Tapejara, O

O Tapejara, órgão oficial de divulgação do Centro Cultural Euclides da Cunha foi publicado pela primeira vez em 3 de setembro de 1950. Dirigido pelo professor Faris Antônio Salomão Michaele foi sempre distribuído gratuitamente no Brasil, na América e em alguns países europeus para entidades e associações culturais até 1976. O jornal destinava-se a um público selecionado, associados do Centro Cultural Euclides da Cunha, estudantes, professores e integrantes de outras associações culturais considerados interlocutores ideais para mensagem veiculada. Nomes conhecidos no cenário cultural pontagrossense compunham a equipe responsável pela sua publicação: Daily Luís Wambier, João Alves Pereira, Rolando Guzzoni, Alvaro Augusto de Cunha Rocha, Guaracy Paraná Vieira, Raul Gomes, Heitor Ditzel, Ribas Silveira, Lourival Santos Lima, Thiago Gomes Oliveira, Eno Wanke, Ovidio Gasparetto e outros. Ao longo de 26 anos, o jornal manteve suas características, os objetivos e a linha editorial, além de: resenhas, crônicas, poesias, artigos, notas e notícias culturais,, páginas especiais como a de folclore, etc. O periódico contava com colaboradores nacionais e estrangeiros, como Arminda Gonçalves, (Portugal), Luna Cardenas (México), Constâncio Vigil (Buenos Aires), entre outros. O Tapejara ainda transcrevia artigos de intelectuais renomeados como Silvio Romero, Mário Lins, Fernando Azevedo, Roberto Simonsen, Robert Southey. Em seu primeiro número explica-se a etimologia do nome de origem tupi que significa "senhor do caminho" e as finalidades do mesmo: divulgar a mensagem euclidiana e ser porta-voz da "fraternidade cultural, entre o Brasil e a Indo - América tão rica em homens e idéias". Inspirado nos ideais euclidianos e refletindo as preocupações do Centro Cultural, o jornal apresenta os seguintes temas centrais: a vida e a obra de Euclides da Cunha, indianismo, indoamericanismo, nacionalismo, raça, mestiçagem e cultura. Nos diversos artigos sobre Euclides da Cunha, o homem e o escritor são enaltecidos e a obra Os Sertões é apresentada como o exemplo maior de brasilidade. O nacionalismo expresso em diversos textos é essencialmente preocupado com a existência de um caráter brasileiro e considera que a partir das três raças originárias formou-se um país e um povo mestiço. (Carmencita de Holleben Mello Ditzel)

Referência bibliográfica:
DITZEL, Carmencita de Holleben Mello. O arraial e o fogo da cultura: os euclidianos pontagrossenses. Ponta Grossa, 1998 (Dissertação Mestrado- em Educação UEPG).