Sábado, 24 de agosto de 2019

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08/02/2019 - 15h24 / Atualizada 08/02/2019 - 22h06



Doação de órgãos no PR tem resultados positivos em janeiro


Comissão de Doação de Órgãos do HU orienta famílias a doar


por Aline Jasper

O estado do Paraná continua a ser referência na doação de órgãos. Em janeiro de 2019, segundo dados da Central Estadual de Transplantes do Paraná (CET/PR), o índice de doações de órgãos atingiu um número recorde: 50,9 doações de órgãos por milhão de população. Esse é o maior percentual de doadores no país, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, com um número três vezes maior do que a média nacional, de 17 doações por milhão de pessoas. 

O ano de 2019 também começou com resultados bastante positivos no Hospital Universitário (HU-UEPG). Até agora, um protocolo de possível doador foi finalizado com a autorização familiar para a doação.

A Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) do HU destaca que há uma constante melhoria na eficiência dos protocolos, nos casos que envolvem a possibilidade de doação de órgãos. Segundo o coordenador da CIHDOTT, o enfermeiro Guilherme Arcaro, a equipe busca atender da melhor forma possível às famílias e aos possíveis doadores, e isso tem gerado resultados positivos.

No ano passado (2018), foram abertos 24 protocolos de possíveis doadores no HU-UEPG. Destes, cinco foram contra-indicados por conta de doenças infecto-contagiosas e 10 doações foram autorizadas pelas famílias. De acordo com Guilherme, este indicador é positivo (já que o número de rejeições foi menor que a quantidade de autorizações), mas ainda pode ser melhorado, com um trabalho de conscientização da população.

A agilidade da comissão na busca por documentos, exames e autorizações judiciais, quando necessárias, faz com que se viabilize determinadas doações. Segundo exemplifica o coordenador, ainda no fim de janeiro, houve um caso em que foi necessário trabalhar em conjunto com a família para obter todos os documentos a tempo. "Isso permitiu que fossem aproveitados os rins, fígado e válvulas cardíacas do doador. São pelo menos quatro pessoas que receberão órgãos importantes por conta deste trabalho", comemora.

 Como funciona o protocolo de doação de órgãos e tecidos dentro do Hospital?

O processo é composto por muitas etapas: desde o momento em que se detecta a possibilidade de morte encefálica em um paciente até a efetivação de um transplante de órgãos, são muitos profissionais envolvidos e uma série de decisões tomadas com responsabilidade e respeito. Morte encefálica é nome legal dado ao óbito de um paciente: é a interrupção irreversível das atividades cerebrais.

De acordo com as orientações da Secretaria de Saúde do Paraná, é preciso que a avaliação da morte encefálica seja feita por dois médicos de diferentes áreas, por meio de um complexo protocolo de exames clínicos e exames complementares. O intuito destes procedimentos é eliminar as dúvidas no processo e comprovar que, realmente, não há mais nenhuma atividade cerebral.

"A prioridade do atendimento da equipe do HU, desde o momento em que há a possibilidade de morte encefálica, é de manter um diálogo transparente com a família", conta Guilherme. Essa preocupação é reiterada pela assistente social Ines Chuy Lopes, que faz parte da equipe multidisciplinar do HU-UEPG que atende às famílias dos pacientes. Ela assinala que o foco primordial é o acolhimento, tanto dos pacientes quanto de suas famílias, e o acompanhamento da situação psicológica e social destes acompanhantes.

Quando se confirma a morte encefálica, o primeiro passo tomado pela equipe é garantir que haja um entendimento por parte dos familiares do que significa a morte cerebral e uma compreensão da situação. É só depois de garantir o controle emocional que se oferece a possibilidade de ajudar outras pessoas por meio da doação de órgãos.

Há um cuidado especial na forma de tratar o assunto, de acordo com o coordenador da CIHDOTT: "São utilizadas técnicas para a abordagem da família, oferecendo sempre o apoio emocional e explicando de forma clara como funciona o processo de doação. Buscamos tirar as dúvidas e superar preconceitos que são comuns quando se trata deste assunto", explica. 

O governo do Paraná também orienta que os profissionais ajam neste sentido, com empatia, cordialidade e acolhimento. "A equipe procura respeitar a vontade do paciente e de seus familiares, independente da decisão tomada", destaca a assistente social.

 

Doação de órgãos: é preciso falar sobre isso

A doação de órgãos é uma decisão que, mesmo tomada em meio à dor da perda de um familiar, salva vidas e se traduz em um ato de amor. "Saber que ao menos uma parte de seu ente querido pode continuar a viver e dar vida a outra pessoa faz com que a grande maioria das famílias que optam pela doação de órgãos saia consolada, de certa forma", explica Ines, assistente social do HU.

Todo paciente de hospital que esteja em morte encefálica é um potencial doador. Segundo a Central Estadual de Transplantes, são contraindicações para a doação de órgãos e tecidos as doenças infectocontagiosas, câncer e infecções graves. No caso de infecções que estejam respondendo a tratamento, é possível doar.

Cada doador pode salvar várias vidas: pode-se doar córneas, coração, fígado, pulmão, rim, pâncreas, ossos, vasos sanguíneos, pele, tendões e cartilagem. Como conta Guilherme, a determinação de quais órgãos podem ser doados é através de uma avaliação clínica de viabilidade. "Além disso, há um respeito ao prazo máximo pedido pela família para liberação do corpo: órgãos como pele e ossos precisam de mais tempo para retirada", complementa.

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