Casa do Divino

 

Em Ponta Grossa, no século XIX, era comum a existência de pequenos oratórios, altares e capelas nas casas das famílias, destinados à devoção de um santo. Uma delas era a devoção ao Divino Espírito Santo, parte do conjunto de manifestações religiosas populares e presente no Brasil desde o século XVI. Em 1882 Maria Júlia Xavier, que ficaria conhecida como "Nhá Maria do Divino", encontrou uma litografia com a imagem do Espírito santo nas proximidades da Fazenda Carambeí, no caminho para a cidade de Castro (Pr.). Contava-se que "Nhá Maria" sofria das faculdades mentais e teria ficado curada após encontrar a referida imagem. A notícia da cura logo se espalhou e a imagem foi trazida para a casa da rua santos Dumont, onde até hoje se encontra. Maria Júlia pretendia construir uma capela, mas os contos de réis que guardava para a obra foram roubados. Ao falecer, a casa da rua Santos Dumont foi herdada por seu sobrinho Luiz Joaquim Ribeiro, casado com Zeferina Ribeiro. Esta passou a tomar conta da imagem e, em 1917, abriu a capela para visitação pública. Com a morte de Luiz Joaquim Ribeiro, Zeferina esposa Roldão Chaves. Uma das filhas desse casamento, Edi Chaves, deu continuidade ao trabalho de sua mãe, a partir de 1957. Com o passar do tempo, a sala do Divino foi recebendo doações de quadros, imagens de santos e estandartes representativos do Divino. Os fiéis trazem os mais variados tipos de ex-votos que representam a graça alcançada ou pretendida: fitas, fotos, imagens, fios de cabelo, objetos de cera, velas, cartas etc. Os freqüentadores pertencem a todas as classes sociais e o movimento é constante, oscilando entre 10 e 50 visitas diárias. O dia de maior movimento é, sem dúvida, o dia de Pentecostes. Embora a sala do Divino seja um local de devoção da fé católica, não está vinculada à Igreja oficial. Não promove festejos específicos, como acontece em outras regiões do país, limitando-se a acompanhar as procissões realizadas pela Igreja matriz. A sala do Divino continua sob os cuidados de mulheres da mesma família que, de forma espontânea, se comprometem a dar continuidade a essa devoção. ( Fábio Holzmann Maia )

Referências Bibliográficas:
Jornal Diário dos Campos- edição 28 de janeiro de 1979, p. 06.
Relatos de Edi Chaves