Palmeira, meios de transporte em (1850-1975)

 

O Município de Palmeira, localizado na região dos "Campos Gerais", era passagem obrigatória dos tropeiros que abasteciam de gado os mineradores das Minas Gerais, vindos de Viamão (RS) com destino à feira de Sorocaba (SP). Uma das paradas obrigatórias dos tropeiros que passavam por Palmeira era a famosa Fazenda Conceição, que fazia parte da grande Fazenda Palmeira, esta doada como sesmaria ao bisavô de D. Anna Maria Conceição de Sá, esposa do Tenente Manoel José de Araújo, doador do terreno para a construção da igreja para devoção da N. Sra. Imaculada Conceição, ato que deu origem ao surgimento da cidade de Palmeira. Na metade do século passado, os transportes e as viagens eram feitos através de cavalos; quem não possuía cavalo, viajava a pé. Havia no fim do século passado as diligências, que se dirigiam de Curitiba até Castro. Em Palmeira, o Hotel Germano (onde hoje é o Posto Bordignon) era a estação das diligências. Elas pernoitavam ali, depois iam a Ponta Grossa e de Ponta Grossa a Castro. De Curitiba a Palmeira, eram dois dias de viagem, enquanto que os outros trechos eram feitos num dia; isto no transporte de passageiros. A distância de Palmeira a Curitiba, na época, era de 96 km. O ponto de saída era a Praça Marechal Floriano Peixoto, onde, em frente à Prefeitura, tinha o marco 96, e, em frente à Catedral de Curitiba, tinha o marco zero. Hoje, essa distância diminuiu para 80 km. Os locais de pousada eram sempre um vilarejo. Havia um perto de São Luís do Purunã, outro próximo a Campo Largo. Ali os viajantes se abrigavam, protegidos do tempo. As pousadas eram particulares. As diligências que puxavam passageiros eram de uma empresa que tinha exclusividade para este serviço. Em Palmeira, o Sr. Germano Ristow era o encarregado desse desse trabalho. Ele possuía carruagens e um hotel, onde o pessoal parava para descansar. Depois que parou com o serviço de transporte de passageiros, montou uma cervejaria chamada Cervejaria da Ponte. Isso durou até mais ou menos 1935, quando o interventor Manoel Ribas baixou um decreto proibindo o tráfego de carroças nas estradas. Nesse momento já havia caminhões, automóveis, até um ônibus já existia na época fazendo o transporte coletivo. A capacidade das diligências de passageiros era de, no máximo, seis pessoas sentadas, semelhante às diligências dos americanos. Três viradas para frente, três viradas a trás, numa viagem bem desconfortável. Os automóveis em Palmeira começaram a rodar na década de 1920. Os ônibus, bem mais tarde. Havia uma linha de ônibus de São Mateus do Sul a Palmeira que teve suas atividades iniciadas no final da década (1928 ou 1929). Uma viagem de Curitiba a Palmeira durava cerca de quatro, cinco horas, em ônibus que comportavam até 20 passageiros, melhor acomodados. Depois veio o trem. O trem, na verdade, foi o primeiro tipo de transporte terrestre eficiente. Existe no Brasil desde aproximadamente 1854, quando foi construída a 1ª estrada de ferro. Na época, D. Pedro II era o imperador do Brasil, e ele era um homem muito culto. Onde ele sabia que havia alguma novidade, ia atrás e trazia para o Brasil. Tanto é que o Brasil foi um dos primeiros países a usar o telefone. A estrada de ferro também, logo que surgiu na Europa (Inglaterra), D. Pedro II tratou de trazer para o Brasil. O trem começou a circular de Curitiba até Palmeira em março de 1894, quando foi inaugurado o último trecho, de Restinga Seca até a Palmeira. A partir desse momento, o transporte de trem vindo de Curitiba era feito normalmente. O trecho trecho de Palmeira a Ponta Grossa foi inaugurado cerca de um ano depois. Após inaugurado esse trecho, as carruagens e as diligências puxadas por cavalos foram aos poucos desaparecendo. Com a implantação de tão grande novidade, o povo palmeirense passou a conviver com os barulhentos trens que passavam de dia ou de noite pela cidade, da mesma forma que as pessoas também começaram a usar aquela maravilha para as suas viagens, economizando tempo. Por Palmeira passavam quatro trens de passageiros por dia, dois em cada sentido. Havia os trens de passageiros e os mistos, que puxavam vagões de carga e de passageiros. Os trens que iam até São Paulo possuíam vagões dormitórios e um que era o restaurante. Havia também um vagão especial, o do Correio, que transportava as correspondências para as cidades por onde passava. Mas o tempo foi aos poucos fazendo as coisas se modificarem. As rodovias começaram a concorrer com as ferrovias porque os caminhões, ônibus e automóveis foram ganhando estradas pavimentadas, e transportavam tudo com mais rapidez que os trens que ainda corriam os trilhos de estradas construídas no século passado, cheias de curvas e com apenas uma linha que não permitia o trânsito de dois trens em sentido contrário ao mesmo tempo. Os trens de passageiros sumiram. Apenas o transporte de carga é feito por estradas de ferro, pelo fato de ser um transporte mais barato e seguro. Assim sendo, Palmeira deixou de ser passagem de trens, ficando, todavia, em pé a sua estação. No início da década de 1970, Palmeira ainda praticava o transporte ferroviário, o que, com o advento das rodovias que cortam a cidade e com as facilidades que o transporte rodoviário apresentava, acabou tendo uma grande diminuição, até cair em desuso. Finalmente, aproximadamente em 1975, foram desativadas as linhas, as locomotivas, e a estação teve sua estrutura interna alterada, com salas que atualmente abrigam um dos departamentos da Prefeitura Municipal. Quanto à questão da navegação, até a década de 1950 o Porto Amazonas fazia parte do Município de Palmeira. Uma parte do Iguaçu era navegável, do Porto Amazonas até um pouco abaixo de União da Vitória. E até a década de 1960 ainda havia navios ali, mas só podiam navegar numa determinada época, quando o rio dava calado. Com o assoreamento, o rio foi ficando raso, então, entre uma enchente e uma época de estiagem, os navios subiam e desciam, principalmente carregando lenha pra estrada de ferro. Também havia os navios de transporte de passageiros, chamados na época de vapor. Alguns estão sendo reformados, como é o caso do Peri, estaleirado na cidade de São Mateus Mateus do Sul. Ele é o único dessa época que sobrou, porque os demais foram sendo desmanchados, foram apodrecendo também. Alguns tinham até um certo luxo para os passageiros. O pessoal ia até Porto Amazonas de trem, e descia de vapor para São Mateus do Sul ou União da Vitória. ( José Carlos Ferreira Junior )

Referências Bibliográficas:
Jornal "Cidade Clima" - Caderno "Variedades - Recordar é Viver", de 22 de maio, 05 de junho e 25 de setembro de 1999.
JUNKE, Klaus J. A eficiência das ferrovias no transporte metropolitano. SP: Edgard Blücher, 1968, p.02-03.
MARTINS, Romário. História do Paraná. SP: Guaíra.
PEREIRA, Levy G. e BROSTULIN, Consuelo. Coletânea de dados sobre Palmeira. Fundação de Estudos Internacionais do Paraná. Transportes e Seguros "English in Business" "Français Économique et Commercial" Sistemática do Comércio Exterior. Curitiba, 1974.
CAVALCANTI, Jorge A. (coord.). Transportes no Brasil. Brasília: UnB, 1978.