da instituição. Quando eu entrei aqui, era comum ter poucos doutores, e houve uma política de incentivo para que pudéssemos ter mais professores com Doutorado”. Com auxílio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), ele conseguiu o diploma de Doutor. “Foi um investimento que a Universidade fez em mim, e essa política fez a UEPG crescer muito rapidamente na qualificação do seu corpo docente e na institucionalização da pesquisa”, ressalta.
Ao olhar para trás, não há dúvidas do orgulho por testemunhar parte da história da UEPG. “Olhando para a instituição e para o meu próprio departamento, vejo que há um outro perfil. Uma instituição muito mais reconhecida, referência internacional e com pesquisadores de alto nível, e eu pude acompanhar esse crescimento todo. Fico muito feliz em ver toda essa evolução em 30 anos”, destaca. Quando pensa no passado e no futuro, ele recorda da criação do curso de Bacharelado em Matemática Aplicada, em 2017, como um dos momentos marcantes; e no sonho de uma pós-graduação acadêmica em Matemática para os próximos anos. “As universidades públicas são instituições fundamentais pro desenvolvimento de um país, e eu tenho orgulho em dizer que sou professor da UEPG”, diz, ao ser perguntado sobre o sentimento de fazer parte da instituição. O fato de nascer no Dia do Servidor Público foi matematicamente pensado para Tadeu: “ser servidor público é um presente para vida, e foi aqui que tive a oportunidade de realizar meu sonho, que era de ser cientista. Por isso, eu me considero uma pessoa realizada, porque atuo na UEPG”.
Texto e fotos: Jéssica Natal










