Aluno do CAIC é único estudante local de escola pública a participar da ONC

Natan Gabriel Rodrigues foi o único estudante de escola pública de Ponta Grossa a participar da segunda fase da Olimpíada Nacional de Ciências, na categoria ensino fundamental. Aluno do 9º ano do Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (CAIC-UEPG), Natan e outros dois estudantes de escolas particulares da cidade realizaram as provas no último sábado (21). Os testes para 28 estudantes classificados na região dos Campos Gerais foram aplicados no campus da Universidade Tecnológica Federal do Paraná em Ponta Grossa.

Esta é a primeira vez que o CAIC participa desta competição, promovida anualmente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) desde 2016. Em agosto, todos os alunos de nono ano da Escola Professora Halia Terezinha Gruba, que integra o CAIC, participaram da primeira fase de provas. “Natan teve um excelente desempenho e se classificou para a segunda fase”, afirma a professora de ciências Deise Horn. “É uma competição muito difícil e o mérito da classificação é todo dele, pela dedicação. Ele estudou sozinho com base nos conhecimentos que obteve em sala de aula e organizou uma rotina de estudos em casa”, diz a professora. Ela comenta que Natan sempre se destacou na disciplina de Ciências, pelas notas e dedicação. Emocionada, a professora relata que todos na escola ficaram felizes. “Ficamos orgulhosos, mas não foi uma surpresa porque sabíamos do potencial porque o acompanhamos nos anos anteriores”, diz.

A diretora geral do CAIC, Audrey Pietrobelli de Souza, enfatiza que a conquista do estudante materializa o trabalho desenvolvido há vários anos. “O Natan está conosco desde os 3 anos de idade. Esta conquista revela que a escola cumpre o importante papel na promoção da aprendizagem significativa e revela a importância do ensino público, gratuito e de qualidade”, diz.

“Fiquei muito honrado em representar a escola numa prova tão difícil, especialmente porque eu venho do ensino público”, diz Natan. Além do papel da escola, o estudante fala que em casa recebe um incentivo a mais da família. O pai, Adriano da Silva Rodrigues, é servidor da UEPG.  “Meus pais me incentivam a estudar e a aprender cada vez mais”, diz. Natan afirma que sempre gostou de ciência e pretende se dedicar, no futuro, à astronomia.

O resultado da segunda etapa da ONC deve sair nos próximos dias e indicará os selecionados para a Olimpíada Mundial de Ciências. “Para nós o que importa é a participação dele, independentemente do resultado”, enfatiza Horn.

Ronilze de Fátima Tozetto, Diretora Escola Professora HAlia Terezinha Gruba do CAIC, afirma que a instituição incentiva a participação de alunos em grupos de estudo no contraturno. Os professores do período da tarde direcionam e orientam os alunos. “A escola realiza este trabalho, porém é necessário o interesse do aluno. No caso do Natan, foi uma iniciativa dele, que estudou em casa e organizou sua rotina de estudos. Nós participamos realizando a inscrição e apoiando a professora Deise que coordena a Olimpíada dentro escola”.

A professora Audrey diz que esta conquista revela o papel do CAIC que, como órgão suplementar da UEPG, inclui o aluno de escola pública na educação fundamental e possibilita a ele chegar ao ensino superior. “Muitos de nossos estudantes vão para o Colégio Agrícola no ensino médio e seguem depois seus estudos nos nossos cursos superiores de Zootecnia, Agronomia e ciências Biológicas”. Ela destaca que alguns egressos hoje fazem medicina na UEPG. Audrey cita também o exemplo do professor Érico Ribas Machado, ex-aluno do CAIC, com graduação, mestrado e doutorado pela UEPG. “Hoje, o Érico leciona na Universidade. É o investimento no potencial do estudante, que pode, depois, retornar à sociedade o investimento realizado na escola pública”, diz.

Sobre a ONC

A Olimpíada Nacional de Ciências (ONC) é uma promoção do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que, junto com as Sociedade Brasileira de Física (SBF), Associação Brasileira de Química (ABQ) e Instituto Butantã, visa despertar e estimular o interesse pelo estudo das ciências naturais;  aproximar as instituições de ensino superior, os institutos de pesquisa e sociedades científicas das instituições do ensino médio e do ensino fundamental; identificar estudantes talentosos e incentivar seu ingresso nas áreas científicas e tecnológicas; (d) proporcionar desafios aos estudantes visando o aprimoramento de suas formações.

Fotos e texto: Luciane Navarro