Escarpa Devoniana

 

A Escarpa Devoniana constitui notável feição geomorfológica que delimita a leste os Campos Gerais do Paraná (link Fig.1 do verbete "Campos Gerais do Paraná, Geomorfologia"). Ela tem início no vale do rio Iguaçu, no sul do estado, entre os municípios de Lapa e Campo Largo e estende-se para além do rio Itararé, já no estado de São Paulo, a norte, até as proximidades do município de Itapeva. Esta feição geomorfológica estende-se como uma faixa em forma de arco, com cerca de 260 quilômetros de extensão e desníveis altimétricos usualmente entre 100 e 200 metros, podendo atingir até cerca de 450 metros na região do Canyon do Guartelá (ver). A escarpa devoniana representa um verdadeiro degrau topográfico, com paredes abruptas e verticalizadas, que separa o Primeiro e o Segundo Planalto Paranaense (link Fig.2 do verbete "Campos Gerais do Paraná, Geomorfologia"). Este degrau é uma cuesta (ver), originada pela erosão que vem esculpindo o relevo e promovendo o aparecimento de feições tais como morros-testemunhos (ver), abrigos, "fendas" e pequenas cavernas que guardam vestígios arqueológicos. Outras feições encontradas ao longo da escarpa são os canyons dos rios Iapó, Pitangui, Itararé e Iguaçu quando estes, provindos do Primeiro Planalto e dirigindo-se ao Segundo Planalto, atravessam a escarpa em profundas gargantas esculpidas pela erosão. A Escarpa Devoniana tem este nome porque é sustentada pela Formação Furnas (ver), de idade devoniana. Entretanto, a idade da feição geomorfológica é muito mais nova que a idade da rocha que a sustenta, admitindo-se que a escarpa seja cenozóica (menos de 65 milhões de anos). A denominação "Escarpa Devoniana" já é consagrada, mas seria mais correto utilizar-se "Escarpa do Arenito Devoniano". (Isonel Sandino Meneguzzo e Mário Sérgio de Melo).

Palavras-chave: relevo de cuesta, morros-testemunhos, Formação Furnas.

Referências Bibliográficas

MAACK, R. 1981. Geografia física do Estado do Paraná. Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Ed., 442p.

MELO, M.S. 2000. Canyon do Guartelá. In: SCHOBBENHAUS, C. (Ed.), Sítios geológicos e paleontológicos do Brasil. Brasília, Universidade de Brasília. Disponível em 06/07/00 na World Wide Web http://www.unb.br/ig/sigep/

SOUZA, C.R.G. & SOUZA, A.P. 2000. Escarpamento Estrutural Furnas. In: SCHOBBENHAUS, C. (Ed.), Sítios geológicos e paleontológicos do Brasil. Brasília, Universidade de Brasília. Disponível em 06/07/00 na World Wide Web http://www.unb.br/ig/sigep/