Na noite desta segunda-feira (31), o Conselho da Universidade Estadual de Ponta Grossa (COU-UEPG) deu posse aos professores Ivo Mottin Demiate e Adriana de Fátima Pilatti Ferreira Campagnoli como reitor e vice-reitora da instituição para a gestão 2026-2030. A sessão solene aconteceu no auditório da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg) e reuniu convidados, autoridades do Governo Estadual, civis, militares, ecumênicas e das universidades paranaenses.
Os professores Ivo e Adriana foram eleitos pela comunidade universitária em 09 de abril de 2026. A escolha foi homologada pelo Conselho Universitário em 23 de abril e a nomeação, pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior, aconteceu por meio do decreto 13.576, de 08 de maio de 2026. A gestão que se inicia vai até 31 de agosto de 2030.
A condução do reitor a ser empossado até a mesa de autoridades ficou a cargo das professoras Ana Cláudia Barana e Sulany Silveira dos Santos. Já o professor Renê Francisco Hellman e a procuradora jurídica Célia Alejandra Pais Zyskowski conduziram a vice-reitora. O termo de posse foi lido pela secretária ad hoc, a diretora de Ensino Superior da Seti, professora Maria Aparecida Knuppel, e assinado pelo secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Nelson Bona, e pelos novos reitores. Em seguida, aconteceu a entrega das vestes talares.
Ao fim da solenidade, foram entregues homenagens aos reitores que estiveram à frente da UEPG desde sua criação e que prestigiaram o evento: Odeni Villaca Mongruel (1974-1978); Daniel Albach Tavares (1978-1983), representado por Sérgio Mazurek; Evaldo Podolan (1983-1987); João Lubczyk (1987-1991); João Carlos Gomes (1991-1994, 2006-2010, 2010-2013); Roberto Frederico Merhy (1994-1998; 1998-2002); Paulo Roberto Godoy (2002-2006); Carlos Luciano Sant’Ana Vargas (2013-2014, 2014-2018); e Miguel Sanches Neto (2018-2022, 2022-2026).
O primeiro reitor das Ciências Humanas se despediu do cargo com poesia. “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”. A frase inicial do poema “O Infante”, de Fernando Pessoa, norteou as palavras do discurso do professor Miguel Sanches Neto. Filho de uma família em que poucos tiveram acesso à educação, ele lembrou o caminho improvável que o levou ao ensino superior, ao doutorado, à literatura e à Universidade Estadual de Ponta Grossa, onde ingressou como professor em 1993.
Foi a partir dessa história que, segundo ele, nasceu o sonho de construir uma universidade que não permanecesse fechada em suas salas, laboratórios e gabinetes, mas que se aproximasse das pessoas. “Na sala da reitoria, recebi ministros, deputados, prefeitos, empresários, mas também trabalhadores, catadores de recicláveis, sem-teto, moradores de ocupações e muitas pessoas anônimas que tinham uma demanda qualquer”, lembrou. “Nunca coloquei esta casa a serviço de nenhum partido (‘tempo de partido, tempo de homens partidos’, disse Drummond em ‘Nosso Tempo’), dialogando respeitosamente com todos os grupos em prol da universidade pública”. Reitor, afirmou, não trabalha sozinho, mas com o apoio e comprometimento de suas equipes.
Entre as obras que nasceram em suas duas gestões, destacou a criação da primeira Pró-reitoria de Assuntos Estudantis entre as universidades estaduais, o programa Vaga Ociosa Zero, a abertura dos cursos de Psicologia, Nutrição e Arquitetura e Urbanismo, a retomada de concursos, o regimento de equidade de gênero na gestão da Universidade, a expansão da internacionalização e a criação da Pró-reitoria de Relações Interinstitucionais e de Inovação (Proin). Lembrou ainda a renovação dos equipamentos, o restauro do prédio histórico do Museu Campos Gerais e a ampliação da estrutura de saúde vinculada à UEPG, incluindo a incorporação do Hospital Universitário Materno-Infantil, a construção do Ambulatório Médico de Especialidades, um Centro de Reabilitação, a sede da Polícia Científica do Paraná e a Casa da Acolhida. “E estamos construindo a nova torre do HU – o que tornará o nosso o maior equipamento público de saúde do Paraná”.
O professor Miguel Sanches Neto, o décimo reitor eleito da UEPG, encerrou sua gestão manifestando confiança na continuidade e ampliação dos avanços conquistados. “Vocês recebem uma universidade com o peso da tradição e com a inquietação de uma juventude renovada, que chega todos os anos à UEPG”, declarou aos novos reitor e vice-reitora.
Aluno, professor, cientista, gestor. No auge da sua trajetória pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, ao assumir o cargo de reitor, Ivo Mottin Demiate olha para trás e vê trabalho e conquistas, que lhe dão serenidade para pensar o futuro. “Essa tranquilidade vem sendo amadurecida há muito tempo. O agrônomo, pesquisador da Ciência de Alimentos, precisou aprender a ser gestor. Fui me credenciando aos poucos a estar aqui”.
O professor Ivo é egresso do curso de Agronomia da UEPG, mestre em Ciências (Ciência e Tecnologia de Alimentos) pela Universidade de São Paulo (USP/Esalq), doutor em Agronomia (Energia na Agricultura) pela Universidade Estadual Paulista (Unesp/FCA) e pós-doutor na Iowa State University (EUA). Em sua trajetória na UEPG, acumulou vasta experiência em gestão: atuou como vice-reitor, pró-reitor de Planejamento e de Assuntos Administrativos, diretor de Pesquisa, representante docente no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), chefe de Departamento e coordenador de Programa de Pós-Graduação. Demiate atua como docente no Departamento de Engenharia de Alimentos e já ministrou disciplinas para os cursos de Agronomia, Farmácia e Engenharia de Alimentos. Além disso, ele integra desde 2023 o Conselho Superior da Fundação Araucária, como representante da Associação Paranaense das Instituições de Ensino Superior Público (Apiesp), e em 2025, foi reconhecido como Embaixador da Inovação do Paraná.


