Russos-alemães do Volga

 

Dá-se o nome de russos alemães ao grupo de imigrantes alemães que vieram para o Brasil no século XIX depois de um longo período vivendo em colônias por eles fundadas em terras russas. Foram convidados pela Czarina Catarina, A Grande, por volta do ano de 1763, para povoar a região do Baixo Volga, próximo ao mar Cáspio na Rússia, mais precisamente as regiões de Saratov e Sâmara.
Com o aumento do nacionalismo no final do século XIX, os russos alemães passaram a enfrentar dificuldades, perdendo vários privilégios como a isenção do serviço militar e da cobrança de impostos, e a própria autonomia de gerir diversos aspectos das colônias.
Por isso, os russos alemães começaram sair da Rússia. Alguns poucos retornaram para a Alemanha, outra parte emigrou para outros países. Dentre os destinos escolhidos estavam os Estados Unidos, Canadá, Argentina e Brasil. Um pequeno número, entretanto, preferiu não deixar suas terras e seus lares e permaneceu na Rússia.
Os imigrantes que optaram pelo Brasil se disseminaram, em sua maioria, na região sul do Brasil, por causa do clima considerado parecido com o que eles estavam acostumados.
Nos Campos Gerais, os imigrantes eram hospedados no início em várias fazendas, casas alugadas ou barracões, onde ficavam até a designação definitiva de suas terras. Depois de assentados nos locais de colonização, tinha início a instalação de seus Strassendorf, uma rua alongada com casas nos dois lados.
No total, os Campos Gerais tiveram três núcleos de colônias de russos-alemães do Volga. Em Ponta Grossa “Otavia”, em Palmeira “Sinimbú” e na Lapa as colônias de “Marienthal”, “Johannesdorf” e “Virmond”.
A maioria das colônias não prosperou devido a diversos problemas. Destaca-se a pouca fertilidade do solo, fato que gerava como conseqüência o insucesso nas lavouras de trigo, principal plantação dos imigrantes. Vale lembrar também a não adaptação aos costumes brasileiros, e o fato de que muitos imigrantes rumaram para as cidades em busca de novas oportunidades de trabalho, enfraquecendo, por conseguinte, os núcleos coloniais.

Pesquisa:
Marta Auer

Texto:
Marta Auer

Referências bibliográficas:
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