Projeto da UEPG promove formação de professores e leva melhorias para escola em Moçambique

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Um projeto da Universidade de Rovuma, de Moçambique, e Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) impactou o dia a dia de uma escola de educação básica no país africano. A ação promoveu formação para a educação básica com 14 professoras da Escola de Chiuaula, localizada na cidade de Lichinga, e trabalhou métodos para fortalecer a alfabetização das crianças. A participação da UEPG no projeto se deu através do Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (Caic).

A Escola Básica de Chiuaula funciona com 13 salas de aula, da 1ª a 9ª classe, distribuídas em 41 turmas. São 4.744 alunos e 77 professores, o que significa que cada um é responsável por atender 150 alunos por turma. Para o desenvolvimento do projeto, foram selecionadas 14 professoras de 1ª, 2ª e 3ª classes para trabalhar com foco na alfabetização e letramento dos alunos. A escola enfrenta dificuldades, como a falta de salas de aula, de muros para cercar a escola, de material e carteiras nas salas.

Entre as atividades realizadas, UEPG e UniRovuma promoveram aulas sobre a teoria da Educação e Linguagem, a teoria de Jean Piaget e a pedagogia de Freinet.  “O início desse projeto foi depois de fazermos o  levantamento das necessidades que a escola básica de Chiuaula tinha em torno do seu trabalho docente. Na verdade, nós pretendíamos contribuir para a formação contínua das 14 professoras que atuam naquela instituição de ensino”, explica Almeida Meque Gomunda, responsável pelo projeto em Moçambique e Diretor Adjunto de Pós-graduação, Pesquisa, Extensão e Inovação na UniRovuma.

Para ele, o projeto contribuiu significativamente. “Esse projeto nos permitiu concluir que, as Instituições do Ensino Superior desempenham um papel muito importante na promoção da formação contínua de professores que atuam na educação básica, melhorando, desse modo, a qualidade do processo de ensino-aprendizagem”, defende.

A diretora do Caic, professora Rosiane Machado da Silva, representou o projeto no Brasil e contou sobre o processo. “As professoras de Moçambique, para participar dos treinamentos pelo (Google) Meet, andavam 5 km a pé para chegar na universidade. Mesmo com essas dificuldades, eles fizeram a certificação”, defende a diretora. Ela explica que esse foi um projeto piloto que despertou interesse e mostrou a necessidade de aplicar a metodologia em mais escolas.

Um relatório produzido pela Escola de Chiuaula sugere que docentes brasileiros vão até Moçambique para continuar a formação e troca de experiências. “Foi um projeto muito rico, muito desafiador, porque são 150 alunos, nem todos alfabetizados e precisamos instrumentalizar esse professor via Meet. Foi um trabalho árduo e ao mesmo tempo compensador. Estou muito satisfeita e temos novas projeções para as próximas parcerias”, complementa Rosiane. 

O Dinter

UEPG e UniRovuma já possuem uma parceria através do Doutorado Internacional (Dinter) em Educação. É o primeiro Dinter do Sul do Brasil com Moçambique e tem como propósito promover a colaboração e o intercâmbio acadêmico entre instituições de diferentes países. Essa parceria se consolidou por meio de um acordo de cooperação entre o Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE-UEPG) e a Universidade de Rovuma (UniRovuma).

Para a docente da UEPG, professora Maria Isabel Moura Nascimento, o projeto oferece oportunidades. “O projeto Dinter é relevante não apenas para a UniRovuma, mas também para o PPGE/UEPG, pois oferece oportunidades para que os alunos expandam seus horizontes acadêmicos, culturais e profissionais. Trata-se de uma parceria que possibilita o enriquecimento de experiências educacionais, a vivência intercultural, a colaboração acadêmica e o desenvolvimento de melhores práticas e abordagens educacionais”, defende.

O professor Adelino Inacio Assane, da Universidade de Rovuma, reconhece a parceria entre as universidades como um marco. “Este programa amplia significativamente as oportunidades de formação doutoral em Educação para docentes e investigadores, promovendo a qualificação de recursos humanos, o fortalecimento da investigação científica e a troca de experiências pedagógicas entre Moçambique e o Brasil. O seu contributo se reflete não apenas no crescimento institucional das duas universidades, mas também no impacto direto na melhoria dos sistemas educativos de ambos os países”, explica.

Texto: André Packer | Fotos: Arquivo pessoal dos entrevistados


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