Alunas da UEPG refletem sobre ações contra o racismo nas Universidades Estaduais

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A luta contra o racismo deve ser constante. Na última quinta-feira (18), a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da Universidade Estadual de Ponta Grossa (Prae-UEPG) encerrou a segunda edição da campanha ‘Universidades Estaduais do Paraná na Luta Contra o Racismo’, juntamente com outras seis Universidades Estaduais do Paraná. A iniciativa, promovida pela Cátedra Unesco de Educação Superior e Povos Indígenas e Afrodescendentes na América Latina, contou com a participação de alunos da graduação e pós-graduação. Em alusão ao mês da consciência negra, alunas da UEPG refletem sobre a campanha e ações contra o racismo nas Universidades Estaduais paranaenses.

“O racismo no ensino superior muitas vezes ocorre de forma sutil e velada, mas que dificulta o acesso e a permanência da pessoa negra e indígena dentro da Universidade”, reflete Damaris de Oliveira, acadêmica do 4º ano do curso de Direito da UEPG. Para ela, as ações realizadas pelas Universidades Estaduais do Paraná buscaram fortalecer o compromisso democrático de construir uma instituição antirracista, que inclui, valoriza e respeita os povos indígenas e a população negra. “Fiquei muito feliz e orgulhosa do projeto das Universidades ter sido aprovado pela Cátedra da Unesco. Esse trabalho em conjunto permitiu múltiplas trocas de conhecimento e aprendizagem que levarei comigo para sempre”, comemora.

Damaris adiciona que é necessário incluir debates de enfrentamento ao racismo dentro da Universidade, buscando ações concretas que garantam o acesso das populações historicamente negligenciadas e discriminadas. “Essas ações nos permitem pensar de que modo o racismo afeta indígenas e negros em sua permanência e quais são as estratégias temos e podemos construir para que possamos, de fato, fazer parte da Universidade”, complementa

“Essa campanha contribuiu muito para nós indígenas, pois trouxe uma segurança pessoal, onde nós pudemos nos expressar do nosso jeito. Pude falar sem medo do racismo que venho sofrendo há muito tempo”, explica a acadêmica de enfermagem Fátima Koyo Lucas. “Às vezes, sofro preconceito. Tenho cabelo crespo e, quando falo que sou indígena, as pessoas dizem ‘você não é indígena’. Eu fico bem constrangida, essa é a visão que os não-indígenas têm sobre nós”, lamenta. Para Fátima, o debate sobre enfrentamento do racismo no espaço universitário traz segurança para que os alunos possam se expressar de acordo com a própria realidade. “Nós somos capazes de enfrentar e lutar pelos nossos direitos sem medo. Temos que unir forças para lutar e garantir nossos direitos dentro das Universidades”. A visão de que indígena só pode ficar dentro das suas comunidades deve ser rebatido, segundo a futura enfermeira. “Essa visão já é passado. Sou muito grata em dizer que sou indígena da etnia kaingang, da terra indígena Faxinal, do município de Cândido de Abreu!”.

A Universidade brasileira ainda é extremamente embranquecida, conforme destaca Luara Rodrigues Real, graduada em Letras – Português/Inglês pela UEPG. “Por mais que tenham cada vez mais pessoas negras se destacando nos espaços universitários, a gente ainda tem a Universidade como um espaço extremamente embranquecido, então esse tipo de ação reforça que precisamos não só de discurso, mas também de ação”. Para Luara, é urgente e necessário agir para trazer o público negro para dentro da Universidade. “Essa união de todas as Universidades do Paraná traz um fortalecimento e visibilidade sobre questões de raça, identidade racial e etnia. Se a gente tem 54% da população brasileira considerada negra, a Universidade ainda é elitizada, precisamos ocupar esse lugar que também é nosso”, ressalta Luara.

Continuação

A campanha foi lançada em setembro deste ano. Na UEPG, as ações da Prae foram promovidas pela Diretoria de Ações Afirmativas e Diversidade (DAAD), com apoio do Núcleo de Relações Étnico-Raciais, Gênero e Sexualidade (Nuregs) e do Coletivo de Estudos e Ações Indígenas (Ceai). A pró-reitora da Prae, Ione Jovino, salienta a parceria entre todas as Universidades Estaduais do Paraná na luta contra o racismo. “Nós fizemos um balanço positivo a partir das ações que foram elaboradas e criadas nesse projeto, que foram os eventos, minicursos e mesas redondas”. Ione ainda destaca a produção e divulgação de vídeos com os relatos de estudantes de diferentes Universidades do Paraná. “Também destaco a importância disso ter envolvido a Prae, a DAAD e alunos da graduação e pós-graduação, que participaram da monitoria ou fazendo relatos na forma de vídeos”, salienta.

As atividades serão estendidas para a 2ª Campaña contra el Racismo en la Educación Superior, que inicia nesta terça-feira (23) e acontece até 29 de novembro, entre Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Bolívia, Colômbia, Equador, México e Guatemala. No evento, serão apresentadas as propostas desenvolvidas por 24 equipes universitárias latino-americanas, para promover reflexões e debates sobre as múltiplas formas de racismo que acontecem no ensino superior.

As atividades serão transmitidas pelo canal do YouTube da  Universidad Nacional de Tres de Febrero (UNTREF)

Texto: Jéssica Natal | Foto: Aline Jasper


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