UEPG e HU participam da construção do Plano de Direito das Mulheres

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A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e os Hospitais Universitários (HU-UEPG) se uniram à Prefeitura de Ponta Grossa para a elaboração do Plano Municipal de Direitos das Mulheres. Pela primeira vez na história, Ponta Grossa passa a contar com diretrizes que orientam e fiscalizam as políticas públicas destinadas às mulheres pelos próximos 10 anos. O planejamento foi estruturado em seis eixos temáticos, entre eles saúde, educação e segurança pública.

O Núcleo Maria da Penha (Numape) participou da elaboração com a presença da coordenadora do projeto, professora Roseni Inês Marconato Pinto do Departamento de Serviço Social. “Os atendimentos diários do Numape fazem a equipe se deparar com as consequências da violência doméstica e familiar contra a mulher. Nossa participação permitiu contribuir com reflexões e decisões para a elaboração do plano”, afirma a professora Roseni. O foco do trabalho do Numape foi no Eixo III – Territórios Livres de Violência e Qualificação das redes de atendimento e enfrentamento às violências contra as mulheres, mas também contribuiu com os demais eixos do plano. 

O Numape integra professores e alunos de Serviço Social, Direito e Psicologia em um trabalho em rede que é fundamental para garantir os direitos das mulheres em situação de violência doméstica e familiar em Ponta Grossa. “O Numape tem como objetivo principal desenvolver ações que promovam o acolhimento e o atendimento social, jurídico e psicológico gratuito ao acesso à justiça às mulheres que estejam em situação de violência e que necessitam da proteção para que lhes seja assegurada a tutela de seus direitos, além da desvinculação do agressor”, explica a professora. 

Por parte dos HUs, a assistente social Inês Chuy Lopes participou da construção do plano e reforçou o compromisso coletivo com a equidade, justiça social e a garantia de direitos. “O plano é fundamental para orientar políticas públicas que reconheçam as múltiplas realidades das mulheres e promovam proteção, autonomia e dignidade. Enquanto assistente social do HU-UEPG, pude contribuir a partir da escuta qualificada, da vivência no atendimento às mulheres em situação de vulnerabilidade e da articulação entre saúde, assistência e direitos humanos, fortalecendo uma construção intersetorial e comprometida com a transformação social”, defende.

A diretora dos HUs, professora Fabiana Mansani, reforça a importância da construção em conjunto com a Prefeitura e demais órgãos. “Nós participamos do eixo de Saúde. Nos cabe fazer o recebimento e todo o cuidado e acolhimento dessas mulheres. É bem importante que a gente participe da construção, do planejamento para que a gente possa conhecer os direitos das mulheres e fazer todo o movimento para que isso seja aprovado”, afirma Mansani.

O plano

O Plano Municipal dos Direitos das Mulheres prevê, entre outras ações, auxílio-moradia para mulheres vulneráveis, a criação de serviço social na Secretaria de Agricultura voltado para agricultoras e a instalação de antena Starlink na Patrulha Maria da Penha para atendimentos no interior. Iniciativas pioneiras como a paridade de gênero no Parlamento Mirim e na Câmara Jovem, programa de mentoria para mulheres interessadas em política e incentivos para empresas que contratarem mulheres em situação de violência. Além disso, instituir redes comunitárias de enfrentamento a situações de violência contra as mulheres, criação de mecanismos de aprimoramento do atendimento intersetorial e fortalecimento de equipes de referência territoriais com acompanhamento integrados também compõem o Plano.

O Numape

O Numape possui como foco o combate a violência contra as mulheres bem como fortalecer a rede de proteção e conscientizar a população acerca dos direitos das mulheres. Apenas em 2025, foram registrados 8.256 registros em boletim de ocorrência de violência contra mulheres em Ponta Grossa. Um estudo produzido pela consultoria socioambiental Tewá 225, que analisou 319 cidades com mais de 100 mil habitantes em todo o Brasil, apontou Ponta Grossa como a 10ª pior cidade para mulheres em todo o país.

Texto: André Packer | Fotos: Arquivo pessoal


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