Wanke, Eno Theodoro

 

Nasceu em Ponta Grossa (Pr), em 1929. Engenheiro civil, formado pela Universidade Federal do Paraná, posteriormente especializou-se no ramo do petróleo. Foi funcionário da Petrobrás durante trinta e dois anos. Desde 1953 já se dedicava, com inusitado devotamento, ao mundo da literatura. A força produtiva desse prosador, poeta, biógrafo, enfim, desse estudioso, surpreende os leitores de sua obra. Havia em Eno uma necessidade de escrever que o impulsionava a buscar sempre novos caminhos, novos meios, novas formas, tudo elaborado em tom simples, espontâneo e comunicativo. O trovismo absorveu boa parte de sua atividade literária, não só como criador no gênero mas também como teorizador que visava a orientar iniciantes. Pertenceu à Academia Paranaense de Letras, ao Centro Cultural Euclides da Cunha (Ponta Grossa), à União Brasileira dos Escritores ( São Paulo), à União Brasileira dos Trovadores e a dezenas de outras entidades culturais nacionais e estrangeiras. Faleceu em 2001. Publicações poéticas: Nas Minhas Horas... (1953); Caderno de Trovas (1955); Rubaiyt de Omar Khayyam (tradução) e Meus Haicais (1955); Microtrovas (1961); Cantigas Feitas de Espuma (1962); Microdísticos (1963); Ciranda e Satã (1963); Sonetos de muito Amor (1963); Dicionário Quadrado (1964); Os Homens do Planeta Azul (1965); Os Campos do Nunca Mais (1967); Os Apóstolos Modernos – sonetos (1968); Cant'gas d'Emo Theodoro (1970); Apelo, um Soneto e suas 79 traduções para 46 línguas (1971); O Acendedor de Sonetos (1991); Alma do Século (1991); Ilha Verde (1991); Olho a Palavra (poesia visual) (1998). (Vera Marilha Florenzano).

Desejos de retorno

Eu quero pôr de novo as calças rotas,
sair na chuva, andar pela calçada,
juntar-me à garrulice alvoroçada
dos bandos de garotos e garotas!

Sentir de novo as arrepiantes gotas
no rosto, os pés metidos na enxurrada,
o espírito zanzando, sem mais nada,
sem mais me preocuparem coisas doutas...

Não posso trabalhar... Nesta vidraça
que o meu suspiro de saudade embaça,
escorrem cristalizações de sonho...

Ah, Fausto, eu te compreendo! Se o demônio
surgisse agora, eu tinha a alma danada
em troca de zanzar pela enxurrada!

Palavras-chave: Ponta Grossa, cultura, poesia.

Referências Bibliográficas:
Acervo pessoal.
Antologia de Prosadores e Poetas Ponta-grossenses (coord. Leonilda Hilgemberg Justus). Ponta Grossa: Planeta, 1995.
Jornal do Paraná. Ponta Grossa.
Santos, Pompília Lopes. Sesquicentenário da Poesia Paranaense – antologia. Governo do Paraná José Richa. Curitiba: Secretaria da Cultura e do Esporte, 1985.
Ribas Silveira. Antologia Pontagrossense. Ponta Grossa: [s. n.], 1960.
Tapejara. Ponta Grossa.