Segundo Planalto Paranaense, Geomorfologia

 
O Segundo Planalto Paranaense representa o segundo degrau do relevo escalonado do estado, localizando-se a oeste do Primeiro Planalto (ver Fig. 1). Estende-se como uma faixa com cerca de 100 quilômetros de largura média, desde os rios Negro e Iguaçu no limite com Santa Catarina, entre Piên e União da Vitória, até o Rio Itararé no limite com São Paulo, na região de Sengés e Siqueira Campos. Seus limites naturais são a Escarpa da Serra Geral a oeste e norte e a Escarpa Devoniana (ver) a leste. O compartimento geomorfológico correspondente ao Segundo Planalto Paranaense estende-se para nordeste já no Estado de São Paulo, para além do Rio Itararé. Toda a região natural dos Campos Gerais do Paraná, conforme sua definição original (MAACK 1948), situa-se no Segundo Planalto Paranaense, nas proximidades do reverso da Escarpa Devoniana.O Estado do Paraná apresenta compartimentação geomorfológica onde se destacam planaltos escalonados com caimento para oeste-noroeste, separados por escarpas que formam verdadeiros degraus topográficos verticalizados. De leste para oeste tem-se a Planície Costeira, a Serra do Mar, O Primeiro Planalto Paranaense (ou Planalto de Curitiba), a Escarpa Devoniana, o Segundo Planalto Paranaense (ou Planalto de Ponta Grossa), a Serra Geral e, finalmente, o Terceiro Planalto Paranaense (ou Planalto de Guarapuava), o qual se estende às margens do Rio Paraná. Na parte leste do Segundo Planalto, no reverso da Escarpa Devoniana, as altitudes máximas atingem 1290 metros nas proximidades do município de Tibagi, diminuindo até cerca de 511 metros no leito do Rio Tibagi, quando este atravessa a Escarpa da Serra Geral, no limite entre o Segundo e o Terceiro Planalto Paranaense.O relevo no Segundo Planalto Paranaense é contrastante. Junto à Escarpa Devoniana as amplitudes são grandes, com encostas abruptas, canyons e trechos encaixados dos rios, inúmeras cachoeiras e corredeiras sobre leito rochoso. Afastando-se da Escarpa Devoniana, no sentido oeste e noroeste, predomina paisagem de topografia suavemente ondulada de configuração muito uniforme, formada por colinas e outeiros. Outras feições morfológicas presentes neste planalto são as furnas (ver) e os relevos ruiniformes (ver), particularmente na região dos Campos Gerais (ver). Nas proximidades da Escarpa da Serra Geral, destacam-se mesetas, colinas e morros testemunhos, formados por rochas vulcânicas da Era Mesozóica (derrames de basalto da Formação Serra Geral, ver). No Segundo Planalto, os morros testemunhos também aparecem sustentados por arenitos do Grupo Itararé, como é o caso do Morro do Jacaré, em Tibagi, da Serra do Monge na Lapa, e outros.Os principais rios do Segundo Planalto Paranaense são o Iguaçu e o Negro, o Tibagi e seus afluentes da margem direita Pitangui e Iapó, e o Itararé. Os rios Iguaçu, Negro, Pitangui, Iapó e Itararé são rios antecedentes, isto é, são mais antigos que o relevo escalonado atual, e, vindos de leste e dirigindo-se para oeste ou norte, atravessam as escarpas em gargantas profundas esculpidas pela erosão. Já o rio Tibagi, que possui suas nascentes nos Campos Gerais, no próprio Segundo Planalto, é um exemplo de rio conseqüente, isto é, acompanha o declive do relevo regional até próximo da Escarpa da Serra Geral, onde passa a comportar-se também como um rio antecedente. (Isonel Sandino Meneguzzo e Mário Sérgio de Melo).

Palavras-chave: Escarpa Devoniana, Escarpa da Serra Geral, Campos Gerais, morro testemunho, canyon, furnas, relevo ruiniforme.

Referência Bibliográfica:

MAACK, R. 1948. Notas preliminares sobre o clima, solos e vegetação do Estado do Paraná. Arq. Biol. Tecnol., Curitiba, v.3, n.8, p.99-200.

Figura 1: Seção esquemática do Estado do Paraná mostrando a estrutura geológica do relevo. PAR: Paranaguá; CTB: Curitiba; PGR: Ponta Grossa, GUA: Guarapuava; S.M.: Serra do Mar; P.C.: Planície Costeira.