Para a gestão que se inicia, o reitor apresentou uma agenda voltada ao avanço tecnológico, à expansão da infraestrutura e ao compromisso social. “Sob nossa responsabilidade, a UEPG não dará nenhum passo atrás, especialmente em relação à inclusão, à inovação e à acessibilidade; respeito às decisões colegiadas; com diálogo amplo e franco”, destacou. “A nossa Universidade continuará a avançar com passos firmes, para seguir como uma instituição com elevada credibilidade, que gradua profissionais de excelência, a partir do trabalho de servidores públicos altamente qualificados, dedicados e responsáveis. Mas também manteremos a UEPG com um olhar especial voltado para aqueles que nunca chegarão aos bancos universitários. Esse é o nosso papel social”.


“Não estamos começando uma nova Universidade. Somos um grande projeto contínuo, feito por muitas gestões, que se torna maior de geração em geração”, enfatizou a vice-reitora, professora Adriana Campagnoli. “Por isso, vamos preservar o que foi conquistado e seguiremos em frente, porque esta Universidade não pode parar de crescer”.
A professora Adriana também é prata da casa: graduou-se em Direito pela UEPG, onde também concluiu o mestrado em Ciências Sociais Aplicadas. O doutorado em Direito Econômico e Social foi realizado na PUC-PR. Docente da instituição, ocupou a chefia da Procuradoria Jurídica de 2022 até assumir a vice-reitoria. Antes disso, acumulou experiência administrativa como chefe de Departamento, chefe da Coordenadoria de Sindicância e Processo Administrativo (Cosinpro) e do Núcleo de Assessoria Jurídica (NAJ) dos Hospitais Universitários.


Ao projetar os próximos quatro anos, Adriana defendeu a continuidade do projeto de Universidade construído por diferentes gestões, com a preservação das conquistas e a busca por novos avanços. Entre os compromissos da nova gestão, destacou a valorização das pessoas, o diálogo e a ética, além de defender uma liderança feminina que amplie espaços para que outras mulheres cresçam na Universidade.
Discursos e presenças






Prestigiaram o evento familiares e amigos, autoridades do Governo Estadual, civis, militares, ecumênicas e das universidades paranaenses. Compondo a mesa de honra, o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Nelson Bona; a diretora de Ensino Superior da Seti-PR, Maria Aparecida Crissi Knuppel; o presidente da Apiesp, Alexandre Almeida Webber; o reitor da UEPG nas gestões 2018-2022 e 2022-2026, Miguel Sanches Neto; a prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt; o presidente da Acipg, Leonardo Puppi Bernardi. Também estiveram no palco os reitores da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Andrea Name Colado Simão; da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Leandro Vanalli; da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), Fabio Hernandes; da Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp), Éderson Marcos Sgarbi; da Universidade Nacional de Canindeyú, no Paraguai, Mariano Adolfo Pacher Morel; do Centro Universitário Santa Amélia, Isaura Andrade Aguiar; e os vice-reitores da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Gilmar Ribeiro de Mello; da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), Rodne de Oliveira Lima; e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Vanessa Rasotto.






Pela primeira vez, o evento foi organizado pela Coordenadoria da Comunicação, a partir das diretorias de Cerimonial e Eventos, com a colaboração do curso de Turismo, Fundação de Apoio à UEPG, Prefeitura do Campus (Precam), Secretaria Geral dos Conselhos (Segecon), e Pró-reitoria de Assuntos Administrativos (Proad). A ornamentação de flores ficou por conta de Cássio Watanabe e buffet de Fernando Karpstein, sem a utilização de recursos públicos.
Texto: Aline Jasper | Fotos: Aline Jasper, Fabio Ansolin, Flávio Toassi Crispim, Gabriel Ribeiro, Jéssica Natal, João Pizani, João Pimentel, Larissa Godoy
Cerimônia de transmissão de cargo:
Reitores de todas as gestões da UEPG:
Destaques, público e autoridades:









































































































































































































































































