Schwab, Edmundo

 
Nascido em Ponta Grossa (Pr), no ano de 1928. Fez seus primeiros estudos no Colégio São Luiz, passando depois para o Colégio Estadual Regente Feijó, onde foi aluno do professor Faris Michaele, grande incentivador de sua produção poética. Formado em Contabilidade pela Escola Técnica Ponta-grossense. Membro do Centro Cultural Euclides da Cunha (Ponta Grossa), ocupou a cadeira que tinha como patrono Augusto dos Anjos. Tem poemas publicados em jornais e revista da cidade e de Curitiba. Participou da fundação do Centro Cultural Faris Michaele (Ponta Grossa). (Vera Marilha Florenzano).

Camões

I

Misto de cortesão, soldado e pária
foi tua vida insólita aventura;
e na bela e imortal literatura
portuguesa, és figura legendária.

Após gozar a vida sedentária
da corte, foste em busca da moldura
do poema de rara envergadura
que concebeu tua alma visionária.

Não foi a saga do soldado, a estóica
resignação ante a fortuna ingrata,
que eternizou teu nome... Foi somente

tua lira, ora lânguida, ora heróica,
foi teu poema imenso que retrata
os feitos imortais de tua gente...

II

Já vinhas, em espírito, seguindo
aquelas destemidas caravelas
que, enfrentando perigos e procelas,
iam rotas marítimas abrindo

e um novo e enorme império construindo,
entre "gente remota" e terras belas
da África e da Ásia, introduzindo nelas
a Fé ilimitada e o idioma lindo.

Eras o espírito de um marinheiro
das frotas de Cabral, Vasco da Gama,
Fernão de Magalhães ou tantos mais;

eras talvez o mais audaz guerreiro
dos que ajudaram a fazer a fama
dos capitães dos mares - imortais!...

III

Como a linda e infeliz Inês de Castro,
que só depois de morta foi rainha,
( tombada pela intriga que no rastro
dos ócios palacianos sempre vinha ),

também teu gênio que fulgiu como astro
e fulge ainda e com o sol caminha
nos céus, onde desponta como um mastro,
não o notou a gente vil, mesquinha...

Só decepções em vida amarguraste:
o exílio, o cárcere aviltante, a dura
falta de amparo de uma mão fraterna.

Somente após a morte é que reinaste;
depois da angústia de uma vida obscura
e da morte solitária - a glória eterna!...

Palavras-chave: Ponta Grossa, cultura, poesia.

Referências Bibliográficas:
Acervo pessoal.
Antologia de Prosadores e Poetas Ponta-grossenses (coord. Leonilda Hilgemberg Justus). Ponta Grossa: Planeta, 1995.
Jornal do Paraná. Ponta Grossa.
Tapejara. Ponta Grossa.
Revista do Clube Curitibano, n.º 51.