o que é o dicionário

 

A construção de dicionários é prática corrente nas ciências sociais desde o século XVIII. Entretanto a partir da década de 1980 houve uma profusão de iniciativas em termos de produzir e publicar dicionários históricos.
Entre estas iniciativas poderíamos destacar o Dictionaire des sciences historiques, dirigido por André Burguiére; o Dictionnaire d'histoire et art militaires, dirigido por André Corvisier; The Blackwell Dictionary of historians, editado por John Cannon; Blackwell Encyclopaedia of the russian revolution, editado por Harold Shukman; Ficher Lexicon-Geschichte, dirigido por Richard van Dülmen, Diccionario de términos historicos y afines, de Frederic Chordá, os dicionários da Idade Média, dirigidos por Henry Loyn e do Renascimento italiano dirigido por John Hale, os dicionários da história da revolução francesa por ocasião do seu bicentenário produzidos por François Furet e Albert Soboul; o Dictionnaire de la civilisation grecque, de Claude Mossé; o Dictionnaire historique des fascismes de Milza e Berstein e finalmente o Dictionaire de la civilisation indienne, de Louis Frédéric.
Em língua portuguesa destacam-se o Dicionário de história de Portugal, dirigido por Joel Serrão; o Dicionário da História da Igreja em Portugal (não concluído), dirigido por Banha de Andrade, o Dicionário histórico dos descobrimentos portugueses de Luis de Albuquerque; o Dicionário Histórico e Biográfico editado pelo CPDOC a respeito do Brasil Contemporâneo; o Dicionário de história da colonização portuguesa no Brasil, dirigido por Maria Beatriz Nizza da Silva; o Dicionário Político Catarinense, coordenado por Walter Piazza; o Dicionário de nomes, termos e conceitos históricos, de Antônio Carlos do Amaral Azevedo e por fim o Dicionário bibliográfico de historiadores geógrafos e antropólogos brasileiros, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro coordenado por Vicente Tapajós.
No caso paranaense existe uma longa tradição de dicionarização da história. O primeiro registro data de 1880 quando Nivaldo Teixeira Braga escreveu o Dicionário Histórico e Geográfico do Paraná, cujos originais foram perdidos ainda no século XIX.
Em 1901 Ermelindo Agostinho de Leão iniciou seu Dicionário Histórico e Geográfico do Paraná, obra só concluída no ano de 1924. Embora tenha sido resultado de 23 anos de pesquisa, o autor não o considerava uma obra definitiva, exigindo que outros o revisassem e o completassem.
Há poucos anos publicou-se um Dicionário Histórico-Biográfico do Estado do Paraná editado pala Livraria do Chain e pelo Banco do Estado do Paraná que de acordo com seu editor deveria se chamar "Verbetes para um Dicionário Histórico-Biográfico do Paraná" uma vez que uma obra como esta permanece por definição inconclusa.
Apesar da longa tradição de dicionarização existente no Paraná a região dos Campos Gerais tem sido contemplada com parcimônia. Além disso, esses dicionários estiveram pouco abertos à contribuição interdisciplinar uma vez que estavam limitados à forma de publicação impressa que, mesmo contra a vontade de seus idealizadores lhes impunha um formato definitivo.
Normalmente os dicionários se estruturam como conceituais, temáticas ou mistas. As obras conceituais são aquelas que contém verbetes analíticos que procuram caracterizar a produção de conhecimento em determinada área ou sobre determinado tema. As obras temáticas são aquelas que se estruturam em torno de determinados temas como revoluções, guerras, instituições, etc.
A produção acadêmica sobre os Campos Gerais aumentou consideravelmente nos últimos anos em razão da valorização da pesquisa na UEPG. Esse conhecimento produzido no interior dos Departamentos encontra, entretanto, poucos canais de interação com a comunidade dos Campos Gerais, mesmo se considerarmos aquela parcela da comunidade mais instruída.
Muitas vezes os próprios pesquisadores tem dificuldades em encontrar informações sistematizadas sobre áreas de conhecimentos que não estejam exatamente dentro da sua especialidade. O Dicionário Histórico e Geográfico dos Campos Gerais pretende preencher essa lacuna. Ao mesmo tempo em que cria um espaço para sistematização e divulgação do conhecimento produzido na Universidade sobre a região abre um canal de diálogo com todas as pessoas interessadas em conhecer e discutir a região dos Campos Gerais.
O desenvolvimento recente da informática desenvolvendo ferramentas de fácil acesso tornou possível um empreendimento como esse facilitando o trabalho em equipe padronizado por procedimentos operacionais previamente acordados. Por outro lado possibilita o contato dessa equipe com a comunidade em um nível que seria inacessível por outros meios.
Dessa maneira o Dicionário Histórico e Geográfico dos Campos Gerais busca como objetivo central os mesmos objetivos da atividade extensionista da Universidade: estabelecer uma ponte entre a Universidade e a comunidade de maneira que o processo seja realimentado no ensino e na pesquisa.
A proposta do Dicionário Histórico e Geográfico dos Campos Gerais é a de ser uma obra mista uma vez que se propõe a contemplar tanto conceitos produzidos na produção acadêmica sobre a região como biografias, acontecimentos, instituições etc.. Dessa maneira ele pretende atingir não apenas a comunidade de pesquisadores da região como também todo aquele que se interesse por conhecer e discutir mais profundamente a região.
Como uma obra mista o Dicionário se propõe a ser uma obra interdisciplinar aberta portanto não apenas ao conhecimento produzido na área de história, mas também ao conhecimento produzido em outras áreas como geografia, sociologia, economia, antropologia, direito etc.
Nesse sentido o Dicionário Histórico e Geográfico dos Campos Gerais optou por ser um veículo (de divulgação e produção de conhecimento) multimidiático, ou seja, ele será publicado em diversas mídias, tanto através de textos impressos como on-line (na internet). Isso se tornou possível a partir da experiência acumulada no Departamento de História com a publicação da Revista de História Regional que é uma revista também multimidiática.
Essa característica permite ao Dicionário Histórico e Geográfico dos Campos Gerais se propor como uma obra aberta e ilimitada porque a mídia na qual ela será veiculada permite uma constante revisão atualização e ampliação do seu conteúdo. Isto a torna também uma obra interativa, uma vez que o público terá condições de opinar e contribuir com o seu conteúdo.