Carnaval em Ponta Grossa, O

 

Os primeiros festejos carnavalescos em Ponta Grossa remontam ao século XIX. Famílias importantes da cidade reuniram-se para assistir aos festejos, acomodadas em camarotes do Teatro Sant’ana. Os grupos carnavalescos se apresentavam, dançando e contagiando as pessoas com sua alegria e disposição. O Carnaval era uma festa bonita que reunia as famílias. Nas ruas, as festas chamavam a atenção do povo. Blocos carnavalescos se enfrentavam travando batalhas com baldes d’água e laranjinhas que inicialmente concentravam água em seu interior e tinham uma base de cera; com a evolução, as laranjinhas passaram a ser de borracha, cheias de água perfumada. Mais tarde o lança-perfume, entre os jovens, o qual muitas vezes simbolizava interesse, intensificava a “flerte”, podendo significar o primeiro passo para o namoro. Mais tarde o uso de lança-perfume foi proibido, devido ao seu grande poder alucinógeno e embriagador. No século XX, nas décadas de trinta e quarenta, o Carnaval ponta-grossense alcançou seu apogeu, atraindo foliões de várias cidades vizinhas. Apesar de todos os esforços, o Carnaval de rua de Ponta Grossa na década de 40 já dava indícios de fraqueza e de declínio. A falta de organização e de dinheiro, bem como a participação do Brasil na II Guerra Mundial, afetaram significativamente os festejos. O Carnaval de rua de 1941 foi “desastroso”. Em 1942 até mesmo o jornal confirmou “O carnaval de rua, infelizmente morreu” (DIÁRIO DOS CAMPOS). O Carnaval de rua foi perdendo, dentro da nossa sociedade, seu verdadeiro sentido de festa. Um dos fatores dessa decadência foi a divisão que se estabeleceu entre Carnaval de rua e o de salão. De ano para ano, o carnaval de rua foi desaparecendo. O entusiasmo público foi sendo substituído pela preferência aos salões. Os ranchos, cordões, os grupos espirituosos de máscaras passaram levados pelo tempo. O Carnaval deixou de ser essencialmente a festa do povo, para ser a festa de certas camadas da população, que o comemoram em clubes ou praias. Hoje o ingresso para um baile carnavalesco, em algum clube da cidade, corresponde à condição social exigida pelo estatuto de cada sociedade recreativa. “Ponta Grossa reflete bem, na grandeza e na imponência de suas grandes festas carnavalescas, toda a realidade de sua grande vida” (DIÁRIO DOS CAMPOS. 03 de fevereiro de 1937, nº 9.053 – p. 5). (Sílvia Julek)
Referências Bibliográficas:
1. DIÁRIO DOS CAMPOS – 1932 a 1945.
2. GUIMARÃES, Albari. Dez anos de governo. Ponta Grossa: Prefeitura Municipal, 1944.
3. KRANTZ, Frederichk (org). A outra história. Ideologia e protesto popular nos séculos XVIII a XIX. Rio de Janeiro: Zahar.
4. MATTA, Roberto da. Carnavais, malandros e heróis. 4 ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1983.
5. HOLZMANN, Guísela V. Frey Holzmann. SOARES, Olavo. REQUIÃO Renato. Ponta Grossa – edição histórica. Publicação comemorativa do 152º aniversário de Ponta Grossa. 15 set. 1975.
6. SEBE, José Carlos. Carnaval, carnavais. São Paulo: Ática, 1986.
7. SILVA, Edson Armando (coor.) SACHELLI, Myrian Janett. CHAVES, Niltonci Batista. O povo faz a história – Ponta Grossa 1920/1945. Ponta Grossa: Relatório de Pesquisa – UEPG.DEHIS, 1994, vol 1 e 2.

Palavras Chave: Carnaval; Divisão de classes.