Sábado, 20 de julho de 2019

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10/07/2019 - 15h32 / Atualizada 10/07/2019 - 16h35



Pesquisadores da UEPG desenvolvem reator de compostagem com resíduos de cigarro


por Luciane Pereira da Silva Navarro

As pesquisadoras da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Karine Marcondes da Cunha e Rosimara Zittel, sob orientação do professor Sandro Xavier de Campos, realizaram estudos de compostagem de resíduos de cigarro contrabandeado. O estudo tomou como base reatores de 200 e 2000 litros para o tratamento de Resíduos Sólidos Orgânicos, cepilho, lodo de estação de tratamento de esgoto e tabaco de cigarros contrabandeados.

Segundo dados do Ibope, cerca de 60% dos cigarros que circulam no Paraná são contrabandeados do Paraguai. “Geralmente esses resíduos são descartados em aterros sanitários, incinerados ou dispostos diretamente no solo, tornando-se contaminantes ao meio ambiente”, afirma Karine. O uso direto de resíduos de tabaco no solo pode ser desfavorável, no entanto, a compostagem de resíduos de tabaco pode acelerar sua degradação, resultando em um produto orgânico sem toxicidade ao meio ambiente A pesquisa aponta que reatores domésticos são uma alternativa viável para compostagem e podem estar próximos a residências e comércios sem a necessidade de grandes espaços e de manejo.

De acordo com a pesquisa, a compostagem é considerada uma das tecnologias mais adequadas para a eliminação de resíduos sólidos orgânicos e para o aumento da quantidade de matéria orgânica que pode ser utilizada na melhoria das condições de solos”, afirma Rosimara. O professor Sandro complementa que a compostagem em escala doméstica é uma tendência. Estudar tecnologias simples, como os reatores, irá favorecer  que mais pessoas façam o tratamento de seus resíduos orgânicos em casa ajudando para resolver o problema do lixo.

A pesquisa realizou, entre 2012 e 2018, análises físico-químicas, biológicas e espectroscópicas. Os resultados indicaram rendimento acima de 70% e confirmaram a produção de um composto orgânico estabilizado e maturado, viável para utilização na agricultura. O estudo concluiu que a compostagem em reator produziu um composto com qualidade que atende legislações do Ministério da Agricultura e Abastecimento - MAPA (2014) e Diretrizes para qualidade do composto - Canadá CCME (2005) para o composto orgânico.

Os estudos foram realizados com cigarros apreendidos pela Receita Federal, que muitas vezes são incinerados, lançando elementos tóxicos ao meio ambiente. Sobre a contaminação ambiental resultante desses resíduos, o professor Sandro Xavier de Campos, coordenador do grupo de pesquisa em Química Analítica Ambiental e Sanitária (QAAS) e diretor da Diretoria de Gestão Ambiental, afirma que se os compostos provenientes da queima não forem adequadamente tratados podem provocar graves doenças, como o câncer.

A parceria entre a UEPG e a Receita Federal em Ponta Grossa existe desde 2011 e já resultou em outras duas dissertações de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Química Aplicada  que foram desenvolvidas sobre o tema cigarro. Thiago Eduardo de Almeida desenvolveu o “Estudo químico da viabilidade da compostagem lodo/cigarro para formação de adubo orgânico"; e Cleber Pinto da Silva buscou a “Determinação de ions metálicos em amostra de cigarros contrabandeados no Brasil”. Outras pesquisas em andamento analisam a composição química dos cigarros contrabandeados e a destinação de resíduos.

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