Doutoranda da UEPG participa de missão científica no Peru

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Na bagagem de volta ao Brasil, a doutoranda em Geografia da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Luana Oliveira, traz experiências, novas perspectivas e aprendizados que irão contribuir para a sua pesquisa. De 22 de junho a 28 de julho, a aluna participou da Missão Científica Internacional Estação Científica Paraná–Polônia, em Arequipa, Peru. A iniciativa faz parte de uma cooperação acadêmica e científica entre instituições brasileiras e polonesas, com o objetivo de fortalecer a internacionalização das universidades, promover o intercâmbio de conhecimentos e incentivar pesquisas em âmbito internacional.

Além da UEPG, a missão contou com a participação de pesquisadores da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), Universidade de Varsóvia e Universidad Católica de Santa María (UCSM). O foco das atividades de campo e de laboratório foi o estudo dos Povos Incas, especialmente a partir das evidências arqueológicas encontradas no sítio de Ccopan, localizado no distrito de Andaray, região de Arequipa. “As atividades permitiram conhecer diferentes aspectos da sociedade Inca, por meio de sua arquitetura, organização do espaço, cultura material e práticas funerárias, além de possibilitar o contato direto com os vestígios arqueológicos encontrados durante as escavações”, descreve Luana.

Estudantes e pesquisadores do Brasil, Bolívia, Colômbia, França, Polônia e Peru puderam dialogar durante a experiência, recorda Luana. “O contato com o sítio, com os pesquisadores e com a comunidade local mostrou que a pesquisa arqueológica não deve se limitar à produção acadêmica: ela também pode contribuir para a valorização e a preservação do patrimônio cultural”. Os participantes puderam acompanhar todas as etapas da pesquisa, desde a escavação e documentação dos vestígios em campo; até a limpeza, classificação, contagem, pesagem e organização dos materiais no laboratório.

A escolha pela missão acontecer no Peru se deu porque o território peruano foi um dos principais centros de desenvolvimento do Império Inca, e ainda preserva sítios arqueológicos que permitem compreender aspectos da organização social, política, econômica, religiosa e territorial dessa sociedade. “Minha experiência foi dividida entre campo e laboratório, permitindo acompanhar diferentes etapas de uma pesquisa arqueológica, e compreender melhor a importância da integração entre a coleta dos dados em campo”, conta Luana. Durante o trabalho, foram identificados diferentes tipos de materiais arqueológicos, como cerâmicas, dentes e ossos humanos, ossos de animais, fragmentos têxteis e minerais. Para Luana, o  mais importante foi compreender, na prática, que a arqueologia não se limita à escavação: “cada objeto precisa ser relacionado ao seu contexto, à camada em que foi encontrado e às demais evidências do sítio. Isso exige muito cuidado com o registro e com a preservação das informações”, acrescenta.

Agora que retorna às atividades no Programa de Pós-Graduação em Geografia da UEPG, Luana enaltece a experiência prática no trabalho de campo que teve durante os mais de 30 dias em que esteve no Peru. “Como pesquisadora da área de Geografia, considero especialmente importante essa aproximação com a Arqueologia, História e estudos do patrimônio, pois o trabalho realizado em Ccopan mostrou como a paisagem pode ser analisada a partir da relação entre sociedade, território, cultura e ambiente”. Além do conhecimento técnico, a experiência internacional também ampliou a perspectiva sobre a pesquisa científica e a cooperação entre universidades públicas de diferentes países: “uma experiência como essa mostra a importância das universidades públicas na formação de estudantes e na construção de oportunidades que, muitas vezes, seriam inacessíveis sem o investimento em educação, pesquisa e internacionalização”, completa.

Texto: Jéssica Natal | Fotos: Arquivo Pessoal


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