Encontro Anual de Iniciação Científica da UEPG é marcado por pesquisas de excelência

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Na noite de terça-feira (27), o Grande Auditório do Campus Centro da UEPG esteve lotado para a abertura oficial do 35º Encontro Anual de Iniciação Científica (Eaic) e do 12º Eaic Júnior. Estudantes e professores garantiram seus lugares na plateia para conferir a palestra “100 anos de Marie Curie no Brasil: pesquisas de Iniciação Científica e suas contribuições para a formação acadêmica de estudantes”, com a professora Camila Silveira da Silva. O alto comparecimento não foi à toa: o Eaic 2026 mobilizou mais de mil participantes, 613 trabalhos em 102 sessões orais e 47 estudantes do ensino médio, integrados ao Pibic Jr.

O tema deste ano é “Pesquisa: substantivo feminino”, com destaque às produções científicas realizadas por mulheres, o que se refletiu na mesa de abertura, formada inteiramente por mulheres da gestão e pela palestrante. “Ver este palco com mulheres reflete a valorização das pesquisadoras na nossa instituição”, celebrou a vice-reitora da UEPG, professora Adriana Campagnoli, que também destacou a importância do Eaic para o progresso da ciência na instituição. 

A pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propesp), professora Bárbara Fiorin, ressaltou a importância de realizar um evento que reconhece a presença e a contribuição das mulheres na ciência. “Importa para que nossas estudantes e as meninas que estão começando sua trajetória científica possam olhar para nós e perceber que também podem estar aqui: pesquisando, ensinando, coordenando, liderando e fazendo suas próprias escolhas”, afirmou.

Para a diretora de Iniciação Científica da Propesp, professora Dirce do Nascimento Pereira, a pesquisa na UEPG é um ciclo contínuo de formação e inovação social. “Celebramos aqui a universidade pública como um espaço aberto, que desperta a vocação científica desde a educação básica”, destacou.

Eaic Júnior: os primeiros passos na ciência

O Eaic Jr. é destinado à apresentação dos trabalhos de pesquisa desenvolvidos pelos alunos do Ensino Médio que atuaram no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica Júnior (Pibic-Jr.). Além da realização de projetos de pesquisas, os estudantes são estimulados a compreender o processo de disseminação das informações e conhecimentos científicos e tecnológicos básicos, contribuindo para sua inserção nos cursos de graduação, após aprovação nos processos seletivos de ingresso na UEPG.

Quando se fala em Encontro de Iniciação Científica Júnior você deve pensar que os alunos do ensino médio vão pesquisar sobre temas mais simples – talvez aqueles que estão relacionados ao conteúdo aprendido durante as aulas. Mas esse não é o caso da aluna Amanda Piotrovski, que está no segundo ano no Centro de Educação Técnica e Profissional Agrícola Augusto Ribas (Caar). Sob orientação do professor Antônio Sérgio Magalhães de Castro, do Departamento de Física, a pesquisa dela é sobre computação quântica.

“Na computação quântica temos dois fenômenos principais. Um deles é a superposição quântica e o outro é o emaranhamento quântico”, explica, com propriedade. Segundo ela, o tema principal do trabalho intitulado “Tecnologias Quânticas e elementos da Computação Quântica”, são as Esferas de Bloch, “que é uma representação geométrica utilizada para visualizar o estado de um único ‘qubit’. Todo estado puro pode ser descrito por uma equação onde o teta e o fi são coordenadas angulares que definem a posição do ponto específico da superfície de uma esfera unitária”, explica.

Mesmo com um tema tão complexo, Amanda conta que a pesquisa começou com os primeiros instrumentos utilizados, “como o ábaco, ossos de Napier e foi evoluindo até chegar as máquinas de tear, as máquinas diferenciais, até os computadores que temos hoje em dia”, finaliza.

Para o professor Antônio Sérgio, a tecnologia quântica vai ser a principal do século XXI. “Pensei que seria um grande desafio começar a colocar essas ideias em contato com um aluno do ensino médio. Foi um experimento, e percebi que aqueles conceitos quânticos que as vezes assustam as pessoas, eles estão acessíveis e podem ser compreendidos por uma estudante como a Amanda”, garante. “Claro que a Amanda é uma aluna muito esforçada e dedicada. Mas considero muito importante que já no ensino médio comece a ser falado da mecânica quântica, por que ela vai ser a ferramenta que vai dominar e temos que saber operar esse tipo de equipamento”, completa.

A aluna do segundo ano do Ensino Médio, Hellen de Oliveira Dolci, do Colégio Estadual Cívico-Militar Frei Doroteu de Pádua, conta que aprendeu muito com o desenvolvimento de seu projeto no Pibic Júnior. “Foi interessante perceber o quanto a pesquisa em nível universitário é diferente da que realizamos na escola. Aqui, além da coleta dos dados, também tive auxílio da professora Natasha para realizar a análise das informações. É uma perspectiva muito mais aprofundada, se comparada com a que eu conhecia!”, diz. Hellen realizou uma pesquisa sobre os espaços públicos para práticas esportivas no Estado do Paraná. “A partir dos resultados dessa pesquisa, fiquei com muitas ideias na cabeça. No próximo ano, tenho a intenção de prestar o vestibular para o curso de Direito. Conhecer um pouco a Universidade por dentro me oportunizou entender como é a rotina dos alunos da graduação – e isso me inspirou bastante”, comenta.

O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica Júnior (Pibic Jr.) é uma iniciativa coordenada pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propesp), que busca despertar a vocação científica em estudantes de Ensino Médio e Ensino Profissionalizante, com atividades de pesquisa científica ou tecnológica. Os professores da UEPG são os orientadores dos alunos e propuseram os projetos de pesquisa desenvolvidos.

