UEPG coordena Vestibular dos Povos Indígenas do Paraná

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Nos dias 27 e 28 de setembro, a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) realizou a 26ª edição do Vestibular dos Povos Indígenas do Paraná. O processo seletivo oferece vagas para indígenas nos cursos de graduação das universidades estaduais e na Universidade Federal do Paraná. A previsão é de que o resultado seja divulgado no dia 20 de outubro. A edição deste ano foi coordenada pela UEPG, por meio da Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) e da Coordenadoria de Processos de Seleção (CPS), em parceria com a Comissão Universidade para os Indígenas (Cuia); das Universidades Estaduais de Londrina (UEL), de Maringá (UEM), do Oeste do Paraná (Unioeste), do Centro-Oeste (Unicentro), do Paraná (Unespar), e do Norte do Paraná (UENP); e a Universidade Federal do Paraná (UFPR).

O Paraná é o único estado do país que possui como política pública, instituída por lei, um processo seletivo específico para a população indígena, através de um sistema unificado e descentralizado em nível estadual. São, no total, 52 vagas: seis em cada uma das universidades estaduais e dez vagas para a UFPR. Para concorrer às vagas nas universidades estaduais, é necessário que o candidato pertença a comunidades indígenas localizadas no Paraná. Já para as vagas da universidade federal, é necessário pertencer a etnias indígenas e ser residente no Brasil.

“É muito importante a UEPG poder participar disso, poder organizar uma política pública que é pioneira no Brasil e que existe e resiste há tantos anos”. A coordenadora do vestibular, professora Ione Jovino, conta que o processo seletivo transcorreu com tranquilidade, muito por conta da experiência e qualidade do trabalho da CPS. “Todas as informações e as necessidades de cada polo e de cada universidade foram respondidas e atendidas, na medida do possível, com muita presteza, muita ligeireza”, comemora.

As provas orais e escritas foram aplicadas para cerca de 450 candidatos nas cidades de Cândido de Abreu, Curitiba, Jacarezinho, Mangueirinha, Manoel Ribas, Nova Laranjeiras, Ortigueira, Santa Helena, São Jerônimo da Serra, Turvo e Tamarana. “Sempre que possível, essa prova é aplicada dentro de territórios indígenas, acontecendo muitas vezes em escolas indígenas”, destaca a professora Ione. No primeiro dia, os candidatos realizaram uma prova oral em Língua Portuguesa e no segundo dia; a prova de conhecimentos gerais, que inclui uma redação e 40 questões objetivas sobre Língua Portuguesa; Língua Estrangeira Moderna (Inglês ou Espanhol) ou Língua Indígena (Guarani ou Kaingang); Biologia; Física; Geografia; História; Matemática e Química.

Nascido em Tabatinga, no Amazonas, João Francisco Santana dos Santos hoje mora a mais de 2800 quilômetros de sua cidade natal. Foi na Terra Indígena Queimadas, em Ortigueira, que ele veio morar e realizava o Vestibular Indígena. É do exemplo de sua mãe, que percorreu o país como enfermeira em aldeias por todo o país, que ele tira inspiração para sonhar com a profissão de médico. “A gente não confia muito nas pessoas de fora, sabe? Quando vem um indígena, um parente, mesmo que seja de outra aldeia, de outra etnia, a gente confia mais no trabalho dele”, explica o jovem tikuna. “A gente pode, também, inspirar outras pessoas, as crianças, que sonham em poder se formar”.

A ideia de Kauane Aparecida Sanh Mu Pires também é retornar o conhecimento adquirido na universidade para sua aldeia. Ela sonha com o curso de Pedagogia – e com dar aulas ali mesmo onde estavam acontecendo as provas do vestibular em Queimadas, na Escola Estadual Indígena Cacique Crispim Gy Mũ. “A minha ideia é que as crianças que estão crescendo agora vejam que os índios podem ir mais pra frente, não precisam terminar aqui e continuar aqui. Podem sair pra fora e o conhecimento de lá, trazer pra cá”, argumenta. “Isso, sem deixar minha cultura de lado, né? Levar minha cultura pra onde eu vou, mas sempre aberta pra conhecer coisas novas”.

Texto e fotos: Aline Jasper


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