Mesosaurus brasiliensis

 
Réptil fóssil de cerca de um metro de comprimento, corpo alongado provido de grande cauda, hábito aquático, com longos dedos que indicam que eram dotados de membranas natatórias. Apresentava longos e finos dentes que não se destinavam a devorar peixes, somente um peixe minúsculo poderia atravessar garganta tão estreita. Provavelmente alimentava-se de crustáceos que se fossilizaram nas mesmas rochas. Seus fósseis são assinalados nas bacias do Karroo (África) e do Paraná, nesta ultima na Formação Irati. Por este motivo, este réptil fóssil foi utilizado como argumento para a hipótese da união dos continentes Sul Americano e Africano no Permiano Superior (Gondwana) ocorrendo em camadas com cerca de 245 milhões de anos. O primeiro espécime foi descrito no início do século por Mc Gregor em 1908. O Mesosaurus brasiliensis foi por muito tempo confundido com o Stereosternum tumidum, mas a similaridade é apenas superficial, pois eles diferem no formato e tamanho da cabeça, número de vértebras e caracteres dentários, sendo sua maior diferença o tamanho do arco dorsal. Outro réptil de grande semelhança foi descrito por Shikama & Ozaki (1966, apud Oelofsen & Araújo 1983), esta terceira forma foi designada de Brazilosaurus sanpauloensis. Os fósseis mais antigos representantes da espécie Mesosaurus brasiliensis datam do Carbonífero Superior, cerca de 290 milhões de anos. Segundo Oelofsen & Araújo(1983), Mesosaurus brasiliensis, Stereosternum tumidum e Brazilosaurus sanpauloensis foram contemporâneos no primitivo Mar Irati, o primeiro adaptado a regiões centrais mais profundas da bacia e os dois últimos às porções marginais mais rasas. (Heracto Kuzycz Assunção; Mário Sérgio de Melo)

Referências Bibliográficas:
PETRI, Setembrino; FÚLFARO, Vicente José. Geologia do Brasil. 1ª ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1988.
OELOFSEN, B. & ARAÚJO, D. C. Palaeoecological Implications of the Distribution of Mesosaurid Reptiles in the Permian Irati Sea (Paraná Basin), South America. In: Revista Brasileira de Geociências. N.º 13 pg. 1-6 .1983.