

A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e os Hospitais Universitários (HU-UEPG) se uniram à Prefeitura de Ponta Grossa para a elaboração do Plano Municipal de Direitos das Mulheres. Pela primeira vez na história, Ponta Grossa passa a contar com diretrizes que orientam e fiscalizam as políticas públicas destinadas às mulheres pelos próximos 10 anos. O planejamento foi estruturado em seis eixos temáticos, entre eles saúde, educação e segurança pública.
O Núcleo Maria da Penha (Numape) participou da elaboração com a presença da coordenadora do projeto, professora Roseni Inês Marconato Pinto do Departamento de Serviço Social. “Os atendimentos diários do Numape fazem a equipe se deparar com as consequências da violência doméstica e familiar contra a mulher. Nossa participação permitiu contribuir com reflexões e decisões para a elaboração do plano”, afirma a professora Roseni. O foco do trabalho do Numape foi no Eixo III – Territórios Livres de Violência e Qualificação das redes de atendimento e enfrentamento às violências contra as mulheres, mas também contribuiu com os demais eixos do plano.




A diretora dos HUs, professora Fabiana Mansani, reforça a importância da construção em conjunto com a Prefeitura e demais órgãos. “Nós participamos do eixo de Saúde. Nos cabe fazer o recebimento e todo o cuidado e acolhimento dessas mulheres. É bem importante que a gente participe da construção, do planejamento para que a gente possa conhecer os direitos das mulheres e fazer todo o movimento para que isso seja aprovado”, afirma Mansani.
O plano
O Plano Municipal dos Direitos das Mulheres prevê, entre outras ações, auxílio-moradia para mulheres vulneráveis, a criação de serviço social na Secretaria de Agricultura voltado para agricultoras e a instalação de antena Starlink na Patrulha Maria da Penha para atendimentos no interior. Iniciativas pioneiras como a paridade de gênero no Parlamento Mirim e na Câmara Jovem, programa de mentoria para mulheres interessadas em política e incentivos para empresas que contratarem mulheres em situação de violência. Além disso, instituir redes comunitárias de enfrentamento a situações de violência contra as mulheres, criação de mecanismos de aprimoramento do atendimento intersetorial e fortalecimento de equipes de referência territoriais com acompanhamento integrados também compõem o Plano.
O Numape
O Numape possui como foco o combate a violência contra as mulheres bem como fortalecer a rede de proteção e conscientizar a população acerca dos direitos das mulheres. Apenas em 2025, foram registrados 8.256 registros em boletim de ocorrência de violência contra mulheres em Ponta Grossa. Um estudo produzido pela consultoria socioambiental Tewá 225, que analisou 319 cidades com mais de 100 mil habitantes em todo o Brasil, apontou Ponta Grossa como a 10ª pior cidade para mulheres em todo o país.
Texto: André Packer | Fotos: Arquivo pessoal
