A quarta edição do curso de Língua Portuguesa para migrantes da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) encerrou na quarta-feira (28), com risos e emoção. O projeto de extensão Processos Migratórios e Intercâmbio: Inclusão Social e Diversidade Cultural (Promigra) realizou a cerimônia de conclusão do curso a alunos migrantes de diferentes nacionalidades. O evento ocorreu no Grande Auditório da UEPG Centro e contou com familiares, acadêmicos e autoridades universitárias. Com o certificado do curso em mãos, os participantes agora podem agilizar o processo de naturalização no país. O projeto é vinculado ao Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (Proext-PG).
Nayrouz Trough foi uma das formandas da noite. Ela e a família vieram da Líbia há pouco mais de um ano e encontraram no curso da UEPG um lugar de trocas e aprendizados. “Estou muito feliz, muito orgulhosa de mim por ter aprendido o português. Vou dar o meu melhor para aprender mais e quero agradecer aos professores e toda a equipe que foram muito simpáticos conosco”, celebra a aluna. Nayrouz foi uma das pessoas matriculadas neste ano, vindas de países árabes e da América Latina. Com o curso de Português, os alunos têm mais possibilidades de se inserirem no mercado de trabalho. “Aqui no Brasil, quero estudar para trabalhar, quero terminar minha graduação em arquitetura e ganhar experiência no meu currículo”, completa.
A cada entrega de certificados, um sorriso de felicidade surgia no rostos dos alunos. “Para nós, foi uma experiência enriquecedora, com um alto nível de interação entre os professores e alunos, todos demonstrando grande cordialidade e profissionalismo”, disse o aluno Juan Manuel Guzman Lecuna, em discurso. Ele ainda agradeceu ao Brasil pela acolhida calorosa que recebeu. A gratidão também esteve presente na fala de Wathqan Kolthoum, que representou a turma dos alunos árabes. Segundo ele, morar em um país sem conhecer a língua torna a vida mais difícil, “mas, felizmente, o programa Promigra, aqui da Universidade Estadual Ponta Grossa, nos deu uma grande oportunidade. Nós pudemos aprender o português e recebemos ajuda em outras situações da nossa vida. Foi uma experiência muito boa e especial”.
Neste ano, o Promigra recebeu 50 pessoas, uma das maiores turmas desde que iniciou as atividades, em 2022. O número recorde de procura fez com que a organização dividisse os estudantes em duas turmas. “Neste ano, a gente teve esse desafio, pois nunca recebemos tantos alunos falantes de árabe, então os professores dividiram as turmas e tudo foi muito bem encaminhado”, destaca a coordenadora do curso, professora Pacoalina de Oliveira Saleh. O projeto, assim, vai muito além de ensinar a língua portuguesa, segundo ela. “É uma forma de acolhimento também do ponto de vista social, o que é muito importante para nós”. Durante o discurso de entrega dos certificados, a pró-reitora de Extensão e Assuntos Culturais, professora Beatriz Nadal, destacou ainda o trabalho da equipe do Promigra e da Cáritas Diocesana, parceira do projeto.
“Cada aula foi uma troca e cada história de vocês, deixou uma marca em mim”, destacou o professor João Rodrigues Machado. “Eu fui o professor de português, mas vocês foram meus mestres em coragem. Vocês me deram uma oportunidade que marcou profundamente a minha formação. Aprendi com vocês coisas que nenhum livro me ensinou: que uma língua é um lugar onde a gente aprende a morar e que ensinar, começa por escutar. Isso eu vou levar comigo para o resto da minha vida”.
Texto e fotos: Jéssica Natal



































































































