Formação Irati

 
Nome Irati foi utilizado pela primeira vez por White em 1906 (apud Baptista 1984), para denominar a seqüência pouco espessa (cerca de 50 metros na área-tipo) de folhelhos pretos, largamente distribuídos na Bacia do Paraná, cuja seção-tipo aflora em um corte de estrada cerca de 3 Km a sul da estação ferroviária de Irati (centro-sul do Paraná). Deve-se a Mendes (1952, apud Schobbenhaus 1984) o emprego do nome Irati na categoria de Formação. Barbosa & Gomes (apud Schobbenhaus 1984), propuseram a divisão da Formação em dois Membros, Taquaral (inferior) e Assistência (superior). Hachiro et alii (1993) elevaram a categoria da unidade Irati a Subgrupo, compreendendo as Formações Taquaral e Assistência. Tais folhelhos pretos, ou "xisto" (nome informal dado por seu aspecto folheado), são industrializados em São Mateus do Sul (sul do Paraná), onde está localizada a Petrobrás-SIX, que desenvolveu o processo de industrialização do xisto, cujos produtos principais são o óleo de xisto, gás liquefeito de xisto, enxofre e nafta. Segundo Schneider et alii (1974) as características litológicas e paleontológicas da Formação Irati indicam, para a unidade Taquaral, deposição em ambiente marinho de águas calmas, abaixo do nível de ação das ondas. Para a unidade Assistência indicam um ambiente marinho raso, sob condições de restrição da bacia (pouca circulação e oxigenação), que possibilitaram a deposição dos folhelhos pretos e calcários, desenvolvidos em áreas de plataforma, permitindo até a formação de anidrita (sulfato de cálcio). A idade para a Formação Irati foi estabelecida por Mac Gregor (1908, apud Schobbenhaus 1984), ao descrever o réptil Mesosaurus brasiliensis e compará-lo com formas semelhantes que ocorrem no Permiano da África do Sul. Daemon & Quadros (1969, apud Schobbenhaus 1984), com base em paleopalinomorfos, situaram os sedimentos da Formação Irati no Kazaniano (Permiano Superior, aproximadamente 260 milhões de anos). Além dos fósseis dos répteis Mesosaurus brasiliensis e Stereosternum tumidum, são também registrados os gêneros de crustáceos Paulocaris, Liocaris e Pygaspis (Campos 1978, apud Schobbenhaus 1984). (Heracto Kuzycz Assunção; Mário Sérgio de Melo)

Palavras-chave: folhelho pirobetuminoso, Permiano, Mesosaurus brasiliensis.

Bibliografia:
BAPTISTA, Milton Brand et alii. Léxico Estratigráfico do Brasil. Brasília : Editora Grafho,1984.
HACHIRO, Jorge; COIMBRA, Armando Márcio; MATOS, Sérgio Luís Fabris. O Caráter Cronoestratigráfico da Unidade Irati. In: Simpósio Sobre Cronoestratigrafia da Bacia do Paraná, (1993: Rio Claro). Anais...São Paulo: Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, 1993. p.62-63.
SCHNEIDER, R.L. et alii. Revisão Estratigráfica da Bacia do Paraná. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA (1974:Porto Alegre). Anais... Porto Alegre : Sociedade Brasileira de Geologia, 1974. p.41-65.
SCHOBBENHAUS, Carlos et alii . Geologia do Brasil. São Paulo : Editora Olímpica, 1984.