A tarde desta quinta-feira (17) foi de diálogo, resgate de memórias e partilha de sentimentos. O projeto de extensão Processos Migratórios e Intercâmbio: Inclusão Social e Diversidade Cultural (Promigra) promoveu a atividade “Sabores sem Fronteiras”, voltadas a mulheres muçulmanas, que são alunas das aulas de Língua Portuguesa do projeto na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). A atividade ocorreu na sede da Cáritas Diocesana, e contou com migrantes falantes de árabe e inglês. O objetivo foi estabelecer uma proximidade com as participantes, para ouvi-las e acolher suas demandas. A ação também está vinculada ao Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (Proext-PG).
O encontro começou com a partilha de um novelo de lã, atividade conhecida para criar conexões: ao pegar a ponta do fio, a participante se apresentava e passava o novelo para a próxima. “Queremos mostrar para vocês que, apesar de nossas diferenças, temos um fio invisível que nos une. Somos mulheres que têm coisas que gostamos e não gostamos, temos dramas e felicidades”, disse Allana da Silva Barbosa, aluna de Serviço Social e uma das organizadoras. Com o primeiro passo, as outras interações vieram facilmente. Todas puderam compartilhar as saudades de casa, as memórias da família e os momentos que consideram importante na rotina. Tudo permeado por meio da alimentação: pratos típicos, temperos e culinária foram a porta de entrada para que elas se sentissem à vontade em dividir experiências umas com as outras.
Karima Tirich, vinda do Marrocos, está há um ano morando no Brasil. Para ela, a atividade foi intensa e emocionante. “Gostei da estrutura, fomos nos conectando, falando sobre nós mesmas, e de uma maneira tranquila nos aprofundamos para falar das nossas emoções. Gostei do fato de que todas as meninas estavam abertas, todas falaram sobre seus sentimentos sem vergonha ou medo de dizer o que pensam e o que sentem”, destaca. 
Estabelecer mais conexão com as mulheres foi justamente o objetivo da ação, segundo Allana. “A gente identificou no curso de língua portuguesa que os homens mostravam maior desenvolvimento no que se refere a falar português, porque eles têm um processo maior de socialização. Então a gente achou importante criar um momento de compartilhamento, em que as mulheres pudessem falar suas experiências e criar uma certa rede de apoio entre elas”, conta.
O engajamento das participantes foi recebido com grata surpresa pelas organizadoras: “Eu sinceramente não esperava que teria uma interação tão grande, achei que elas iam ficar um pouco mais fechadas, mas me surpreendi bastante com a forma que elas se abriram pra gente”, celebra a aluna de Serviço Social, Isabella Vieira Bonamente. “Eu também fiquei muito supresa”, acrescenta Allana. “Foi um momento muito grandioso, de troca de experiências. Eu até mesmo me emocionei, porque [esse diálogo] não foi só sobre comida, é algo que transcende tudo”.
“A alimentação, a comida é um elemento muito importante quando a gente pensa na mulher, né? Hoje, a questão da comida está mais disseminada, os homens também fazem comida. Mas ainda ela é um elemento feminino”, salienta a professora de Serviço Social e uma das coordenadoras do Promigra, Edina Schimanski. Segundo ela, trazer a alimentação como tema de debate pode abrir espaço para trazer outros elementos do cotidiano, como a cultura de uma pessoa. “E eu acho que isso ficou bastante claro nas expressões, nas emoções que saíram quando elas falaram da comida”. A professora também destacou a importância da extensão universitária para que a alunas possam se desenvolver profissionalmente: “pro aluno que tá em processo de formação, é uma forma de exercitar a prática, a partir da extensão”, finaliza.
Ao final da atividade, depois de muito sorrisos, as participantes ainda conheceram as comidas típicas brasileiras. Quando perguntada sobre o que Karima pensa sobre o Brasil, a mesma alegria veio na resposta: “Muito, muito bonito! E as pessoas são muito simpáticas, muito gentis. Ponta Grossa é uma cidade muito tranquila”. E a palavra favorita em português? “Que legal!”, respondeu rindo.
Texto e fotos: Jéssica Natal






























