Portugal, Corina

 

Corina Antonieta Portugal nasceu no Rio de Janeiro, filha do médico Antônio Fernandes Pereira Portugal e Deolinda Fazenda Pereira Portugal. A boa condição financeira da família permitiu que Corina estudasse no renomado colégio francês de Madame Étienne, no Rio de Janeiro.
Aos quinze anos veio a conhecer Alfredo Marques de Campos e, pouco tempo depois, em 1885, casaram-se. Ao contrário dos costumes da época, o pai de Corina impusera como condição ‘as núpcias o regime de separação de bens entre o casal, ficando indisponível o patrimônio.
O relacionamento do casal desde o início parecia não ser bom. Alfredo Marques de Campos, que era farmacêutico, não conseguia estabilizar-se financeiramente e as brigas entre o casal. por este motivo, eram constantes.
O irmão de Alfredo, Ernesto Campos de Lima, que participava do movimento republicano em Curitiba, sugeriu-lhe que viesse a Ponta Grossa em busca de trabalho. Aqui chegando, Alfredo entrou em contato com alguns conhecidos, em especial o médico João Menezes Dória. Com auxílio deste, Alfredo abriu a Farmácia Campos, que rapidamente ganhou fama na região.
Mas o dinheiro ganho nos negócios era desperdiçado em mesas de jogo e prostíbulos, sendo que as brigas entre o casal continuavam.
Na noite de 26 de abril de 1889, Alfredo de Campos , após uma violenta discussão, matou a esposa Corina com trinta e duas facadas. No momento, alegou ‘a polícia que assim fizera porque a mulher manteria relações extraconjugais com o dr. João Menezes Dória. O depoimento foi contraditório, porém seu advogado de defesa e inimigo político do dr. Dória, o dr. Vicente Machado, conseguiu a absolvição.
Em seguida, mudou-se para Minas Gerais. Pouco tempo depois, a notícia do assassinato da esposa em Ponta Grossa no Paraná chegou até o local onde se estabelecera e Alfredo, desta vez condenado pela opinião pública, suicidou-se.
Corina foi enterrada no Cemitério Municipal São José de Ponta Grossa no túmulo número 1258.
Para grande parte da população da cidade ela não traíra o esposo, mas fora vítima inocente. Com o passar do tempo sua história tornou-se lendária, adquirindo fama de santidade e seu túmulo um local de visitação pública.
Ao longo dos anos e até os dias de hoje, vêem-se em todas as paredes da sepultura, placas de agradecimento por graças alcançadas, bilhetes com os mais diversos pedidos, ex-votos, terços, flores. (Georgiane Garabely Heil)

ReferênciasBibliográficas:

FERNANDES, Josué Corrêa. Corina Portugal – história de sangue e luz. Ponta Grossa: Gráfica Planeta, 1999.
Artigos de Josué Corrêa Fernandes no jornal "Diário da Manhã" de 19/07/1998 a 08/11/1998.

Palavras-chave: religiosidade, catolicismo popular.