PLADEI – Plano de Desenvolvimento Industrial de Ponta Grossa

A chegada dos militares ao poder em 1964 significou a implantação de um novo modelo econômico aa vinculado principalmente a entrada de grande volume de capitais externos no país. A partir daí o Brasil viveu o chamado “milagre econômico”, fenômeno de curta duração, mas de prolongadas conseqüências. Ponta Grossa não ficou fora de tal realidade. No ano de 1969, sob forte influência da política econômica do regime militar, o poder municipal de Ponta Grossa, na gestão de Cyro Martins, em sintonia com as políticas estadual e federal, instituiu, através da Lei 2.157 o Plano de Desenvolvimento Industrial de Ponta Grossa – PLADEI. Tal plano tinha como objetivo a instalação em Ponta Grossa de uma estrutura econômica que contemplasse as políticas do modelo brasileiro. Com isso instalaram-se em Ponta Grossa grandes indústrias nacionais e multinacionais. Em seu artigo 16 do Plano define sua função principal: “A atividade do PLADEI será desenvolvida no sentido de estudar a conveniência e escolher, no município, área de situação topográfica favorável a fim de instalar as novas indústrias”. Dando prosseguimento a esse objetivo, em 1971 a Prefeitura Municipal adquiriu junto a Rede Ferroviária Federal, um área destinada à instalação do Distrito Industrial de Ponta Grossa, acelerando a vinda das grandes indústrias para o município. A expansão da produção de soja em terras brasileiras fez com que o Paraná tivesse destaque internacional, tanto na produção como no beneficiamento e na exportação do produto. Nesse contexto Ponta Grossa se projetou no cenário paranaense, pois além de entreposto comercial passou, através das indústrias que aqui se instalaram a partir do PLADEI, a assumir a condição de forte pólo agro-industrial de beneficiamento do produto. Empresas como Anderson Clayton, Incopa, Sanbra, Cargil, todas voltadas para a transformação da soja. No final dos anos 70, 40% da indústria de esmagamento e beneficiamento de soja do país estava situada em Ponta Grossa. A cidade recebeu, inclusive, a denominação simbólica de “capital mundial da soja”. Ao mesmo tempo verifica-se, no período, aumento de determinadas mazelas sociais, como pode ser verificado na elevação considerável do número de favelas, que passam de 0,8% em 1970 para 5,3 em 1980. Passados mais de trinta anos de sua implantação, o PLADEI reservou duas grandes heranças para a cidade. Do ponto de vista econômico, foii responsável pelo aumento significativo da capacidade produtiva e também da oferta de empregos no município, o que gerou a dinamização da economia local e o fortalecimento político de Ponta Grossa. Por outro lado, os indicadores sociais que despontaram, revelam um crescente aumento de demandas nem sempre atendidas pelo poder público. (Silvano Carneiro Júnior)

Referências: Diário dos Campos, 18 de junho de 2002 (suplemento especial), p. 12.