Diabásio

 
Rocha ígnea hipoabissal (intrusiva em outras rochas preexistentes), relativamente pobre em sílica e rica em plagioclásio cálcico. O diabásio normalmente ocorre em corpos rochosos consolidados ao longo do percurso do magma que, vindo de grandes profundidades, busca alcançar a superfície da Terra, percorrendo fraturas profundas, e alojando-se nas estruturas das rochas encaixantes. Formam-se assim principalmente os diques (corpos tabulares verticalizados ao longo das fraturas) e soleiras (corpos horizontalizados ao longo do acamamento de rochas sedimentares). Os diabásios exibem coloração normalmente preta, decorrente da abundância de minerais ferromagnesianos (piroxênios, olivinas). Apresentam densidade relativa elevada, sendo por vezes denominados vulgarmente "pedra-ferro". Os cristais são equigranulares (tamanhos semelhantes), com dimensões submilimétricas a milimétricas, intermediárias entre os cristais maiores do gabro e os menores do basalto, respectivamente rochas plutônicas (profundas) e vulcânicas (extrusivas) geradas pelo mesmo magma que origina o diabásio. Nos Campos Gerais, os diabásios ocorrem principalmente na forma de extensos enxames de diques (muitos corpos paralelos) alongados na direção NW-SE, que cortam rochas do embasamento cristalino e rochas sedimentares paleozóicas da Bacia do Paraná. A estes diques ocasionalmente associam-se corpos tabulares horizontalizados, freqüentemente explorados por pedreiras (por exemplo a pedreira da Vila Cipa, em Ponta Grossa). Os enxames de diques da região marcam as fraturas alimentadoras dos extensos derrames basálticos da Formação Serra Geral, que aparecem no Terceiro Planalto Paranaense. Estas rochas testemunham intensa atividade ígnea vulcânica ocorrida ao longo do Arco de Ponta Grossa, durante a fragmentação do antigo continente Gondwana, no Mesozóico. Nos Campos Gerais, por tratar-se de uma rocha ígnea, mais resistente, numa região de rochas sedimentares da Bacia do Paraná, o diabásio é muito utilizado como pedra britada para muitas finalidades (asfalto, concreto, enrocamentos, etc.), e várias são as pedreiras que exploram esta rocha. Ela também é utilizada para a confecção de poliedros e blocos utilizados no calçamento de vias e passeios, embora este emprego seja desaconselhável em locais de grande circulação, pois a rocha tende a desgastar-se, produzindo pisos lisos e escorregadios. (Mário Sérgio de Melo; Heracto Kuzycz Assunção)