18 a 22 de maio de 2009

CORRESPONDENTE DA SEMANA

VI Semana de 

integração da  resistência

           A proposta inicial da pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina, Viviane Teixeira, durante o painel da Semana de Integração da Resistência nesta quinta-feira (21), foi a discussão sobre o modo que as novas tecnologias, mais especificamente a internet, mediam os movimentos sociais. No entanto, grande parte do seu discurso ficou preso na descrição de conceitos como “Software Livre” e na apresentação de dados. Não que não sejam importantes, mas devido ao curto tempo das palestras poderiam ter ficados em segundo plano e apresentados de maneira mais sintética.

 

           Uma fala intrigante feita por Viviane foi em relação à pirataria. A pesquisadora afirmou que “onde há menos pirataria há maior qualidade de vida”, como se houvesse uma relação direta de causa e efeito entre elas. Essa observação é um tanto equivocada e soa como uma falácia. De fato, na sociedade contemporânea capitalista, a qualidade de vida está associada à situação financeira. Grande parcela da população menos abastada e que se depara com o desemprego procura o comércio informal – “ilegal” – para se sustentar. Porém, vale lembrar o caráter ideológico da pirataria hoje. Muitas vezes pessoas com alta qualidade de vida optam por downloads ilegais devido à praticidade ou ainda, por razões conceituais sobre a relação comércio/arte. Nesse aspecto, faltou uma visão holística na interpretação da palestrante.

 

           A dinâmica de apresentação adotada pela pesquisadora, baseada praticamente em leituras, também deixou a desejar. O discurso tornou-se enfadonho.

 

           Já o professor Edgar Spitz Pinel, coordenador regional do Comitê para Democratização da Informática (CDI) no Paraná, também painelista desta quinta-feira, focou a sua apresentação na rápida evolução das tecnologias de informação datada no final do século passado e que avança a cada dia. Ele alertou os presentes sobre a importância do modo de uso das novas mídias, pois as redes sociais estão cada vez mais abrangentes e, com isso, fatos antes marginalizados pelas mídias convencionais passaram a ser pautados em blogs e fóruns virtuais. Spitz apontou os novos meios de comunicação, se utilizados de forma correta, como a solução para questões pós-modernas como a “ausência de utopia”, a “falta de sentido”, a “crise de valores” e outras angústias vividas nesta era. Contudo, o discurso do palestrante ignorou os diversos estudos que abordam o rápido avanço tecnológico como causa da angústia nas sociedades contemporâneas (vide David Harvey, Jean Baudrillard ou mesmo na ficção científica com William Gibson).

 

           Outra questão também ignorada pelo palestrante foi o lado econômico e político das redes sociais. Toda a palestra foi apresentada sob uma ótica positivista de que as novas tecnologias de comunicação são democratizadoras. No entanto, há interesses econômicos e políticos que tensionam o densenvolvimento dessas tecnologias. Aliás, elas só existem em função de tais tensões. Sobre esse tema, também houve ausência de uma visão mais aprofundada.

 

           Em contraponto à visão demasiadamente positivista de Spitz, Viviane falou, no breve espaço para debate, sobre as discrepâncias que ainda permanecem ofuscadas com o êxtase das novidades. Apesar de ter sido breve e já no final da palestra, esse contraponto deu um pouco mais de equilíbrio à exposição dos painelistas desta quinta-feira, que até então fora superficial.

 

Stiven de Souza

OPINIÃO - Holística em falta

           Mídia, movimentos sociais e democracia

EXPEDIENTE

Caixa de texto: Coordenadora do CORRESPONDENTE DA SEMANA:
Profª Hebe Gonçalves

Reportagem:
Acadêmicos do 2º ano de Jornalismo

Fotografia:
Gisele Manjurma, 
Josué Teixeira 
e acadêmicos do 2º ano

Contato:
correspondentedasemana@gmail.com