Para sua orientadora, a professora Natasha Santos Lise, do Departamento de Educação Física da UEPG, a apresentação do trabalho é um marco importante. “Para os alunos do Ensino Médio, o Pibic Júnior é uma oportunidade para colocar um pezinho na Universidade. Eu até convidei a Hellen para participar do grupo de estudos que organizo com os estudantes da graduação. E posso dizer que ela teve um desempenho excelente!”, relata.

A iniciação científica na graduação 

Para Ana Júlia Rodrigues da Silva, do segundo ano de Administração e Comércio Exterior, o Eaic 2026 marcou uma experiência inédita: a primeira apresentação de um trabalho científico. Ela começou a iniciação científica no primeiro ano da graduação, em um projeto vinculado ao doutorado de seu orientador, que permitiu que ela conhecesse melhor iniciativas como a Agência de Inovação e Propriedade Intelectual (Agipi) e a Incubadora de Empreendimentos Solidários (Iesol), ambas da UEPG. A expectativa para apresentar o trabalho veio acompanhada de nervosismo, mas Ana Júlia foi se tranquilizando ao observar as apresentações e conversar com a coordenadora da sessão. Ao final, percebeu que havia conseguido superar a insegurança inicial. “Eu fiquei bem nervosa, mas consegui. Fui melhor do que eu esperava. Foi uma experiência muito legal, porque também me sinto confiante e dá vontade de participar de outras coisas”, conta.

Além do aprendizado com a pesquisa, a estudante destaca a importância da bolsa para sua permanência na Universidade. Vinda de uma cidade pequena de São Paulo, ela explica que o auxílio contribui com as despesas do dia a dia. O Eaic 2026 também possibilitou que ela conhecesse o trabalho que acontece nos bastidores do Encontro. Estagiária da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propesp), Ana Júlia passou a acompanhar a organização do evento. Para ela, participar dos dois lados ajudou a compreender a dimensão do trabalho necessário para realizar as apresentações. “O pessoal não vê de fora, mas são muitos trabalhos, quase 600 apresentações, são muitos bolsistas, muitos voluntários. Então é legal ver o tanto de pessoas que esse Encontro abrange”, destaca.

Outro acadêmico que apresentou no Eaic foi Matheus Bobato Ribeiro, do quarto ano de Farmácia. Ele começou a participar de um projeto de pesquisa ainda no primeiro ano do curso, e marcou presença no evento pelo terceiro ano consecutivo. “Uma das melhores sensações que eu senti aqui dentro da Universidade é apresentar ali no Eaic, colocar o teu conhecimento à prova e mostrar para as pessoas o que você fez. E quando você vê uma aplicabilidade do teu estudo, da tua pesquisa, é muito mais gratificante”, relata.

Quando iniciou no projeto, Matheus não tinha a intenção de seguir carreira na pesquisa e ainda conhecia pouco sobre o trabalho científico, mas o contato cotidiano com o laboratório e o desenvolvimento do estudo mudaram essa perspectiva. “Eu vejo a iniciação científica não necessariamente como a produção de uma pesquisa de grande relevância, mas como a inserção do acadêmico dentro do meio de pesquisa. Eu acho que isso é o mais importante, porque estimula ele a buscar um projeto de mestrado, a buscar um doutorado e a continuar estudando”, avalia.

Para a professora Adriana Chinelatto, do Departamento de Engenharia de Materiais, acompanhar a trajetória dos estudantes é uma das partes mais gratificantes da orientação em iniciação científica. “É muito bom ver a evolução deles”, afirma. Há 32 anos na UEPG, ela começou a orientar acadêmicos ainda em 1994, quando o curso estava no início e recebia seus primeiros estudantes interessados em pesquisa. Desde então, viu diferentes gerações de alunos, incluindo alguns que orientou durante a graduação e depois pôde reencontrá-los no mestrado e doutorado. Outros até se tornaram colegas de docência na Universidade.

Segundo Adriano, o primeiro contato com a pesquisa exige acompanhamento próximo. Por isso, os trabalhos costumam estar vinculados a pesquisas de mestrado ou doutorado, com a participação de pós-graduandos na coorientação. “Na iniciação científica, a gente tem que ter muito mais cuidado com o aluno, porque ele está aprendendo. A gente tem que dar uma orientação muito grande para eles entenderem como funciona, entenderem como é o laboratório, entenderem a importância do que eles estão fazendo”, explica.

2ª Feira de Pesquisa e Pós-Graduação 

O Eaic também abriu espaço para a pós-graduação, com o objetivo de aproximar pesquisadores de iniciação científica dos programas de mestrado e doutorado. “Foi muito importante para apresentar à comunidade acadêmica o trabalho que estamos desenvolvendo. Foi muito interessante poder compartilhar as experiências e mostrar como os projetos da pós-graduação se relacionam com a extensão, a pesquisa e a realidade do campo”, salienta a professora Raquel Rocha, coordenadora do Projeto Implantação de Sistema de Integração Pecuária Floresta com Espécies Bovinas e Ovinas na Fazenda Escola, vinculado ao Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (Proext-PG).

A inovação também ganhou espaço na Feira. A Agência de Inovação e Propriedade Intelectual (Agipi) esteve no evento nesta quinta-feira (29), com a participação da Robotbox, uma das empresas da Incubadora de Projetos Tecnológicos da UEPG (Inprotec). “O objetivo foi despertar a curiosidade dos graduandos e incentivá-los a empreender e inovar, mostrando como transformar projetos de pesquisa em produtos ou serviços capazes de atender às demandas da sociedade”, ressalta professor Evaldo Kubaski, coordenador da Agipi.

Texto e fotos: Flávio Crispim, Jéssica Natal, João Pizani e Tierri Angeluci


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