Aluna da UEPG tira nota máxima no TCC e destaca a inclusão no ensino superior

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Meirielli Aparecida Milka da Luz termina a graduação em Administração pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) com nota máxima no trabalho de conclusão de curso (TCC). Mas o sucesso dela dentro da instituição não se restringe à banca, que ocorreu em 21 de outubro. A discente conta a trajetória como estagiária na Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) e destaca a importância da inclusão de pessoas com deficiência no ensino superior.

Muito dedicada, inteligente e com uma escrita impecável. Basta uma breve conversa com os professores que lecionaram para Meirielli, que os elogios brotam. Em especial, o orientador, professor Ubiratan Schier, descreve a aluna como uma estudante “muito regrada”: “muitas vezes, ela tinha que me cobrar um retorno de algo, porque ela sempre foi muito pontual com as entregas e fez um TCC excelente”. Não à toa, ela recebeu nota 10 da banca, com o trabalho intitulado ‘Mobilidade Acessível e Inclusão Profissional de Pessoas com Deficiência: diagnóstico das barreiras de transporte e proposta de intervenção em Ponta Grossa (PR)’. “Normalmente, quando a gente pensa em inclusão profissional, focamos na contratação e nas adaptações necessárias dentro da empresa. Mas a pessoa consegue chegar até o local do trabalho com segurança?”, ressalta Meirelli.

Com essa pergunta, ela embarcou numa pesquisa que também a atravessa enquanto pessoa com deficiência. “Percebi que outras pessoas também enfrentavam o mesmo problema que eu, era um problema muito mais coletivo do que eu imaginava”. No dia da banca, Meirielli conta que chegou preparada para responder às indagações dos professores quanto ao trabalho. “Mas ao final da minha apresentação, eles se emocionaram muito, e eu acabei me emocionando junto, foi um momento muito legal”, conta sorrindo. O orgulho pelo momento também foi perceptível na família, segundo ela. “Estão muito orgulhosos, porque eles acompanharam toda a minha vida, toda a trajetória, eles sabem de todos os processos e desafios que eu passei”.

Desde criança, Meirielli sabia que queria atuar na área de Administração. “Eu sempre fui muito organizada, sempre gostei de matemática, e quando eu terminei o ensino médio, eu decidi que eu queria Adm, estudei e acabei passando de primeira”. Neste ano, ela teve a oportunidade de realizar o estágio na Prae, com atividades de atendimento ao público, apoio no levantamento de dados de pessoas com deficiência na instituição e toda a rotina administrativa do órgão. “Foi uma experiência muito proveitosa, porque eu aprendi muita coisa. Foi o meu primeiro emprego, então eu pude colocar em prática os conhecimentos que eu adquiri em sala de aula”, conta.

Com tantas conquistas neste último ano na UEPG, não tem como não dizer o quanto a inclusão no ensino superior é importante. “A inclusão deve realmente dar oportunidade para pessoas com deficiência, para que elas possam ingressar na Universidade e depois entrar no mercado de trabalho. Então, essa preparação no ambiente universitário é muito importante para a inclusão profissional”. Agora, com o TCC defendido e aquela ansiedade para a festa de formatura, só ficam sentimentos bons na mente e no coração da aluna: “gratidão, missão cumprida, aquela sensação de que eu consegui. Levo amizades que fiz para a vida, minhas amigas foram meu suporte fundamental nesses anos de faculdade”, completa.

Ao final da entrevista, pra fechar com chave de ouro todo o relato, ela pediu para deixar uma mensagem, aqui transcrita na íntegra:

“Eu quero deixar um recado para as pessoas com deficiência, que querem entrar na vida acadêmica ou estão na universidade: é que eles acreditem no potencial deles, na capacidade deles, assim como eu acreditei em mim, para que eles não deixem ninguém tirar o nosso brilho, o nosso entusiasmo de conseguir entrar numa universidade pública!”.

Texto e fotos: Jéssica Natal




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